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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O Diálogo Ecumênico do Século 21: Uma Pista de Obstáculos?



Caríssimos,


É comum ouvirmos no Brasil que já foram feitos certos documentos e acordos de união entre as igrejas católicas Ortodoxa e Romana, que existiriam documentos permitindo ortodoxos frequentarem e mesmo comungarem na Igreja Romana, em suma, que seriam basicamente a mesma igreja e que a união seria um fato quase consumado.

Tais informações são rigorosamente falsas.

Confirmaremos isso na exposição do Protopresbítero Pe. Georgio Tsetsis, representante do Patriarcado Ecumênico no Conselho Mundial de Igrejas e veterano de diálogos ecumênicos.


Sobre todos acordos, documentos e declarações conjuntas já realizados, afirma o Protopresbítero:



A agenda das conversas bilaterais é muito cheia. Ela cobre uma gama de questões teológicas, eclesiológicas e pastorais, relacionadas, por exemplo, com fé e dogma, as fontes da revelação divina, tradição apostólica, cristologia, a natureza da missão da Igreja, a unidade da Igreja, os sacramentos, a autoridade da Igreja, a vocação de São Pedro, o testemunho do Cristianismo no mundo moderno e até questões pastorais sobre casamentos inter-religiosos.


Nessa altura, dada a confusão que reina sobre os objetivos dos diálogos e a natureza dos "Documentos Conjuntos" que são escritos nesses encontros, pode ser útil sublinhar uma coisa: que esses diálogos não são "concílios de unidade", e que os textos que publicam não possuem natureza de "acordos", muito menos de "uma confissão comum de fé", como muitos acreditam e persistentemente repetem. 


Como o Pe. Theodoros Zisis muito competentemente afirmou na 3a. Conferência Pré-Conciliar, quando ainda era um professor leigo, 
"qualquer um que estude as atas dos Sínodos Ecumênicos perceberá que antes de os pais do sínodo chegarem no ponto de formularem os termos, houve um longo período durante o qual os problemas foram esmiuçados e analisados , posicionamentos e estudos foram investigados e então, com base em tal preparo, o sínodo define a formulação dos termos." 
(...)

Devemos enfatizar quantas vezes forem necessárias que esses encontros são de natureza exploratória e que os textos preparados neles não são mais que "textos de trabalho" enviados por aqueles que os escreveram para as Igrejas que representam para avaliação e comentário. E naturalmente em ad referendum para o Grande e Santo Sínodo. São meramente textos de apoio na estrada para a unidade cristã, textos que as igrejas têm a liberdade de rejeitar, como já foi demonstrado na prática.

(...)

A questão óbvia que surge quanto a esse ponto é se, e até que ponto, os bispos, padres, professores e teólogos que tomam parte nesses diálogos realmente representam a "linha" oficial de suas respectivas igrejas e até onde o que expressam é meramente suas próprias ideias teológicas pessoais, e com as quais será impossível que as igrejas que os escolheram como representantes se identifiquem. A solução desse problema ajudará muito na prevenção de mal-entendidos quanto a natureza das conversas e do papel que os delegados das igrejas têm nelas.

(...)

O que nossas contrapartes devem cuidadosamente evitar em conversas entre eles, é expressar pontos de vista diametralmente opostos aos que formulam quando conversam com os Ortodoxos. O diálogo ecumênico deve, acima de tudo, ser um "diálogo em verdade". Pelo menos, esse é o sentido que foi entendido pelos Ortodoxos quando, cerca de 35 anos atrás, através de uma decisão Pan-Ortodoxa, inauguramos conversas com várias igrejas heterodoxas, tendo como objetivo uma estrada comum de cristãos em direção a união.


Mas quando nessas conversas, posições contraditórias são expressas por questões de "cortesia ecumênica" ou meramente para que em dado momento haja alguma empatia com a tradição teológica do interlocutor, então não apenas a verdade não foi manifestada, mas também não há promoção da jornada comum pela unidade cristã, que é precisamente o principal objetivo das conversas em primeiro lugar.



Fontes:


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Patriarca Bartolomeu em Lyon

Em 2009, Sua Santidade, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, na 13a. Conferência das Igrejas Européias, em Lyon, França, fez este belo pronunciamento:

Viemos a Lyon, de Constantinopla, do Fanarion, que é o domicílio paternal de todos nós – nosso lar! E trazemos o amor, as intenções e bênçãos da Igreja Mãe! Viemos para ver seus rostos alegres e rejubilarmo-nos em sua diligência. 

Temos certeza de que, sob o vigilante cuidado pastoral de seu bom pastor, amado irmão e nosso co-celebrante, Sua Eminência Metropolita da França, Emmanuel, assim como seus piedosos padres de tempos em tempos, têm lutado para preservar a menina de seus olhos, a herança de seus pais, isto é, a Fé Cristã Ortodoxa, graças, por um lado, aos santos mártires de Lyon que sacrificaram sua vida e sangue, junto com milhões de outros naturalmente, por todo mundo, desde a antiguidade até nossos tempos, e por outro graças à grande civilização, língua e tradição cultural helênica que, de uma forma ou outra, corporificam os fundamentos da civilização europeia contemporânea. 

A presença de representantes de outras Igrejas Ortodoxas na Divina Liturgia de hoje sublinha precisamente esta verdade: de que nós ortodoxos somos todos um só lar, uma só alma, um só coração, uma só voz – a despeito das descendências nacionais e linguísticas ou das diferenças culturais! Esse, infelizmente, não é o caso com todos os que confessam a fé em Cristo no geral. 

Como não possuímos um ensino dogmático e uma confissão em comum com eles, não podemos ter uma Eucaristia em comum, nem um Cálice em comum – o que nos entristece profundamente, mas Cristo entristece-se ainda mais – Ele que disse que deseja que todos sejam um, como Ele é um com o Pai e o Espírito Santo. 

Obedecemos a um dever de amor, conversando honestamente e responsavelmente com aqueles que não pertencem ao seio da Igreja Ortodoxa e portanto deixamos o Espírito Santo agir como Ele achar que deve. É nosso dever não nos isolarmos egoisticamente dentro de nossa autossuficiência, assim colocando a nós mesmos em risco junto com aqueles que “retêm a verdade na injustiça”, porque o tesouro da Verdade, que herdamos, potencialmente pertence a todos e quantos mais tornarem-se seus comunicantes, mais irá aumentar o Corpo de Cristo e maiores serão nossas recompensas no Senhor! 

Na crise multi-facetada de nossos dias, que é moral, social, ambiental, financeira e, principalmente, espiritual, nós cristãos não temos espaço para o desespero! Cristo, Seu Evangelho, Sua Igreja, são imaculados e são nossa esperança certa! E devemos abrir o peito para essa esperança: não apenas europeus, mas todos os povos da terra! Roguem, meus irmãos e filhos em Cristo, que o Espírito Santo possa guiar todas as pessoas para a luz dessa esperança!

Fontes: