terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.30



Por meio disso tudo, o Espírito Santo nos ensina, de modo bem claro, que a entrada para o Lugar Santíssimo ainda não foi aberta enquanto a parte da frente, que é o Lugar Santo, continuar sendo usada. Isso é um símbolo para hoje. Quer dizer que as ofertas e os sacrifícios de animais oferecidos a Deus não tornam perfeito o coração das pessoas que o adoram. Essas ofertas e sacrifícios têm a ver somente com comida, com bebida e com várias cerimônias de purificação. São regras externas que têm valor somente até que Deus renove todas as coisas. 
(...) 
Essas coisas, que eram cópias das realidades celestiais, deviam ser purificadas desse modo; mas as próprias coisas celestiais exigem sacrifícios bem melhores. 
Epístola de São Paulo aos Hebreus 9:8-10, 23

No dia seguinte, quando eles estavam voltando de Betânia, Jesus teve fome. Viu de longe uma figueira cheia de folhas e foi até lá para ver se havia figos. Quando chegou perto, encontrou somente folhas porque não era tempo de figos. Então disse à figueira:— Que nunca mais ninguém coma das suas frutas!E os seus discípulos ouviram isso.
Quando Jesus e os discípulos chegaram a Jerusalém, ele entrou no pátio do Templo e começou a expulsar todos os que compravam e vendiam naquele lugar. Derrubou as mesas dos que trocavam dinheiro e as cadeiras dos que vendiam pombas. E não deixava ninguém atravessar o pátio do Templo carregando coisas. E ele ensinava a todos assim:— Nas Escrituras Sagradas está escrito que Deus disse o seguinte: “A minha casa será chamada de ‘Casa de Oração’ para todos os povos.” Mas vocês a transformaram num esconderijo de ladrões! Os chefes dos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar um jeito de matar Jesus. Mas tinham medo dele porque o povo admirava os seus ensinamentos. De tardinha, Jesus e os discípulos saíram da cidade. 
No dia seguinte, de manhã cedo, Jesus e os discípulos passaram perto da figueira e viram que ela estava seca desde a raiz. Então Pedro lembrou do que havia acontecido e disse a Jesus:— Olhe, Mestre! A figueira que o senhor amaldiçoou ficou seca. Jesus respondeu:— Tenham fé em Deus. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês poderão dizer a este monte: “Levante-se e jogue-se no mar.” Se não duvidarem no seu coração, mas crerem que vai acontecer o que disseram, então isso será feito. 
Evangelho Segundo São Marcos 11:11-23

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

na leitura de hoje, tanto na Epístola quanto no Evangelho, vemos o Espírito Santo nos alertar para não nos prendermos nos aspectos exteriores da vida religiosa. Os vendilhões do Templo, expulsos por Jesus, todos comerciavam nos sacrifícios exteriores, quando verdadeiramente acabavam impedindo o sacrifício real que Deus quer de nós e que o Apóstolo nos lembra que faz parte das "coisas bem melhores" que temos que oferecer. E que sacrifício seria esse? Vemos no Salmo 51:16-19:

Tu não queres que eu te ofereça sacrifícios; tu não gostas que animais sejam queimados como oferta a ti. Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração humilde e arrependido. Ó Deus, com a tua bondade, ajuda Jerusalém e constrói de novo as suas muralhas! Então terás prazer em receber os sacrifícios certos e os animais que são totalmente queimados. E touros novos serão oferecidos no teu altar.

O sacrifício que Deus quer é nosso coração arrependido e feito humilde. As coisas bem melhores que devemos sacrificar são as coisas de nosso coração e de nossa alma. Se antes no templo se ofereciam animais, agora devemos sacrificar a Deus os "animais" de nossas paixões, desejos e impulsos, entregando a Deus um coração pobre, manso, puro, misericordioso, pacífico e humilde.

Reparem agora, nas bem-aventuranças, as promessas que Cristo faz aos que assim purificam o coração (S. Mateus 5:3-12). Prometem o Reino de Deus, o título de Filho de Deus e mesmo a visão de Deus. Tais promessas têm tudo a ver com o poder que Cristo mostra sobre a figueira. 

Antes da Queda, o homem era senhor sobre a natureza. A salvação trata da restauração desse estado anterior à Queda e de glórias ainda maiores. Mas é como novos Adãos e novas Evas que o homem tem poder sobre a natureza como Jesus explica no fim da passagem. Assim, com o verdadeiro sacrifício feito no coração, o homem purifica o templo interior do Espírito Santo que então restaura nele o estado anterior à Queda onde tínhamos poder sobre a natureza. E este é apenas o início das glórias!

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam sobre todos nós!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.29

"Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, um pecador."


Pois, se a primeira aliança tivesse sido perfeita, não seria necessária uma nova aliança. Mas Deus vê que o seu povo é culpado e diz:
“Está chegando o tempo, diz o Senhor, em que farei uma nova aliança com o povo de Israel e com o povo de Judá. Essa aliança não será como aquela que eu fiz com os antepassados deles, no dia em que os peguei pela mão e os tirei da terra do Egito. Não foram fiéis à  aliança que fiz com eles, e por isso, diz o Senhor, eu os desprezei.
Quando esse tempo chegar, diz o Senhor, farei com o povo de Israel esta aliança: Eu porei as minhas leis na mente deles e no coração deles as escreverei. Eu serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém vai precisar ensinar o seu patrício nem o seu parente, dizendo: ‘Procure conhecer o Senhor.’ Porque todos me conhecerão, tanto as pessoas mais humildes como as mais importantes. Pois eu perdoarei os seus pecados e nunca mais lembrarei das suas maldades.”
E, quando Deus fala da nova aliança, é porque ele já tornou velha a primeira. E o que está ficando velho e gasto vai desaparecer logo.
Epístola aos Hebreus 8:7-13

Jesus e os discípulos chegaram à cidade de Jericó. Quando ele estava saindo da cidade, com os discípulos e uma grande multidão, encontrou um cego chamado Bartimeu, filho de Timeu. O cego estava sentado na beira do caminho, pedindo esmola. Quando ouviu alguém dizer que era Jesus de Nazaré que estava passando, o cego começou a gritar:
— Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!
Muitas pessoas o repreenderam e mandaram que ele calasse a boca, mas ele gritava ainda mais:
— Filho de Davi, tem piedade de mim!
Então Jesus parou e disse:
— Chamem o cego.
Eles chamaram e lhe disseram:
— Coragem! Levante-se porque ele está chamando você!
Então Bartimeu jogou a sua capa para um lado, levantou-se depressa e foi até o lugar onde Jesus estava.
— O que é que você quer que eu faça? — perguntou Jesus.
— Mestre, eu quero ver de novo! — respondeu ele.
— Vá; você está curado porque teve fé! — afirmou Jesus.
No mesmo instante, Bartimeu começou a ver de novo e foi seguindo Jesus pelo caminho.
Evangelho Segundo São Marcos 10:46-52

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

O Natal é o início da Nova Aliança prometida pelo Senhor e lembrada pelo Apóstolo na epístola de hoje. A antiga aliança tratava da preparação de todo um povo com um só objetivo: que desse povo se levantasse uma mulher capaz e preparada para ser, literalmente em seu próprio corpo, a Arca da Nova Aliança, na qual a Palavra de Deus habitaria por nove meses e depois nasceria humildemente como um de nós.  Esta comparação é feita pelo próprio Evangelista São Lucas que faz diversos paralelos entre Maria e a Arca da Aliança em seu Evangelho. José, por sua vez, é chamado tradicionalmente de "o Justo". Um "justo", ou "tsadic", na religião judaica não é um mero elogio, mas um título, semelhante ao "santo" nas igrejas ortodoxa e romana. Refere-se a alguém completamente entregue a Deus e em quem a graça santificante encontrou um coração excepcionalmente mais receptivo. Assim, José e Maria cuidando de Jesus Cristo representam a Antiga e a Nova Aliança. A Antiga, como José, prepara, protege e dá espaço a nova. A nova reconhece, respeita e é grata a Antiga. Ambas servem a Nosso Senhor Jesus Cristo. A Antiga Aliança não chega a ver o Messias que lhe foi prometido. José falece antes do início do ministério de Jesus. Ele viu mais do Messias prometido que todos os profetas e heróis da Antiga Aliança, mas a plenitude da revelação estava destinada para a Nova Aliança.

No Evangelho de hoje temos um cego que chama por Jesus através de seu título da Antiga Aliança "Filho de Davi". Mas o que ele pede a esse descedente do antigo rei é mais do que reis e príncipes humanos podem dar. É cura e vida. Por tal fé, o homem cego dos olhos materiais via com os olhos do espírito. Correndo até o Cristo, o cego o chama de Mestre e, reconhecendo que era cego e incapaz de ver, declara que deseja ser curado.  Sua cegueira, claro, simboliza nossa própria cegueira no pecado, incapazes de vermos a luz de Deus. Ser cego é também símbolo de ser pecador. 

Assim vemos que o cego: 1) clama por Cristo insistentemente, e mesmo diante de Seu silêncio tem fé que será ouvido e atendido; 2) reconhece a soberania de Cristo, chamando-o de Meste e que mais do que líderes humanos, Ele pode o impossível; 3) reconhece que é cego/pecador.

Tendo sido curado, e diferente de tantos outros ingratos, o cego imediatamente começa a seguir o Cristo. Também o cego, que chamava Cristo de "Filho de Davi" representa a antiga Aliança, em vias de acabar, e todos nós presos as "alianças antigas" que tínhamos com o pecado e com a escuridão. Todas essas alianças antigas podem ser quebradas pelo Filho de Deus, para sermos admitidos na Nova Aliança, se O chamamos não pelo Seu nome da aliança antiga e carnal "Filho de Davi", mas aquele título da Nova Aliança que Pedro e os Apóstolos reconheram por inspiração do Espírito Santo: "Filho de Deus".  Como o cego, reconhecemos a soberania de Cristo chamando-o de Senhor, reconhecemos Seu infinito poder como Filho de Deus e que somos "cegos", isto é, pecadores. Por isso clamamos com insistência e humilde coragem: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, um pecador".

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam sobre todos nós!

P.S.


Para compreendermos melhor o significado do termo "justo"(tsadic) atribuído a São José, e portanto entendermos a verdadeira a estatura espiritual do ancião pai adotivo de Cristo, segue abaixo a definição de Tsadic de acordo com um site judaico brasileiro:

O Tsadic
Segundo a opinião do Tanya, uma pessoa que passou por testes de força moral e de caráter, e não sucumbiu ao pecado em pensamento, palavra e ação não é exatamente o significado do termo tsadic. Este também não descreve a essência de um tsadic. Ao contrário, o título tsadic refere-se a uma pessoa que triunfou sobre sua alma animalesca. Esta vitória significa que ele expulsou, ou transformou em bem, o mal inerente a seu coração desde o momento em que nasceu.
No capítulo dez do Tanya, Rabi Shneur Zalman explica que há duas categorias gerais de tsadic.
Um tsadic imperfeito ou incompleto é alguém que conseguiu banir ou eliminar o mal dentro de si por meio de seu serviço Divino, como alude o versículo: "E erradicarás o mal de dentro de ti." Um tsadic perfeito ou consumado é alguém que não somente baniu qualquer traço de mal dentro de si, como também conseguiu transformar o mal em bem.
Conforme já destacamos, na sabedoria chassídica há uma distinção entre a faculdade do desejo da alma animalesca, e as "vestes imundas" nas quais a alma animalesca se veste. O poder do desejo não é necessariamente mau. Ele tem em si o potencial de ser atraído na direção do bem ou do mal. As "vestes imundas" nas quais a alma se veste são o produto da indulgência nos deleites físicos deste mundo. Assim como uma pessoa pode mudar de roupas à vontade, assim também pode tirar as vestes imundas que cobrem sua alma.
Banir e eliminar o mal
Deveria ser enfatizado que a transformação do poder do desejo da alma animalesca em amor a D’us caminha de mãos dadas com mudar completamente as vestes imundas. Devido a isto, o tsadic imperfeito, que não conseguiu transformar o mal em bem, também não conseguiu eliminar o mal dentro de si próprio. É por este motivo que o tsadic incompleto é também chamado "um tsadic que conhece o mal", ou "um tsadic no qual existe o mal", pois algum minúsculo vestígio do mal ainda permanece dentro dele, no lado esquerdo de seu coração. No entanto, em seu favor, devemos dizer que o vestígio do mal nunca é expresso em pensamento, palavra ou ação, pois "em razão de sua pequenez, é subjugado e anulado para o bem."
Rabi Shneur Zalman enfatiza que o nível de "um tsadic que conhece o mal" na verdade abrange miríades de níveis, que são classificados segundo a quantidade e a potência do mal que permanece dentro dele. Em um tsadic imperfeito, um vestígio do mal originário do elemento Ar permanece. Em outro, um traço do mal do elemento Terra sobrevive, e assim por diante. Em um tsadic incompleto, o mal é anulado pelo bem na proporção de um para sessenta. Em outro tsadic imperfeito, o mal é anulado na proporção de um para mil, ou dez mil, etc. Estas várias subdivisões na categoria do tsadic imperfeito são os níveis dos numerosos tsadikim encontrados em todas as gerações. Segundo o Tanya, este é o significado da declaração de Nossos Sábios, que "dezoito mil tsadikim ficam de pé perante o Eterno, bendito seja."
O mal não é sentido
O rei David declarou sobre si mesmo: "Meu coração está vazio (chalal) dentro de mim." Isso sugere que seu coração estava vazio da consciência da má inclinação. E a razão para isso está declarada no Talmud Yerushalmi: "pois ele o tinha matado através do jejum." A palavra chalal significa também um cadáver, implicando assim que depois que o Rei David tinha jejuado a tal ponto que destruiu sua má inclinação, tudo de que tinha consciência era o "cadáver" do yetser hará (yetser hará=inclinação para o mal) dentro dele. Este status é atingido por todo "tsadic que conhece o mal" na guerra contra a alma animalesca.
O tsadic imperfeito destruiu seu yetser hará, e cumpriu o versículo "erradicarás o mal de seu meio", embora às vezes o vestígio do mal que permanece dentro dele (o "cadáver" de seu yetser hará) demonstre sua presença. Mesmo assim, não tem efeito sobre ele (permanece um corpo sem vida, por assim dizer) e não pode perturbá-lo em seu serviço Divino ou impedi-lo de apegar-se a D’us.
Em contraste, o yetser hará do benoni (o sujeito que não é mais um pecador inveterado, mas não é um tsadic ainda) é passível de incomodá-lo ao máximo. Mesmo quando o benoni está ocupado com seu serviço Divino, e em meio a seu apego por D’us, maus pensamentos podem perturbá-lo. Para superar estes maus impulsos ele deve ir à guerra. No tsadic incompleto, porém, a aparência do mal é apenas transitória, e pode imediatamente ser ordenado a fugir sem qualquer luta. 
http://www.chabad.org.br/tora/cabalaterapia/cab125.html

E ainda:

O termo tsadic "justo", e seus significados associados, desenvolveram no pensamento rabínico do seu contraste Talmudico com hasid (honorifico "piedoso"), para sua exploração na literatura ética, e sua espiritualização esotérica na Cabala. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tsadic

De um ponto de vista ortodoxo, podemos ver que o estado de "justo" ou tsadic era o mais próximo que um membro da Antiga Aliança podia chegar da santidade antes da Encarnação, Morte e Ressurreição do Filho de Deus. Na verdade podemos colocar os termos "Justiça" e "Santidade" como expressões do mesmo fenômeno antes e depois dos eventos gloriosos da Vinda de Cristo.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.26


Jesus purifica as pessoas dos seus pecados; e todos, tanto ele como os que são purificados, têm o mesmo Pai. É por isso que Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos. Como ele diz: “Ó Deus, eu falarei a respeito de ti aos meus irmãos e te louvarei na reunião do povo.” Diz também: “Eu confiarei nele.” E diz ainda: “Aqui estou eu com os filhos que Deus me deu.”
Os filhos, como ele os chama, são pessoas de carne e sangue. E por isso o próprio Jesus se tornou igual a eles, tomando parte na natureza humana deles.
Ele fez isso para que, por meio da sua morte, pudesse destruir o Diabo, que tem poder sobre a morte. E também para libertar os que foram escravos toda a sua vida por causa do medo da morte.
É claro que ele não veio para ajudar os anjos. Em vez disso, como dizem as Escrituras: “Ele ajuda os descendentes de Abraão.” Isso quer dizer que foi preciso que Jesus se tornasse em tudo igual aos seus irmãos a fim de ser o Grande Sacerdote deles, bondoso e fiel no seu serviço a Deus, para que os pecados do povo fossem perdoados. E agora Jesus pode ajudar os que são tentados, pois ele mesmo foi tentado e sofreu.
Epístola de São Paulo aos Hebreus 2:11-18
Depois que os visitantes foram embora, um anjo do Senhor apareceu num sonho a José e disse:— Levante-se, pegue a criança e a sua mãe e fuja para o Egito. Fiquem lá até eu avisar, pois Herodes está procurando a criança para matá-la. Então José se levantou no meio da noite, pegou a criança e a sua mãe e fugiu para o Egito. E eles ficaram lá até a morte de Herodes. Isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito por meio do profeta: “Eu chamei o meu filho, que estava na terra do Egito.”
Quando Herodes viu que os visitantes do Oriente o haviam enganado, ficou com muita raiva e mandou matar, em Belém e nas suas vizinhanças, todos os meninos de menos de dois anos. Ele fez isso de acordo com a informação que havia recebido sobre o tempo em que a estrela havia aparecido. Assim se cumpriu o que o profeta Jeremias tinha dito:
“Ouviu-se um som em Ramá, o som de um choro amargo. Era Raquel chorando pelos seus filhos; ela não quis ser consolada, pois todos estavam mortos.”
Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu num sonho a José, no Egito, e disse:— Levante-se, pegue a criança e a sua mãe e volte para a terra de Israel, pois as pessoas que queriam matar o menino já morreram. Então José se levantou, pegou a criança e a sua mãe e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ficou sabendo que Arquelau, filho do rei Herodes, estava governando a Judeia no lugar do seu pai, teve medo de ir morar lá. Depois de receber num sonho mais instruções, José foi para a região da Galileia e ficou morando numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que os profetas tinham dito: “O Messias será chamado de Nazareno.”
Evangelho Segundo São Mateus 2:13-23

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

Cristo Nasceu! A Ele Toda Glória!

Ontem celebramos o início de nossa Salvação, a realização das profecias do Antigo Testamento. Ontem celebramos o fato histórico de que o Criador do universo, a Palavra Divina, tendo humildemente habitado no útero de uma mulher como outrora as Tábuas da Lei habitaram na Arca da Aliança, nasceu misteriosamente para a redenção da humanidade, para limpar nossos pecados e nos libertar do jugo do demônio, elevando Consigo aqueles que crerem nEle.

No Evangelho de Mateus, logo depois da descrição do nascimento de Jesus Cristo, é narrado o morticínio que Herodes provocou na tentativa de matar Jesus. Nem bem chegara ao mundo e as forças do inferno,através daqueles cujo coração estava dominado por tal influência infernal, logo se pôs contra o frágil bebê para tentar destruí-lo. Tal é a vida do cristão, desde o início resistindo aos ataques do inferno.
Alegremo-nos portanto diante da Iluminante presença do Deus Vivo, Nosso Senhor Jesus Cristo, no mundo, mas ao mesmo tempo, estejamos atentos contra os ataques do inimigo. Deus sempre enviará Seus anjos para nos guiar, como guiaram aos Reis Magos e ao Justo São José.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo na glória de Sua Natividade estejam sempre com todos nós!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.23

A Natividade do Senhor

Porque quem receber o descanso que Deus prometeu vai descansar de todos os seus trabalhos, assim como Deus descansou dos trabalhos dele. Portanto, façamos tudo para receber esse descanso, e assim nenhum de nós deixará de recebê-lo, como aconteceu com aquelas pessoas, por terem se revoltado. Pois a palavra de Deus é viva e poderosa e corta mais do que qualquer espada afiada dos dois lados. Ela vai até o lugar mais fundo da alma e do espírito, vai até o íntimo das pessoas e julga os desejos e pensamentos do coração delas.
Epístola de São Paulo aos Hebreus 4:10-12

Alguns fariseus, querendo conseguir uma prova contra ele, perguntaram:— De acordo com a nossa Lei, um homem pode mandar a sua esposa embora?

Jesus respondeu com esta pergunta:— O que foi que Moisés mandou? 

Eles responderam:— Moisés permitiu ao homem dar à sua esposa um documento de divórcio e mandá-la embora. 

Então Jesus disse:— Moisés escreveu esse mandamento para vocês por causa da dureza do coração de vocês. Mas no começo, quando foram criadas todas as coisas, foi dito: “Deus os fez homem e mulher. Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa.” Assim, já não são duas pessoas, mas uma só. Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu.

Quando já estavam em casa, os discípulos tornaram a fazer perguntas sobre esse assunto. E Jesus respondeu:— O homem que mandar a sua esposa embora e casar com outra mulher estará cometendo adultério contra a sua esposa. E, se a mulher mandar o seu marido embora e casar com outro homem, ela também estará cometendo adultério.
Evangelho Segundo São Marcos 10:2-12

Caríssimos,

amanhã já será véspera da celebração da Natividade de Nosso Senhor. Nos aproximamos do dia que marca o início de nossa salvação. O útero da jovem Maria, ela mesma uma Arca da Nova Aliança, conteve o Incontenível, o Ilimitado ganhou corpo e limites, o Onipotente nasceu como um frágil bebê, por amor de nós, Sua criação pecadora e ingrata. O Senhor do Universo não teve vergonha de unir Sua Santíssima e Pura natureza divina com nossa limitada e criada natureza humana, purificando-a, exaltando-a e santificando-a. 

Na preparação para mergulharmos no espírito desta data, oração, jejum e caridade são fundamentais. Santas leituras ajudam bastante e na de hoje vemos o Apóstolo lembrar-nos das promessas de Cristo para os que lutarem o "bom combate". Neste trecho, S. Paulo chama esta recompensa de descanso, e lembra que algumas pessoas, por revolta, acabaram por perdê-la. Revoltaram-se contra o quê? Logo em seguida ele explica que a palavra de Deus vai até o mais íntimo da alma, o mais profundo de nossos corações. E temos coisas ali que às vezes não queremos remexer, mas Deus quer, pois Ele renova tudo. Dores, mágoas, ressentimentos, coisas que não perdoamos, ódios secretos contra o próprio Deus, Ele não tem vergonha de nada disso e quer revirar tudo para nos curar de tudo e nos levar à santidade, isto é, à intimidade com Ele.
Já no Evangelho, temos o conhecido momento em que Jesus explica o valor do casamento e o problema do divórcio. Que relação tem isso com a Epístola do dia e ainda com a aproximação do Natal?

Para compreender, devemos lembrar que nas Santas Escrituras, o casamento é muitas vezes utilizado como símbolo da união de Deus com o homem através de Seu Povo, Sua Igreja, Sua Esposa. O Nascimento de Jesus Cristo marca como que um noivado, o início de uma união que se consumará com sua Ressurreição gloriosa e com o Pentecostes, pois apenas aí a Noiva, a comunidade de Apóstolos, Discípulos e seguidores, se une à Cristo recebendo o Espírito Santo e se torna Esposa-Igreja, unida com Ele, participante da natureza divina ( 2 Pedro 1:4). Da mesma forma como marido e esposa se tornam uma só carne, no casamento de Deus com a Igreja, nós através dela, nos tornamos uma só carne com Cristo (Gálatas 2:20).

Assim, tudo que se aplica ao casamento e ao divórcio, aplica-se também a relação do Cristão com Cristo - e vice-versa, pois o casamento cristão é imagem da relação de união entre a Igreja e Cristo.  Se queremos entender como deve ser o casamento cristão, devemos compreender como Cristo relaciona-se com a Igreja e a Igreja com Cristo (Efésios 5:21-33).

Essa união, iniciou-se, de uma vez para sempre, de forma indissolúvel, no dia do Natal.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós hoje e durante todas as celebrações de Sua Natividade!

Tropário da Natividade
Teu Nascimento, Ó Cristo nosso Deus,
Iluminou o mundo com a Luz da sabedoria!
Através dele, aqueles que adoravam as estrelas,
aprenderam por uma estrela a Te adorar,
Tu que és o Sol da Justiça,
e souberam que Tu és, o Oriente das Alturas.
Ó Senhor, glória a Ti!

Kontákio da Natividade
Hoje nasceu da Virgem o Transcedente,
e a terra oferece uma caverna para o Inaproximável!
Anjos e pastores O glorificam!
Pois por nos amar, o Eterno Deus nasceu como uma Criancinha!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.17

"Temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. "


Pela fé eles (profetas e heróis do Antigo Testamento) lutaram contra nações inteiras e venceram. Fizeram o que era correto e receberam o que Deus lhes havia prometido. 
Fecharam a boca de leões, apagaram incêndios terríveis e escaparam de serem mortos à espada. Eram fracos, mas se tornaram fortes. 
Foram poderosos na guerra e venceram exércitos estrangeiros. 
Pela fé mulheres receberam de volta os seus mortos, que ressuscitaram.
Outros foram torturados até a morte; eles recusaram ser postos em liberdade a fim de ressuscitar para uma vida melhor. 
Alguns foram insultados e surrados; e outros, acorrentados e jogados na cadeia. 
Outros foram mortos a pedradas; outros, serrados pelo meio; e outros, mortos à espada. 
Andaram de um lado para outro vestidos de peles de ovelhas e de cabras; eram pobres, perseguidos e maltratados. Andaram como refugiados pelos desertos e montes, vivendo em cavernas e em buracos na terra. O mundo não era digno deles! 
Porque creram, todas essas pessoas foram aprovadas por Deus, mas não receberam o que ele havia prometido. Pois Deus tinha preparado um plano ainda melhor para nós, a fim de que, somente conosco, elas fossem aperfeiçoadas.
Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. 
Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus.
Epístola de São Paulo aos Hebreus 11:33-12:2

Jesus começou a ensinar os discípulos, dizendo:— O Filho do Homem terá de sofrer muito. Ele será rejeitado pelos líderes judeus, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da Lei. Será morto e, três dias depois, ressuscitará. Jesus dizia isso com toda a clareza. Então Pedro o levou para um lado e começou a repreendê-lo. Jesus virou-se, olhou para os discípulos e repreendeu Pedro, dizendo:— Saia da minha frente, Satanás! Você está pensando como um ser humano pensa e não como Deus pensa. Aí Jesus chamou a multidão e os discípulos e disse:— Se alguém quer ser meu seguidor, que esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe.
Evangelho Segundo São Marcos 8:31-34

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

o Evangelho de hoje é de São Marcos, o qual foi discípulo de São Pedro. Por isso muitos consideram que este seja o Evangelho conforme pregado por São Pedro, ou ao menos inspirado por ele.  Isso torna a passagem ainda mais valiosa porque se for o caso, então é o testemunho do próprio Pedro que está registrado ali no trecho que fala dele mesmo. 

Lembremos que Pedro, como todos os Apóstolos, abandonaram Jesus no momento de Sua prisão. Jesus dizia ali quem quisesse segui-lo tinha que estar disposto a morrer com Ele, para ressuscitar com Ele. Nem Pedro e nem nenhum dos Apóstolos compreenderam essa verdade, pois, como disse Jesus, pensavam como homens e não como Deus. Por isso a Epístola de hoje cita os sofrimentos, torturas e até mortes que os profetas, patriarcas e heróis do Antigo Testamento passaram. São Paulo lembrava aos hebreus que os judeus que haviam morrido pela fé em Deus eram uma "nuvem de testemunhas" que os circundava. Ele dizia isso para que as pessoas pensassem o seguinte: se esses do Antigo Testamento que conheciam Cristo apenas como uma profecia que não havia se cumprido ainda, estavam dispostos a morrer por Ele, quanto mais nós que já conhecemos o Messias, não deveríamos ter a mesma coragem.

Muitos hoje pregam um "evangelho" no qual Deus é um gênio da lâmpada, atendendo nosos desejos e nos "abençoando" com carro, casa, família, saúde, prosperidade, enfim, bençãos materiais. Mas o que a leitura de hoje vem nos lembrar são aquelas últimas palavras de Cristo antes da Crucificação: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." ( S.Jo. 15:13 ) Se somos amigos de Cristo, e se cumprirmos o mandamento de amar a Deus acima de todas as cosias, nós daremos nossa vida por Jesus Cristo, como Ele deu a dEle por nós. 

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.16

Jesus cura o cego de Betsaída


Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver. E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações.

Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que julgará todos os seres humanos, tanto os que estiverem vivos como os que estiverem mortos, eu ordeno a você, com toda a firmeza, o seguinte: por causa da vinda de Cristo e do seu Reino, pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência. Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir. Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para dar atenção às lendas. 
2a Epístola a Timóteo 3:16-4:4
Depois Jesus e os discípulos chegaram ao povoado de Betsaida. Algumas pessoas trouxeram um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. Ele pegou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Então cuspiu, passou a saliva nos olhos do homem, pôs a mão sobre ele e perguntou:— Você está vendo alguma coisa? O homem olhou e disse:— Vejo pessoas; elas parecem árvores, mas estão andando. Jesus pôs outra vez as mãos sobre os olhos dele. Dessa vez o cego olhou firme e ficou curado; aí começou a ver tudo muito bem. Em seguida, Jesus mandou o homem para casa e ordenou:— Não volte para o povoado!
Evangelho Segundo São Marcos 8:21-26

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

as mensagens da Epístola e do Evangelho de hoje são uma só. Na Epístola, o Apóstolo nos chama a anunciar a boa nova todo o tempo, porque logo a verdade seria cercada de mentiras e é nosso dever ficarmos ao lado dela, como a Mãe de Jesus, Maria Madalena e o Apóstolo João ao pé da cruz. 

