quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.11

As pessoas condenaram Deus à morte; com sua Ressurreição, Ele os condenou à imortalidade. Tendo sido agredido, Deus retribuiu com abraços, tendo recebido insultos, deu bençãos, em troca da morte, nos deus a imortalidade.S. Justino Popovich



Aos que têm riquezas neste mundo ordene que não sejam orgulhosos e que não ponham a sua esperança nessas riquezas, pois elas não dão segurança nenhuma. Que eles ponham a sua esperança em Deus, que nos dá todas as coisas em grande quantidade, para o nosso prazer! Mande que façam o bem, que sejam ricos em boas ações, que sejam generosos e estejam prontos para repartir com os outros aquilo que eles têm. Desse modo eles juntarão para si mesmos um tesouro que será uma base firme para o futuro. E assim conseguirão receber a vida, a verdadeira vida. 
Timóteo, guarde bem aquilo que foi entregue aos seus cuidados. Evite os falatórios que ofendem a Deus e as discussões tolas a respeito daquilo que alguns, de modo errado, chamam de “conhecimento”. Algumas pessoas, afirmando que tinham esse “conhecimento”, se desviaram do caminho da fé.
I Timóteo 6:17-21

Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e de cabeça erguida, pois logo vocês serão salvos.
Em seguida Jesus fez esta comparação:— Vejam o exemplo da figueira ou de qualquer outra árvore. Quando vocês veem que as suas folhas começam a brotar, vocês já sabem que está chegando o verão. Assim também, quando virem acontecer aquelas coisas, fiquem sabendo que o Reino de Deus está para chegar. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: essas coisas vão acontecer antes de morrerem todos os que agora estão vivos. O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras ficarão para sempre.
Evangelho Segundo São Lucas 21:28-33


MEDITAÇÃO

Caríssimos,

no Evangelho de hoje, Jesus acabara de profetizar sobre a queda de Jerusalém, a qual ocorreu no ano 70 D.C., cerca de 40 anos após a ressurreição.  Durante o ataque dos romanos à cidade o próprio Templo foi destruído e milhares foram mortos. 

O Evangelho está em harmonia com a Epístola, nos lembrando de como as coisas são frágeis e passageiras. Os indivíduos vêem nas suas riquezas um tipo de segurança, assim como as nações vêem nas suas instituições uma forma de proteção e ambos pensam que tais coisas têm o poder de garantir um futuro e até mesmo uma identidade. Mas tudo isso é frágil e se esvai com mais rapidez do que imaginamos. Hoje temos, amanhã não. Enquanto temos bençãos, seja na forma em que forem, Deus nos chama a compartilhá-las com nossos próximos. 

De fato, toda obra do homem, e o próprio universo, terão um fim um dia. Mas a palavra de Cristo sobreviverá ao próprio fim do universo, pois Ele veio para nos salvar do fim. Ele é a ponte deste mundo caído para um mundo novo cuja recriação se inicia na Igreja e no coração de cada cristão. E também nós, em Cristo e com Cristo, sobreviveremos ao fim deste universo, pois somos seres "condenados" à imortalidade. O universo passará, mas nós não, e por isso mesmo as 7 ou 8 décadas que passamos neste mundo são apenas um prólogo da verdadeira vida sem fim que Jesus Cristo reserveu para nós. É neste mundo e neste curto espaço de tempo, que temos a oportunidade de escolhermos como iremos viver pela eternidade: amando a Jesus Cristo Nosso Deus, nosso próximo, a Verdade, o Belo, o Justo e o Bom, ou com medos, com ódios, com vícios e paixões, afastados da verdadeira vida. Usemos nosso tempo aqui com sabedoria, deixando de lado rancores, mágoas, ódios e mergulhando no grande amor de Cristo.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.10

Precisamos Discernir o Certo do Errado



Não tenha pressa de colocar as mãos sobre alguém para dedicá-lo ao serviço do Senhor. Não tome parte nos pecados dos outros. Conserve-se puro. Já que muitas vezes você tem ficado doente do estômago, não beba somente água, mas beba também um pouco de vinho. Os pecados de algumas pessoas podem ser vistos claramente, antes mesmo de elas serem julgadas. Mas os pecados de outras pessoas só são vistos depois. Assim também as boas ações são vistas claramente e mesmo aquelas que são difíceis de ver não poderão ficar escondidas para sempre.
Aqueles que são escravos devem tratar o seu dono com todo o respeito, para que ninguém fale mal do nome de Deus e dos nossos ensinamentos. E os escravos que têm dono cristão não devem perder o respeito por ele por ser seu irmão na fé. Pelo contrário, devem trabalhar para ele melhor ainda, pois o dono, que recebe os seus serviços, é cristão e irmão amado.
Ensine e recomende estas coisas: Se alguém ensina alguma doutrina diferente e não concorda com as verdadeiras palavras do nosso Senhor Jesus Cristo e com os ensinamentos da nossa religião, essa pessoa está cheia de orgulho e não sabe nada. Discutir e brigar a respeito de palavras é como uma doença nessas pessoas. E daí vêm invejas, brigas, insultos, desconfianças maldosas e discussões sem fim, como costumam fazer as pessoas que perderam o juízo e não têm mais a verdade.
Essa gente pensa que a religião é um meio de enriquecer. É claro que a religião é uma fonte de muita riqueza, mas só para a pessoa que se contenta com o que tem. O que foi que trouxemos para o mundo? Nada! E o que é que vamos levar do mundo? Nada! Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso. Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição. Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos.
Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros. 
I Epístola a Timóteo 5:22-6:11

Algumas pessoas estavam falando de como o Templo era enfeitado com bonitas pedras e com as coisas que tinham sido dadas como ofertas. Então Jesus disse: — Chegará o dia em que tudo isso que vocês estão vendo será destruído. E não ficará uma pedra em cima da outra. Aí eles perguntaram:— Mestre, quando será isso? Que sinal haverá para mostrar quando é que isso vai acontecer? Jesus respondeu:— Tomem cuidado para que ninguém engane vocês. Porque muitos vão aparecer fingindo ser eu, dizendo: “Eu sou o Messias” ou “Já chegou o tempo”. Porém não sigam essa gente. 
E continuou:— Uma nação vai guerrear contra outra, e um país atacará outro. Em vários lugares haverá grandes tremores de terra, falta de alimentos e epidemias. Acontecerão coisas terríveis, e grandes sinais serão vistos no céu. 
Jesus disse ainda:— Quando vocês virem a cidade de Jerusalém cercada por exércitos, fiquem sabendo que logo ela será destruída. Então, os que estiverem na região da Judeia, que fujam para os montes. Quem estiver na cidade, que saia logo. E quem estiver no campo, que não entre na cidade. Porque aqueles dias serão os “Dias do Castigo”, e neles acontecerá tudo o que as Escrituras Sagradas dizem. Ai das mulheres grávidas e das mães que ainda estiverem amamentando naqueles dias! Porque virá sobre a terra uma grande aflição, e cairá sobre esta gente um terrível castigo de Deus. Muitos serão mortos à espada, e outros serão levados como prisioneiros para todos os países do mundo. E os não judeus conquistarão Jerusalém, até que termine o tempo de eles fazerem isso. 
Evangelho Segundo São Lucas 21:5-8, 10-11, 20-24

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

o tema das leituras de hoje é o discernimento. O discernimento para os que já estão no ministério sacerdotal não se apressarem a escolher qualquer um para o altar, o discernimento no trato com o próprio corpo, o discernimento nas relações sociais em não deixar questões sociais se tornarem fonte de ódio ou rancor, o discernimento em não aceitar doutrinas falsas, o discernimento entre a verdadeira religião e as igrejas caça-níqueis - que vemos que não são um problema de nosso país e época, pois já davam trabalho na época dos Apóstolos.

A vacina contra todas essas confusões é como Paulo aconselha: se afaste disso tudo, viva corretamente, dedicando-se a Deus com fé, amor, perseverança e respeito pelas pessoas.