Ao fazermos isso, estaremos repetindo o milagre de Jesus de dar visão ao cego, pois aqueles que não conhece o Evangelho de Jesus Cristo são como cegos no mundo. Reparem que a cura deste cego tem elementos diferentes de outras curas de Jesus. Primeiramente, Cristo retira o cego para fora do povoado de Betsaida. Se lembrarmos bem, Betsaida é um das cidades que Cristo menciona em S. Mateus 11:21 "Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza."

As pessoas eram extremamente incrédulas nessas cidades e nem mesmo milagres as faziam crer. Por isso Cristo retira o cego daquele meio. A pessoa que busca o Evangelho e que deseja ser curada do pecado muitas vezes está cercada de pessoas que são más-companhias e que atrapalham a conquista da fé por parte dessa pessoa. Por isso temos que se possível ajudá-las a se afastar do meio nocivo em que estão. 
Em seguida, diferente de outras curas, nesta primeiro a pessoa vê tudo borrado e apenas depois vê com clareza. Também é assim para a pessoa que está dando os primeiros passos na fé e devemos respeitar o ritmo de cada um. 

Enfim curado, Jesus diz que ele volte para casa, mas não para as más-companhias, representada pelo povoado descrente de Betsaida, pois mesmo tendo recuperado sua visão, ele poderia recair nos pecados de antes. De fato, às vezes queremos lutar contra as tentações mantendo-nos expostos a elas e "resistindo bravamente". Isso é uma receita para a derrota. Devemos evitá-las, até fisicamente se necessário.

Finalmente, olhemos o evento como um todo: Jesus vai até o povoado, pega o cego pela mão, carinhosamente o instrui enquanto cura-o aos poucos e sua fé se fortalece e lhe dá recomendações de como não cair de novo no erro. Nem todos nós temos um momento "Paulo" em que de uma hora para outra nossa vida espiritual muda completamente com uma visão de Jesus. Na verdade a maioria de nós é como o cego de Betsaida, passando por um processo mais gradual de crescimento e fortalecimento na fé, processo esse, todo guiado por Nosso Senhor Jesus Cristo e perante o qual nos cabe apenas sermos obedientes ao Médico Divino que está tratando de nós e em Quem podemos e devemos depositar toda nossa fé.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.15

Jesus cura no Sábado


Sabemos que a lei de Deus é boa, se for usada como se deve. Devemos lembrar, é claro, que as leis são feitas não para as pessoas corretas, mas para os marginais e os criminosos, os ateus e os que praticam o mal e para os que não respeitam a Deus nem a religião. São feitas também para os que matam os seus pais e para outros assassinos. E para os imorais, os homossexuais, os sequestradores, os mentirosos, os que dão falso testemunho e para os que fazem qualquer outra coisa que é contra o verdadeiro ensinamento. Esse ensinamento se encontra no evangelho que Deus me encarregou de anunciar, isto é, na boa notícia que vem do Deus bendito e glorioso.

Agradeço a Cristo Jesus, o nosso Senhor, que me tem dado forças para cumprir a minha missão. Eu lhe agradeço porque ele achou que eu era merecedor e porque me escolheu para servi-lo. Ele fez isso apesar de eu ter dito blasfêmias contra ele no passado e de o ter perseguido e insultado. Mas Deus teve misericórdia de mim, pois eu não tinha fé e por isso não sabia o que estava fazendo. E o nosso Senhor derramou a sua imensa graça sobre mim e me deu a fé e o amor que temos por estarmos unidos com Cristo Jesus. 

O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. 

Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para todos os que, no futuro, vão crer nele e receber a vida eterna. Ao Rei eterno, imortal e invisível, o único Deus — a ele sejam dadas a honra e a glória, para todo o sempre! Amém! 

Timóteo, meu filho, eu entrego essa ordem a você. Ela está de acordo com as palavras da profecia, ditas há muito tempo a respeito de você. Que essas palavras sejam as suas armas para que você possa combater bem! 
I Timóteo 1:8-18

Num sábado, Jesus e os seus discípulos estavam atravessando uma plantação de trigo. Enquanto caminhavam, os discípulos iam colhendo espigas. Então alguns fariseus perguntaram a Jesus:— Por que é que os seus discípulos estão fazendo uma coisa que a nossa Lei proíbe fazer no sábado? Jesus respondeu:— Vocês não leram o que Davi fez, quando ele e os seus companheiros não tinham comida e ficaram com fome? Ele entrou na casa de Deus, na época do Grande Sacerdote Abiatar, comeu os pães oferecidos a Deus e os deu também aos seus companheiros. No entanto, é contra a nossa Lei alguém comer desses pães; somente os sacerdotes têm o direito de fazer isso. E Jesus terminou:— O sábado foi feito para servir as pessoas, e não as pessoas para servirem o sábado. Portanto, o Filho do Homem tem autoridade até mesmo sobre o sábado.

Jesus foi outra vez à sinagoga. Estava ali um homem que tinha uma das mãos aleijada. Estavam também na sinagoga algumas pessoas que queriam acusar Jesus de desobedecer à Lei; por isso ficaram espiando Jesus com atenção para ver se ele ia curar o homem no sábado. Ele disse para o homem:— Venha cá! E perguntou aos outros:— O que é que a nossa Lei diz sobre o sábado? O que é permitido fazer nesse dia: o bem ou o mal? Salvar alguém da morte ou deixar morrer?Ninguém respondeu nada. Então Jesus olhou zangado e triste para eles porque não queriam entender. E disse para o homem:— Estenda a mão!O homem estendeu a mão, e ela sarou.
Evangelho Segundo São Marcos 2:23-3:5
MEDITAÇÂO

Caríssimos,

nas duas leituras de hoje há um mesmo tema: o rigor da lei é para os perversos, mas para os salvos há a graça, mas também fala da humildade.

Reparem que São Paulo enumera diversos pecados apenas para concluir que o resumo da palavra que ele anuncia é que Jesus Cristo veio salvar os pecadores (que ele enunciou antes) dos quais ele mesmo, Paulo, é o pior. O cristão pode condenar o pecado sempre, mas nunca as pessoas que os cometem porque cada um de nós é pecador também, e na verdade, como São Paulo ensina, deveríamos nos ver como o pior dos pecadores, absolutamente dependentes da misericórdia de Jesus Cristo.

Essa misericórdia nós vemos no Evangelho, onde Cristo cura um homem em pleno sábado, dia em quer proibido executar certos tipos de trabalho, e lembra os fariseus de que o próprio rei Davi, passando fome, tinha quebrado o ritual do templo para se alimentar do pão reservado aos sacerdotes. Com isso, Jesus Cristo nos lembra que os ritos da Igreja, e mesmo os ritos da sociedade, existem para servir os homens e nunca o contrário. Processos, procedimentos, regulamentos existem para melhorar nossa vida, mas não devemos fazer deles um fim em si mesmos. Estão a serviço do homem, como o homem deve estar a serviço de Deus.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.12

Jesus, o Bom Pastor


Antigamente vocês mesmos viviam na escuridão; mas, agora que pertencem ao Senhor, vocês estão na luz. Por isso vivam como pessoas que pertencem à luz, pois a luz produz uma grande colheita de todo tipo de bondade, honestidade e verdade. Procurem descobrir quais são as coisas que agradam o Senhor. Não participem das coisas sem valor que os outros fazem, coisas que pertencem à escuridão. Pelo contrário, tragam todas essas coisas para a luz. Pois é vergonhoso até falar sobre o que essas pessoas fazem em segredo. E, quando qualquer coisa é trazida para a luz, então a sua verdadeira natureza é revelada. Porque o que é claramente revelado se torna luz. E é por isso que se diz:

“Você que está dormindo, acorde!
Levante-se da morte,
e Cristo o iluminará.”

Portanto, prestem atenção na sua maneira de viver. Não vivam como os ignorantes, mas como os sábios. Os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm. Não ajam como pessoas sem juízo, mas procurem entender o que o Senhor quer que vocês façam. Não se embriaguem, pois a bebida levará vocês à desgraça; mas encham-se do Espírito de Deus. Animem uns aos outros com salmos, hinos e canções espirituais. Cantem, de todo o coração, hinos e salmos ao Senhor. 
Epístola aos Efésios 5:8-19

Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair e achará comida.
O ladrão só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Um empregado trabalha somente por dinheiro; ele não é pastor, e as ovelhas não são dele. Por isso, quando vê um lobo chegando, ele abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca e espalha as ovelhas. O empregado foge porque trabalha somente por dinheiro e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai, assim também conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem. E estou pronto para morrer por elas.
Tenho outras ovelhas que não estão neste curral. Eu preciso trazer essas também, e elas ouvirão a minha voz. Então elas se tornarão um só rebanho com um só pastor.
Evangelho de São João 10:9-16

MEDITAÇÃO

Caríssimos,
nas leituras de hoje, o Espírito Santo nos chama a atenção para nosso próprio coração. Ele nos convoca a mudarmos nossos hábitos e valores, que como cristãos, já não podem ser iguais aos do mundo. Vivemos em uma época que acha que a diversão e a "felicidade" são os maiores valores que existem. Para pagar nossa diversão e nossa "felicidade" cometemos os piores males. Devemos nos lembrar do mandamento "Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo" e com isso encontraremos a moderação. Reparem que o Apóstolo não diz para não bebermos, mas diz para não nos embriagarmos. Não diz para não cantarmos, mas para cantarmos músicas de louvor. Músicas, imagens, roupas, filmes, livros, revistas e até o ambiente e pessoas que frequentamos influenciam nossos corações e almas. Assim como o alimento material pode nutrir ou envenenar o corpo, o alimento cultural pode nutrir ou envenenar alma.

Mas quem quer que tenha tentado realizar um programa de auto-aperfeiçoamento, mesmo esse descrito por Paulo, logo descobre que, mesmo com nossos melhores e mais intensos esforços, nós fracassamos e acabamos repetindo erros e caindo em pecados que pensávamos já ter superado. Assim é porque queremos nós mesmos curar a nós mesmos, queremos ser senhores de nós, estarmos no controle. E não temos forças para, muitas vezes, sequer dizer não para a preguiça de levantar da cama, quanto mais para resistir às complexas e sutis tentações de ordem ética e moral que o demônio coloca em nosso caminho na vida familiar, social ou no trabalho. É aí que entra o Evangelho do dia. Sozinhos não conseguimos ultrapassar esse muro de pecado e fraqueza, não importa quantas cabeçadas dermos. Mas Jesus Cristo é a porta. Ele pode nos fazer superar esse obstáculo.  As ovelhas são indefesas diante dos lobos e dos ladrões, mas o pastor pode protegê-las. E Jesus é um pastor tão bom que não se limita a cuidar das ovelhas que já estão com Ele, mas chama as desgarradas também. Sigamos com Jesus Cristo, Nosso Deus e Pastor, e toda escuridão ficará para trás.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.11

As pessoas condenaram Deus à morte; com sua Ressurreição, Ele os condenou à imortalidade. Tendo sido agredido, Deus retribuiu com abraços, tendo recebido insultos, deu bençãos, em troca da morte, nos deus a imortalidade.S. Justino Popovich



Aos que têm riquezas neste mundo ordene que não sejam orgulhosos e que não ponham a sua esperança nessas riquezas, pois elas não dão segurança nenhuma. Que eles ponham a sua esperança em Deus, que nos dá todas as coisas em grande quantidade, para o nosso prazer! Mande que façam o bem, que sejam ricos em boas ações, que sejam generosos e estejam prontos para repartir com os outros aquilo que eles têm. Desse modo eles juntarão para si mesmos um tesouro que será uma base firme para o futuro. E assim conseguirão receber a vida, a verdadeira vida. 
Timóteo, guarde bem aquilo que foi entregue aos seus cuidados. Evite os falatórios que ofendem a Deus e as discussões tolas a respeito daquilo que alguns, de modo errado, chamam de “conhecimento”. Algumas pessoas, afirmando que tinham esse “conhecimento”, se desviaram do caminho da fé.
I Timóteo 6:17-21

Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e de cabeça erguida, pois logo vocês serão salvos.
Em seguida Jesus fez esta comparação:— Vejam o exemplo da figueira ou de qualquer outra árvore. Quando vocês veem que as suas folhas começam a brotar, vocês já sabem que está chegando o verão. Assim também, quando virem acontecer aquelas coisas, fiquem sabendo que o Reino de Deus está para chegar. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: essas coisas vão acontecer antes de morrerem todos os que agora estão vivos. O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras ficarão para sempre.
Evangelho Segundo São Lucas 21:28-33


MEDITAÇÃO

Caríssimos,

no Evangelho de hoje, Jesus acabara de profetizar sobre a queda de Jerusalém, a qual ocorreu no ano 70 D.C., cerca de 40 anos após a ressurreição.  Durante o ataque dos romanos à cidade o próprio Templo foi destruído e milhares foram mortos. 

O Evangelho está em harmonia com a Epístola, nos lembrando de como as coisas são frágeis e passageiras. Os indivíduos vêem nas suas riquezas um tipo de segurança, assim como as nações vêem nas suas instituições uma forma de proteção e ambos pensam que tais coisas têm o poder de garantir um futuro e até mesmo uma identidade. Mas tudo isso é frágil e se esvai com mais rapidez do que imaginamos. Hoje temos, amanhã não. Enquanto temos bençãos, seja na forma em que forem, Deus nos chama a compartilhá-las com nossos próximos. 

De fato, toda obra do homem, e o próprio universo, terão um fim um dia. Mas a palavra de Cristo sobreviverá ao próprio fim do universo, pois Ele veio para nos salvar do fim. Ele é a ponte deste mundo caído para um mundo novo cuja recriação se inicia na Igreja e no coração de cada cristão. E também nós, em Cristo e com Cristo, sobreviveremos ao fim deste universo, pois somos seres "condenados" à imortalidade. O universo passará, mas nós não, e por isso mesmo as 7 ou 8 décadas que passamos neste mundo são apenas um prólogo da verdadeira vida sem fim que Jesus Cristo reserveu para nós. É neste mundo e neste curto espaço de tempo, que temos a oportunidade de escolhermos como iremos viver pela eternidade: amando a Jesus Cristo Nosso Deus, nosso próximo, a Verdade, o Belo, o Justo e o Bom, ou com medos, com ódios, com vícios e paixões, afastados da verdadeira vida. Usemos nosso tempo aqui com sabedoria, deixando de lado rancores, mágoas, ódios e mergulhando no grande amor de Cristo.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.10

Precisamos Discernir o Certo do Errado



Não tenha pressa de colocar as mãos sobre alguém para dedicá-lo ao serviço do Senhor. Não tome parte nos pecados dos outros. Conserve-se puro. Já que muitas vezes você tem ficado doente do estômago, não beba somente água, mas beba também um pouco de vinho. Os pecados de algumas pessoas podem ser vistos claramente, antes mesmo de elas serem julgadas. Mas os pecados de outras pessoas só são vistos depois. Assim também as boas ações são vistas claramente e mesmo aquelas que são difíceis de ver não poderão ficar escondidas para sempre.
Aqueles que são escravos devem tratar o seu dono com todo o respeito, para que ninguém fale mal do nome de Deus e dos nossos ensinamentos. E os escravos que têm dono cristão não devem perder o respeito por ele por ser seu irmão na fé. Pelo contrário, devem trabalhar para ele melhor ainda, pois o dono, que recebe os seus serviços, é cristão e irmão amado.
Ensine e recomende estas coisas: Se alguém ensina alguma doutrina diferente e não concorda com as verdadeiras palavras do nosso Senhor Jesus Cristo e com os ensinamentos da nossa religião, essa pessoa está cheia de orgulho e não sabe nada. Discutir e brigar a respeito de palavras é como uma doença nessas pessoas. E daí vêm invejas, brigas, insultos, desconfianças maldosas e discussões sem fim, como costumam fazer as pessoas que perderam o juízo e não têm mais a verdade.
Essa gente pensa que a religião é um meio de enriquecer. É claro que a religião é uma fonte de muita riqueza, mas só para a pessoa que se contenta com o que tem. O que foi que trouxemos para o mundo? Nada! E o que é que vamos levar do mundo? Nada! Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso. Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição. Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos.
Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros. 
I Epístola a Timóteo 5:22-6:11

Algumas pessoas estavam falando de como o Templo era enfeitado com bonitas pedras e com as coisas que tinham sido dadas como ofertas. Então Jesus disse: — Chegará o dia em que tudo isso que vocês estão vendo será destruído. E não ficará uma pedra em cima da outra. Aí eles perguntaram:— Mestre, quando será isso? Que sinal haverá para mostrar quando é que isso vai acontecer? Jesus respondeu:— Tomem cuidado para que ninguém engane vocês. Porque muitos vão aparecer fingindo ser eu, dizendo: “Eu sou o Messias” ou “Já chegou o tempo”. Porém não sigam essa gente. 
E continuou:— Uma nação vai guerrear contra outra, e um país atacará outro. Em vários lugares haverá grandes tremores de terra, falta de alimentos e epidemias. Acontecerão coisas terríveis, e grandes sinais serão vistos no céu. 
Jesus disse ainda:— Quando vocês virem a cidade de Jerusalém cercada por exércitos, fiquem sabendo que logo ela será destruída. Então, os que estiverem na região da Judeia, que fujam para os montes. Quem estiver na cidade, que saia logo. E quem estiver no campo, que não entre na cidade. Porque aqueles dias serão os “Dias do Castigo”, e neles acontecerá tudo o que as Escrituras Sagradas dizem. Ai das mulheres grávidas e das mães que ainda estiverem amamentando naqueles dias! Porque virá sobre a terra uma grande aflição, e cairá sobre esta gente um terrível castigo de Deus. Muitos serão mortos à espada, e outros serão levados como prisioneiros para todos os países do mundo. E os não judeus conquistarão Jerusalém, até que termine o tempo de eles fazerem isso. 
Evangelho Segundo São Lucas 21:5-8, 10-11, 20-24

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

o tema das leituras de hoje é o discernimento. O discernimento para os que já estão no ministério sacerdotal não se apressarem a escolher qualquer um para o altar, o discernimento no trato com o próprio corpo, o discernimento nas relações sociais em não deixar questões sociais se tornarem fonte de ódio ou rancor, o discernimento em não aceitar doutrinas falsas, o discernimento entre a verdadeira religião e as igrejas caça-níqueis - que vemos que não são um problema de nosso país e época, pois já davam trabalho na época dos Apóstolos.

A vacina contra todas essas confusões é como Paulo aconselha: se afaste disso tudo, viva corretamente, dedicando-se a Deus com fé, amor, perseverança e respeito pelas pessoas.


Finalmente, no Evangelho, somos chamados ao discernimento dos sinais tempos, ao discernimento do verdadeiro e único Messias, para que não nos deixemos levar por falsos profetas nem pelo desespero diante dos males do mundo. Em tudo, guardemos a fé, o amor e a esperança.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.09

Patriarca Abraão

 Vocês que querem estar debaixo da lei, me digam uma coisa: vocês não estão ouvindo o que a Lei diz? Ela diz que Abraão teve dois filhos: um, de uma escrava, Agar; e outro, de uma mulher livre, Sara. O filho da escrava foi gerado como todas as crianças são geradas, mas o filho da mulher livre foi gerado por causa da promessa de Deus. Isto serve como um símbolo: as duas mulheres representam as duas alianças. Uma aliança é a do monte Sinai e está representada por Agar. Os que são dessa aliança nascem escravos. Pois Agar representa o monte Sinai, na Arábia, e Agar é o símbolo da Jerusalém atual, que é escrava com todo o seu povo. Mas a Jerusalém celestial é livre e ela é a nossa mãe. Pois as Escrituras Sagradas dizem: “Você, mulher que nunca teve filhos, fique alegre! Você que nunca sentiu dores de parto, grite de alegria! Pois a mulher abandonada terá mais filhos do que a que mora com o marido.”
Epístola aos Gálatas 4:21-27

Jesus continuou:— Ninguém acende uma lamparina e depois a coloca debaixo de um cesto ou de uma cama. Pelo contrário, a lamparina é colocada no lugar próprio para que todos os que entram vejam a luz. Pois tudo o que está escondido será descoberto, e tudo o que está em segredo será conhecido e revelado. Portanto, tomem cuidado e vejam como vocês ouvem. Porque quem tem receberá mais; mas quem não tem, até o que pensa que tem será tirado dele.
A mãe e os irmãos de Jesus vieram até o lugar onde ele estava, mas, por causa da multidão, não conseguiam chegar perto dele. Então alguém disse a Jesus:— A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora e querem falar com o senhor. Mas Jesus disse a todos:— Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a mensagem de Deus e a praticam.
Evangelho de São Lucas 8:16:21

MEDITAÇÃO

Caríssimos,
na leitura de hoje o ensino central está na passagem " Portanto, tomem cuidado e vejam como vocês ouvem. Porque quem tem receberá mais; mas quem não tem, até o que pensa que tem será tirado dele."