Finalmente, no Evangelho, somos chamados ao discernimento dos sinais tempos, ao discernimento do verdadeiro e único Messias, para que não nos deixemos levar por falsos profetas nem pelo desespero diante dos males do mundo. Em tudo, guardemos a fé, o amor e a esperança.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.09

Patriarca Abraão

 Vocês que querem estar debaixo da lei, me digam uma coisa: vocês não estão ouvindo o que a Lei diz? Ela diz que Abraão teve dois filhos: um, de uma escrava, Agar; e outro, de uma mulher livre, Sara. O filho da escrava foi gerado como todas as crianças são geradas, mas o filho da mulher livre foi gerado por causa da promessa de Deus. Isto serve como um símbolo: as duas mulheres representam as duas alianças. Uma aliança é a do monte Sinai e está representada por Agar. Os que são dessa aliança nascem escravos. Pois Agar representa o monte Sinai, na Arábia, e Agar é o símbolo da Jerusalém atual, que é escrava com todo o seu povo. Mas a Jerusalém celestial é livre e ela é a nossa mãe. Pois as Escrituras Sagradas dizem: “Você, mulher que nunca teve filhos, fique alegre! Você que nunca sentiu dores de parto, grite de alegria! Pois a mulher abandonada terá mais filhos do que a que mora com o marido.”
Epístola aos Gálatas 4:21-27

Jesus continuou:— Ninguém acende uma lamparina e depois a coloca debaixo de um cesto ou de uma cama. Pelo contrário, a lamparina é colocada no lugar próprio para que todos os que entram vejam a luz. Pois tudo o que está escondido será descoberto, e tudo o que está em segredo será conhecido e revelado. Portanto, tomem cuidado e vejam como vocês ouvem. Porque quem tem receberá mais; mas quem não tem, até o que pensa que tem será tirado dele.
A mãe e os irmãos de Jesus vieram até o lugar onde ele estava, mas, por causa da multidão, não conseguiam chegar perto dele. Então alguém disse a Jesus:— A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora e querem falar com o senhor. Mas Jesus disse a todos:— Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a mensagem de Deus e a praticam.
Evangelho de São Lucas 8:16:21

MEDITAÇÃO

Caríssimos,
na leitura de hoje o ensino central está na passagem " Portanto, tomem cuidado e vejam como vocês ouvem. Porque quem tem receberá mais; mas quem não tem, até o que pensa que tem será tirado dele."

Na Epístola, o Apóstolo lembra o caso de Agar e Sara. Pelos costumes da época e da região, os filhos da escrava de Sara, Agar, pertenciam a Sara. Por isso, Saria havia pedido que Abraão tivesse filhos com Agar para assim, indiretamente, dar a ele os filhos que ela mesma nunca gerara. Foi um ato de falta de fé da parte de Abraão e Sara, pois já ambos na terceira idade, Sara tendo sido estéril toda vida, achavam que podiam controlar a promessa de Deus de que Abraão ainda teria filhos. O plano de Deus, porém, era que Abraão e Sara teriam o filho, sendo o pecado cometido por eles completamente desnecessário. 

De toda forma, pela entendimento da cultura da época, Agar, que tivera filhos com Abraão, era "mais mulher" e "mais abençoada" que Sara. Para a cultura da época, em Agar havia fertilidade e vida, em Sara esterilidade e velhice. Com certeza, para a sociedade em geral na época, Agar, como mãe do primogênito do líder da tribo, estava no topo do status social. Mas não era essa toda a história, pois em Sara havia algo maior que juventude e fertilidade: havia a promessa de Deus.

Deus então faz com que Isaac seja gerado de Sara, mesmo com uma vida de esterelidade, mesmo na velhice. Após tal evento, Ele ordena que Agar e seu filho partam, dando também sua promessa que iria prover por eles. Mas eles não faziam parte do plano de Deus para o grande processo de salvação que se iniciava ali. De nada adiantou Abraão, Sara e Agar tentarem forçar a mão de Deus. Agar que tinha muito porque tinha o primogênito de Abraão, o líder da tribo, perdeu tudo. E Sara, que não tinha nada, ganhou tudo. 