Na Epístola, o Apóstolo lembra o caso de Agar e Sara. Pelos costumes da época e da região, os filhos da escrava de Sara, Agar, pertenciam a Sara. Por isso, Saria havia pedido que Abraão tivesse filhos com Agar para assim, indiretamente, dar a ele os filhos que ela mesma nunca gerara. Foi um ato de falta de fé da parte de Abraão e Sara, pois já ambos na terceira idade, Sara tendo sido estéril toda vida, achavam que podiam controlar a promessa de Deus de que Abraão ainda teria filhos. O plano de Deus, porém, era que Abraão e Sara teriam o filho, sendo o pecado cometido por eles completamente desnecessário. 

De toda forma, pela entendimento da cultura da época, Agar, que tivera filhos com Abraão, era "mais mulher" e "mais abençoada" que Sara. Para a cultura da época, em Agar havia fertilidade e vida, em Sara esterilidade e velhice. Com certeza, para a sociedade em geral na época, Agar, como mãe do primogênito do líder da tribo, estava no topo do status social. Mas não era essa toda a história, pois em Sara havia algo maior que juventude e fertilidade: havia a promessa de Deus.

Deus então faz com que Isaac seja gerado de Sara, mesmo com uma vida de esterelidade, mesmo na velhice. Após tal evento, Ele ordena que Agar e seu filho partam, dando também sua promessa que iria prover por eles. Mas eles não faziam parte do plano de Deus para o grande processo de salvação que se iniciava ali. De nada adiantou Abraão, Sara e Agar tentarem forçar a mão de Deus. Agar que tinha muito porque tinha o primogênito de Abraão, o líder da tribo, perdeu tudo. E Sara, que não tinha nada, ganhou tudo. 

No Evangelho, Cristo ordena que coloquemos a lamparina, ou seja, a luz do Evangelho, no mais alto ponto, anunciando-a a todos. Como Sara, talvez não tenhamos nada - dinheiro, estudo, carisma, talentos - mas temos a promessa e ela é poderosa, pois é a promessa de Deus Onipotente e Sempre Fiel. Temos que ser fiéis ao que Cristo ordena, sem tentar forçar Sua mãe, deixando que *Ele* esteja no volante e sem tentar controlar as coisas, para que não sejamos tratados como Agar e mesmo tendo tudo, cheguemos a perder tudo também. O próprio Abraão teve que ser duramente testado posteriormente. Ele que colocara seu desejo de ter filhos acima do amor a Deus, recebeu de Deus a ordem de que sacrificasse seu filho para que crescesse em si o primeiro mandamento: amar a Deus *acima de todas as coisas*. Como Deus é bom, naturalmente não queria o sangue de Isaac, apenas o arrependimento de Abraão.

Se nem os parentes de sangue de Cristo são considerados parentes se não forem fiéis, se não se arrependem, quanto mais nós. Perseveremos na fé e transformemos cada segundo num testemunho sagrado de que somos verdadeiros e dignos discípulos de Cristo.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.08

Cuide das viúvas que não tenham ninguém para ajudá-las.


Não repreenda um homem mais velho, mas o aconselhe como se ele fosse o seu pai.
Trate os homens mais jovens como irmãos, as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza.

Cuide das viúvas que não tenham ninguém para ajudá-las.

Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, são eles que devem primeiro aprender a cumprir os seus deveres religiosos, cuidando da sua própria família. Assim eles pagarão o que receberam dos seus pais e avós, pois Deus gosta disso.
A verdadeira viúva, aquela que não tem ninguém para cuidar dela, põe a sua esperança em Deus e ora, de dia e de noite, pedindo a ajuda dele. Porém a viúva que se entrega ao prazer está morta em vida.
Timóteo, mande que as viúvas façam o que eu aconselho para que ninguém possa culpá-las de nada. Porém aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que os que não creem.

Coloque na lista das viúvas somente a que tiver mais de sessenta anos e que tiver casado uma vez só. Ela deve ser conhecida como uma mulher que sempre praticou boas ações, criou bem os filhos, hospedou pessoas na sua casa, prestou serviços humildes aos que pertencem ao povo de Deus, ajudou os necessitados, enfim, fez todo tipo de coisas boas.

1a Epístola a Timóteo 5:1-10




Alguns saduceus, os quais afirmam que ninguém ressuscita, chegaram perto de Jesus e disseram:— Mestre, Moisés escreveu para nós a seguinte lei: “Se um homem morrer e deixar a esposa sem filhos, o irmão dele deve casar com a viúva, para terem filhos, que serão considerados filhos do irmão que morreu.” Acontece que havia sete irmãos. O mais velho casou e morreu sem deixar filhos. Então o segundo casou com a viúva, e depois, o terceiro. E assim a mesma coisa aconteceu com os sete irmãos, isto é, todos morreram sem deixar filhos. Depois a mulher também morreu. Portanto, no dia da ressurreição, de qual dos sete a mulher vai ser esposa? Pois todos eles casaram com ela! Jesus respondeu:— Nesta vida os homens e as mulheres casam. Mas as pessoas que merecem alcançar a ressurreição e a vida futura não vão casar lá, pois serão como os anjos e não poderão morrer. Serão filhos de Deus porque ressuscitaram. E Moisés mostra claramente que os mortos serão ressuscitados. Quando fala do espinheiro que estava em fogo, ele escreve que o Senhor é “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.” Isso mostra que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, pois para ele todos estão vivos. Aí alguns mestres da Lei disseram:— Boa resposta, Mestre! E não tinham coragem de lhe fazer mais perguntas.
Em seguida Jesus perguntou a eles:— Como se pode dizer que o Messias é descendente de Davi? Pois o próprio Davi diz assim no livro de Salmos:
“O Senhor Deus disse ao meu Senhor:
‘Sente-se do meu lado direito,
até que eu ponha os seus inimigos
como estrado debaixo dos seus pés.’ ”
Se Davi chama o Messias de Senhor, como é que o Messias pode ser descendente de Davi?

Evangelho de São Lucas 20:27-44




MEDITAÇÃO

Caríssimos,

na Epístola de hoje encontramos as instruções de Paulo sobre como Timóteo, ordenado líder de sua comunidade, deveria tratar as pessoas.Primeiramente, Paulo ensina que a liderança de Timóteo não é uma licença para destratar as pessoas, nem para não reconhecer outros tipos de autoridade que existem na comunidade. Se por um lado Timóteo é o líder, a autoridade dos anciãos e anciãs deve ser respeitada, e mesmo os mais jovens devem ser respeitados como irmãos. O Espírito Santo não abole de forma nenhuma os papéis de hierarquia, mas humaniza-os. 

Em segundo lugar temos um ensinamento difícil para nosso tempo. Embora tenha acabado de aconselhar o respeito e o bom trato com todos nas relações pessoais, no que tange à prática da caridade formal, isto é, o que hoje chamaríamos de "assistência social", Paulo aconselha que se ajude sim as viúvas, mas nem todas. Como sabemos, mulheres tendem a viver mais que homens e uma senhora sozinha que tenha atingido a idade em que não mais pode cuidar de si, se não tiver filhos e netos que a acompanhem, pode passar por grandes sofrimentos. 

Paulo especifica que o trabalho de assistência da Igreja era exclusivamente para as viúvas que não tinham quem cuidasse delas. Se tinham família e filhos, é dever deles cuidar de seus pais. Outra viúva que devia ser excluída da assistência era aquela que não fazia bom uso da caridade que recebia. A que revertia o dinheiro e alimento recebidos para "festar", desperdiçava recursos limitados e preciosos. Paulo também exclui as viúvas com menos de 60 anos, pois é razoável supor que ainda tinham forças para cuidar de si. Exclui também as viúvas que tenham casado mais de uma vez e que não tivessem um histórico de boa conduata moral, ou seja, Paulo *julgava* e ensinava a *julgar* as pessoas pelo seu caráter - e mais ainda, ensinava que a caridade era para ser dada a quem merece e precisa e não a todos. Não basta merecer, não basta precisar. Tem que ser os dois.

Vivemos em uma época que nos diz para não julgarmos ninguém e para sermons "bons" com todos. Tal ensinamento porém, é do mundo e não bíblico. Certamente não devemos nos colocar no papel de Deus e fingirmos que podemos decidir ou conhecemos o destino final da alma de cada um. Mas são inúmeros os ensinamentos para termos discernimento, para não jogarmos pérolas ao porcos e para sermos meritocráticos sempre, sem atender a chantagem do coitadismo e do inclusivismo universal. Até para fazermos o bem, nosso tempo, energia, forças e recursos são limitados e devemos "investi-los" nas pessoas que multiplicarão os dons que receberão.

Já no Evangelho, o tema das viúvas sai do estritamente terreno para apresentar uma revelação sobre o mundo que há de vir após a Segunda Vinda de Nosso Senhor. Ali temos o exemplo de uma mulher que casou-se sete vezes e os fariseus perguntam quem seria o marido dela após a ressurreição. O Salvador explica então que as pessoas não estarão amarradas por contratos sociais e papéis sociais porque viverão como anjos. Apenas o amor permanecerá.

Vemos que depois de responder aos fariseus, Jesus "engata" uma pergunta enigmática. Ele relembra os fariseus que o próprio rei Davi chama o Messias de Senhor. Mas as profecias diziam que o Messias seria descedente de Davi. Naquela cultura, isso significa que o Messias seria filho de Davi, e o Messias é que deveria chamar Davi de Senhor, pois Davi era seu pai e ancestral. Como então o pai, Davi, chama seu filho, o Messias, de Senhor?

A resposta que hoje sabemos é que esse filho de Davi era não um simples Messias humano, redentor de um problema político, mas o próprio Deus a Quem Davi adorava. Assim como no caso da viúva de sete maridos, até a relação de pai e filho, rei e súdito, vai acabar no mundo que há de vir *se não for fundamentada na única coisa eterna: o amor*. Nessa era futura, o novo tempo após o fim do tempo, tudo que não for amor e verdade passará, e por isso mesmo devemos nos esforçar para permanecermos em Cristo, Ele mesmo, Amor, Verdade, Vida e Caminho.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Dia de Santa Bárbara




Chris Vlahonasios

De acordo com a tradição grega, no dia de Santa Bárbara são preparados loukamades (um tipo de bolinho de chuva grego). Nos quartéis, ele é oferecido aos soldados e visitantes porque supostamente parecem balas de canhão.

Santa Bárbara também é padroeira da cidade grega de Drama e da Trácia, onde é costume que em seu dia seja feito um doce chamado Varvara, que é um tipo de koliva mais líquido e preparado na véspera do seu dia. É servido aos vizinhos para garantir o bem estar das crianças da casa.

Loukoumades



250g de farinha de trigo
¼ colher de chá de sal
3 colheres de chá de fermento em pó
250ml de água morna
Óleo vegetal

Calda
1 xícara de chá de açúcar
½ xícara de chá de mel
½ xícara de chá de água

Preparando a Massa

Peneire a farinha em uma tigela grande, adicione o sal, e misture o fermento em pó na farinha.
Tome a água morna (água quente estraga o fermento), lentamente adicionando-a à farinha, misturando com uma batedeira até adicionar toda a água em uma mistura lisa e levemente espumante - não bata por muito tempo!
Cubra com um pano de prato limpo e deixe-o em um lugar quente por cerca de 1 hora ou até dobrar de tamanho e adquira aparência espumosa.

Preparando a Calda
Quando a massa estiver quase pronta, primeiro faça a calda, adicionando todos os ingredientes em uma panela pequena, levar à fervura, e fogo brando por cerca de 5 minutos ou até engrossar levemente. Mantenha quente para servir com os bolinhos.

Fritando a Massa
Para fritar os bolinhos, você pode usar uma frigideira ou uma panela de profundidade. Encha com óleo vegetal e até ficar muito quente, mas não a ponto de sair fumaça.
Tome uma colher de chá, mergulhando-a em água primeiro para evitar que a mistura grude. Em seguida, tome uma colher de chá de mistura e verta-a no óleo quente. Cozinhe de 6 a 8 bolinhos de cada vez, dependendo do tamanho da sua fritadeira.
O Loukoumades vai inchar e subir à superfície do óleo muito rapidamente. Vire-os para dourarem, retire-os com uma escumadeira e coloque sobre uma folha de papel absorvente. Repetir com o resto da mistura.

Sobre os Loukoumades quentes verta a calda de mel e polvilhe com canela.

Varvara
500 g de trigo descascado
2 xícaras de açúcar
1 xícara de passas
10 figos secos
Ameixas sem caroço
Tâmaras
200g de nozes cortada em pedaços grandes
Canela
Sementes de romã
1 frasco de tahine

Instruções
1. Lave e  deixe de molho da noite para o dia.  Então ferva o trigo na panela de pressão por 20 minutos.

2. Use uma colher de peneira para removê-lo, e depois leve ao processador de alimentos.

3. Coloque-o de volta na panela. Adicione as passas e continuar a ferver em fogo baixo. Pique figos e adicione-os à panela.

4. Deixe ferver por um tempo, mexendo sempre para que engrosse. Quando no ponto, adicione o açúcar e mexa.

5. Quando açúcar derreter, retire do fogo e adicione o tahine. Misture muito bem e coloque em pequenas tigelas.

6. Em cada tigela, polvilhe com 1 colher de sopa de nozes, canela, e decore com tâmaras, ameixas e sementes de romã.

Fonte: http://myocn.net/december-4-saint-barbara-greece/

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Constantinopla: Uma Cidade Natural?

Em uma época que enfatiza a urbanização sustentável e crescimento verde em cidades ao redor do globo, faz sentido olhar para o passado para vermos se os seres humanos alguma vez realmente tentaram, e ainda mais, se construíram, uma cidade “natural”, uma na qual o humano e o natural estivessem conectados de forma que ambos florescessem. Ao que parece, novas pesquisas sugerem que Constantinopla pode ter sido essa cidade, pelo menos nas aspirações de seus habitantes.
Um mural medieval no Museu Arqueológico de Istambul, retratando as muralhas litorâneas da capital bizantina. Wikimedia 
Desde a antiguidade, os gregos acreditavam que os seres humanos poderiam alcançar seu potencial pleno apenas no contexto de uma cidade, e talvez nenhuma cidade construída por gregos tenha refletido seu ideal da polis como o elemento crucial da paideia (a formação ou educação do cidadão) do que Constantinopla. O coração e alma do Império Bizantino, Constantinopla era o nexo entre o Oriente e o Ocidente, Império e Igreja, céu e terra, homem e natureza, o velho e o novo. Mesmo depois que os turcos muçulmanos conquistaram a cidade em 1453 e até o presente, Constantinopla, agora chamada de Istambul, tem sido uma ponte entre dois mundos, seja a Europa e a Ásia, o mundo islâmico e o Ocidente, o moderno e o tradicional. Embora a capital bizantina tenha deixado de existir há mais de cinco séculos, o legado e espírito de Bizâncio continuaram e podem mesmo conter lições importantes para habitantes de cidades de nossos dias.

Em A Noética da Natureza: Filosofia Ambiental e Beleza Sacra do Visível, Bruce Foltz pergunta se Constantinopla era de fato essa “cidade natural”. Foltz, professor de filosofia no Eckerd College, examina não apenas o ambiente construído e as estruturas cívicas criadas pelos bizantinos, mas também os sistemas culturais e filosóficos mais profundos que formavam sua visão do que uma cidade deveria ser. 

Constantinopla, destaca o professor, foi criada como uma “cidade sagrada” que celebrava as conexões entre os reinos divino, humano e natural como um todo integrado. Foltz diz que para os cristãos bizantinos,

A queda é uma desordem de todo o cosmos... e a redenção... uma restauração tanto da humanidade como da natureza....levando-os de volta ao seu estado paradisíaco...a humanidade (deve ser)...a criatura através da qual a imagem divina dentro de toda a criação se torna completamente realizada, o ponto nodal através do qual a criação apreende e consagra sua própria divindade interior.
Para os fiéis ortodoxos, existe uma conexão íntima entre o homem e a natureza, expressos não apenas no nível individual e comunitário, mas também na própria cidade imperial. Constantinopla, a cidade de ouro, resplandecia como um farol e paradigma para todos os que viviam no Império Bizantino e além.
Foto comteporânea da Santa Sabedoria. Wikimedia
O ponto focal de Constantinopla era Hagia Sophia, a Igreja da Divina Sabedoria, considerada por muitos como uma das grandes maravilhas do mundo por sua escala, complexidade e beleza. A função desta maravilha arquitetônica era simbolizar a compreensão bizantina das relações entre Deus, o homem e a natureza, e de revelar seu encontro no tempo e no espaço. Foltz a descreve assim;

A Sabedoria Divina é o Logos eterno, visto enquanto forma o cosmos e o mantém íntegro. É assim também o logos interior de cada ser que, quando plenamente realizado, une-se ao todo em um amor que deve ser compreendido ontologicamente. A Grande Igreja da Divina Sabedoria, portanto, serve para unir todos os elementos do cosmos em uma forma transfigurada, manifestando a luz interior de sua beleza divina.
Anastasis ou Ressurreição de Cristo, ícone da capela funerária da Igreja de Chora, um exemplo formidável de arquitetura e iconografia bizantina em Istambul. Wikimedia 
Quando os cidadãos de Constantinopla reuniam-se para adorer, eles entravam em um espaço desenhado para reunir o céu e a terra, e oravam “por todos (os seres vivos) e para todos”. Suas liturgias eram não apenas para edificação espiritual de indivíduos na congregação mas também pela renovação de uma visão da ordem natural, de todo o cosmo, como algo sagrado, um dom de Deus concedido à humanidade para ser valorizado e protegido. Era um encontro tanto do tempo presente quanto do futuro Reino de Deus, no qual os seres humanos e todo o mundo natural alcançam o seu potencial completo na imagem do divino. 

A adoração bizantina, através de sua música mística e elaborado simbolismo, também retratava a cidade como a Jerusalém Celestial, a qual a cidade terrena de Constantinopla deveria emular e a qual os regentes bizantinos e todos os cidadãos deveriam buscar alcançar. A crença era que uma Constantinopla, forte, vibrante e, na medida do possível neste mundo caído, “santa”, poderia ligar seres humanos e natureza, as diversas nações e o Céu e a Terra.

As ramificações práticas desse ideal desdobram-se de inúmeras formas. Por exemplo, os historiadores Stephen Barthel e Christian Isendahl demonstraram que os jardins urbanos de Constantinopla, sua agricultura e sistemas de gestão de águas eram mais eficientes que os de muitas cidades modernas, principalmente por causa “das conexões próximas entre pessoas urbanas e seus sistemas de suporte a vida”, um conceito que, segundo eles, deveria ser recuperado entre cidadãos urbanos de hoje em dia.

Existem múltiplas razões pelas quais este grande experiment chegou ao seu fim, como Steve Runciman e Donald Nicol descreveram tão bem em seus trabalhos já clássicos no assunto. O modelo constantinopolitano de cidade também seria difícil de vender no mundo de hoje, particularmente no Ocidente secularizado onde o conceito bizantino de sinfonia, um sistema no qual líderes religiosos e políticos trabalham juntos para prover as necessidades e materiais do povo – é rejeitado a priori. Ainda assim, na medida em que pode servir como um modelo de uma cidade natural, Constantinopla ainda hoje permanece como uma paradigma útil para todos nós. Foltz pode estar certo quando conclui que:

Apesar de tudo, Bizâncio pode ser para nós no Ocidente, herdeiros de Atenas e Jerusalém, a ponte exemplar entre o secular e o sagrado, o temporal e o eterno, entre o visível e o invisível: a cidade natural que foi e será.

A verdadeira lição dos Bizantinos, tão crucial para nós hoje em dia, é o seu entendimento da conexão entre a humanidade e a natureza. Nós podemos aprender de Constantinopla que o mundo a nossa volta é composto de coisas vivas e não apenas de matéria morta para tomarmos e explorarmos para fazermos produtos que então expomos em uma elusiva busca por sentido e felicidade.

Andrew Sharp é Acadêmico Pesquisador do Instituto para Estudos Avançados da Cultura na Universidade da Virgínia, onde trabalha como Gerente do Projeto Cidades Vicejantes e como Professor Assistente Afiliado de Estudos Religiosos na Universidade da Comunidade da Virgínia. Suas publicações são nas áreas de Cristianismo Ortodoxo, Islã e relações Muçulmanas-Cristãs. Publicou o livro “Cristãos Ortodoxos e Islã na Era Pós-Moderna” (Brill, 2012)

Original: http://pemptousia.com/2014/11/was-there-ever-a-truly-natural-city-the-byzantines-thought-so/

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Carta a um Amigo Católico Romano

De Roma para Constantinopla


Esta carta foi publicada originalmente no boletim de uma paróquia ortodoxa na Itália. Seu autor é o Arcipreste Gregório Cognetti, Reitor das paróquias italianas do Patriarcado de Moscou. Acho interessante para o público brasileiro porque os dilemas enfrentados pelo Pe. Gregório e seu amigo Bill nas relações entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Católica Ortodoxa são muitos semelhantes aos nossos, como ortodoxos em terras romanas. 

Chapel Hill (U.S.), Março de 1982

Caro Bill,

Mesmo que você nunca tenha perguntado diretamente, sinto pelas suas palavras que você ainda não entende porque deixei a Igreja Romana para me tornar Ortodoxo. Parece que você diz "Mas você era de uma paróquia de rito bizantino das menos latinizadas! Por que fez isso?". 

Acho que te devo uma explicação, já que, há muito tempo atrás, quando erámos membros da igreja Latina, compartilhávamos os mesmos sentimentos. Esses sentimentos nos levaram a uma paróquia de rito bizantino, e a mim mesmo até a Ortodoxia. Você não poderia ter esquecido as críticas que tínhamos sobre os romanos: a contínua inserção de novas tradições no lugar das antigas, o escolasticismo, a abordagem legalística da vida espiritual, o dogma da infalibilidade papal. Ao mesmo tempo reconhecíamos a legitimidade e correção da Igreja Ortodoxa. Uma paróquia uniata parecia a solução ideal. Eu lembro que na época eu dizia: "se eu penso como ortodoxo, acredito como ortodoxo, então eu sou ortodoxo". Entrar oficialmente na Igreja Ortodoxa me parecia apenas uma formalidade inútil. Eu até mesmo pensava que permanecer em comunhão com a Igreja Romana poderia ter um lado positivo, em vista da possível reunificação das Igrejas. 

Bem, Bill, eu estava errado. Eu achava que eu conhecia a Fé Ortodoxa, mas sabia muito pouco e bem superficialmente aliás. Tanto era assim que eu não entendia a contradição intrínseca entre me sentir ortodoxo e não ser reconhecido como tal pela própria Igreja cuja fé eu afirmava compartilhar. Apenas um não-ortodoxo poderia conceber tal absurdidade como ser ortodoxo fora da Ortodoxia. A salvação individual não diz respeito apenas a uma pessoa em particular, como muitos ocidentais crêem, mas deve ser compreendida no quadro mais amplo de toda a comunhão da Igreja. 

Cada cristão ortodoxo é como uma folha: como pode receber a seiva vivificante se não estiver ligado à vinha? (João 15:5) 

A Ortodoxia é um modo de vida, e não um rito. A beleza do rito deriva da realidade interna da fé ortodoxa, e não de uma busca por formas. A Divina Liturgia não é uma forma mais pitoresca de rezar a Missa: ela se origina e se fortalece de uma realidade teológica que se torna vazia e inconsistente se realizada fora da Ortodoxia. 

Quando o espírito da Fé Ortodoxa está presente, até o mais pobre ofício, feito em um barraco, com dois ícones de papéis em cima de cadeiras para servirem de iconostase, e um grupo de fiéis desafinados como coro, até este ofício é incomparavelmente maior que os ofícios da minha antiga paróquia uniata, feitos entre mosaicos bizantinos magníficos do século 12, e um coral bem treinado (quando estavam lá). A observância quase paranóica das formas rituais é uma tentativa inútil de compensar pela falta de um verdadeiro ethos Ortodoxo. Eu estava me iludindo quando achava que poderia ser Ortodoxo na comunhão romana. Era uma ilusão porque tal coisa é impossível. 

A contínua interferência de Roma na vida eclesiástica te lembra, em seu devido tempo, quem é que manda. Fingir ignorar isso é auto-ilusão. Eu tentei evitar o problema, fingindo ser surdo e mudo, e repetindo para mim mesmo que eu pertencia a ideal "igreja não-dividida". Minha posição era bem pecaminosa. Primeiro de tudo, porque a Igreja não-dividida ainda existe: é a Igreja que nunca rompeu com Seu passado, que é sempre idêntica a Si mesma: em outras palavras, a Igreja Ortodoxa. 

Então, aquele sentimento de ser membro da Igreja Não-Dividida, que eu considerava tão cristão e pacificador, era na verdade um grave pecado de orgulho. Eu estava praticamente me colocando acima de Patriarcas e Papas. Eu acreditava que eu era um dos poucos que realmente tinham entendido a Verdade, acima de polêmicas velhas e estéreis. 

Eu achava que eu tinha o direito de comungar tanto na Igreja Romana como na Ortodoxa, e eu me sentia injustiçado quando a Igreja Ortodoxa me negava a comunhão. Eu tenho um grande débito de gratidão com o padre que, naquele tempo, se recusou a me dar a comunhão. Ao invés de desviar do assunto com delicadeza falando de impedimentos canônicos, como se a questão fosse meramente um problema burocrático, ele disse na minha cara: "se é verdade que você se considera ortodoxo, por que é que você continua membro de uma heresia?" 

Eu fiquei profundamente chocado com tais palavras, e por um longo tempo eu não voltei naquela igreja. Mas ele estava certo. Eu achava que tinha entendido o que Santos, Pais, Bispos e Padres não tinham entendido por séculos. 

De acordo comigo mesmo, o cisma entre o Oriente e o Ocidente era um trágico mal-entendido baseado meramente em problemas políticos e nas ponderações de teólogos. E ao dizer isso eu indiretamente acusava muitas pessoas santas de maquinações, superficialidade e malícia. E eu achava que pensar tudo isso era caridade cristã. 

Não, Bill, é impossível ser Católico Romano e Ortodoxo ao mesmo tempo. 

O rito não é o mais importante. Afinal, os Latinos tiveram um rito ortodoxo ocidental por muitos séculos. Eu concordo com você que, depois da separação, os romanos e os ortodoxos ainda preservaram muita coisa em comum, mas isso não é suficiente para considerá-los como partes da mesma igreja. Além das bem-conhecidas diferenças doutrinais têm as diferentes abordagens do sobrenatural, a própria vida da Igreja que torna impossível viver duas realidades religiosas diferentes ao mesmo tempo. 

Dizemos no Credo: Creio na Igreja *UNA*, Santa, Católica e Apostólica". Até que a unidade de fé ocorra, elas serão duas igrejas diferentes. 

A teoria, também afirmada por João Paulo II, de que os romanos e os ortodoxos ainda são uma só igreja (a despeito do cisma e de um modo misterioso) soa bonito, mas não se sustenta. São apenas isso: palavras bonitas. As diferenças de fé, por outro lado, existem e não são mero jogo de palavras. 

Sim, eu sei que o diálogo teológico já existe, e que talvez seja até possível (tudo é possível ao Senhor) que a unidade acabe sendo alcançada. Mas tome cuidado! Muitos romanos de bem acreditam que as diferenças podem ser resolvidas através de afirmações astutamente ambíguas que, por serem genéricas, podem soar aceitáveis para ambas as partes. Uma vez que se obtivesse um acordo sobre tais afirmações, cada um poderia interpretá-las de acordo com sua própria compreensão, na prática mantendo suas opiniões. Pior ainda, alguns propõem uma "unidade na diversidade" sem um compromisso formal de fé por nenhum dos lados, mas sob a coordenação universal do Papa de Roma. 

Bem, tudo isso é impossível. Os Pais nos ensinam que a concordância com a fé comum deve ser direta e sem ambiguidades. 

A Ortodoxia segue o espírito da Lei, ao invés da letra. E como é impossível para a Igreja Ortodoxa introduzir novas doutrinas, cabe aos romanos abandonarem um milênio de inovações, e sem reservas, retornarem à fé da Igreja Católica e Apostólica. 

Está é a única plataforma possível de acordo. 

A história já mostrou a falácia de uniões baseadas em outros termos. E agora me deixe te fazer uma pergunta trivial: Bill, o Papa é infalível (de moto próprio e não por virtude do consenso da Igreja, como especificado no dogma de 1870) ou não? Ele não pode ser falível e infalível ao mesmo tempo, como aconteceria se duas igrejas fossem ainda parte da mesma Igreja. Um dos dois tem que estar errado. 

Talvez você responda: "Mas o Vaticano II permitiu uma grande liberdade de opiniões..." Mas isso é um sofisma. A verdadeira Igreja não pode cair em erro. Se você acredita que a sua Igreja errou, o que Ela está de fato cometendo erros, então você nega que Ela seja a verdadeira Igreja. 

Abraço-te com imutável amizade e amor em Cristo, 

Gregório 

(PS. Bill se converteu à Igreja Católica Ortodoxa pouco depois de receber essa carta, tornando-se leitor em uma igreja da Flórida)