No Evangelho, Cristo ordena que coloquemos a lamparina, ou seja, a luz do Evangelho, no mais alto ponto, anunciando-a a todos. Como Sara, talvez não tenhamos nada - dinheiro, estudo, carisma, talentos - mas temos a promessa e ela é poderosa, pois é a promessa de Deus Onipotente e Sempre Fiel. Temos que ser fiéis ao que Cristo ordena, sem tentar forçar Sua mãe, deixando que *Ele* esteja no volante e sem tentar controlar as coisas, para que não sejamos tratados como Agar e mesmo tendo tudo, cheguemos a perder tudo também. O próprio Abraão teve que ser duramente testado posteriormente. Ele que colocara seu desejo de ter filhos acima do amor a Deus, recebeu de Deus a ordem de que sacrificasse seu filho para que crescesse em si o primeiro mandamento: amar a Deus *acima de todas as coisas*. Como Deus é bom, naturalmente não queria o sangue de Isaac, apenas o arrependimento de Abraão.

Se nem os parentes de sangue de Cristo são considerados parentes se não forem fiéis, se não se arrependem, quanto mais nós. Perseveremos na fé e transformemos cada segundo num testemunho sagrado de que somos verdadeiros e dignos discípulos de Cristo.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Leituras do Dia 2014.12.08

Cuide das viúvas que não tenham ninguém para ajudá-las.


Não repreenda um homem mais velho, mas o aconselhe como se ele fosse o seu pai.
Trate os homens mais jovens como irmãos, as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza.

Cuide das viúvas que não tenham ninguém para ajudá-las.

Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, são eles que devem primeiro aprender a cumprir os seus deveres religiosos, cuidando da sua própria família. Assim eles pagarão o que receberam dos seus pais e avós, pois Deus gosta disso.
A verdadeira viúva, aquela que não tem ninguém para cuidar dela, põe a sua esperança em Deus e ora, de dia e de noite, pedindo a ajuda dele. Porém a viúva que se entrega ao prazer está morta em vida.
Timóteo, mande que as viúvas façam o que eu aconselho para que ninguém possa culpá-las de nada. Porém aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que os que não creem.

Coloque na lista das viúvas somente a que tiver mais de sessenta anos e que tiver casado uma vez só. Ela deve ser conhecida como uma mulher que sempre praticou boas ações, criou bem os filhos, hospedou pessoas na sua casa, prestou serviços humildes aos que pertencem ao povo de Deus, ajudou os necessitados, enfim, fez todo tipo de coisas boas.

1a Epístola a Timóteo 5:1-10




Alguns saduceus, os quais afirmam que ninguém ressuscita, chegaram perto de Jesus e disseram:— Mestre, Moisés escreveu para nós a seguinte lei: “Se um homem morrer e deixar a esposa sem filhos, o irmão dele deve casar com a viúva, para terem filhos, que serão considerados filhos do irmão que morreu.” Acontece que havia sete irmãos. O mais velho casou e morreu sem deixar filhos. Então o segundo casou com a viúva, e depois, o terceiro. E assim a mesma coisa aconteceu com os sete irmãos, isto é, todos morreram sem deixar filhos. Depois a mulher também morreu. Portanto, no dia da ressurreição, de qual dos sete a mulher vai ser esposa? Pois todos eles casaram com ela! Jesus respondeu:— Nesta vida os homens e as mulheres casam. Mas as pessoas que merecem alcançar a ressurreição e a vida futura não vão casar lá, pois serão como os anjos e não poderão morrer. Serão filhos de Deus porque ressuscitaram. E Moisés mostra claramente que os mortos serão ressuscitados. Quando fala do espinheiro que estava em fogo, ele escreve que o Senhor é “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.” Isso mostra que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, pois para ele todos estão vivos. Aí alguns mestres da Lei disseram:— Boa resposta, Mestre! E não tinham coragem de lhe fazer mais perguntas.
Em seguida Jesus perguntou a eles:— Como se pode dizer que o Messias é descendente de Davi? Pois o próprio Davi diz assim no livro de Salmos:
“O Senhor Deus disse ao meu Senhor:
‘Sente-se do meu lado direito,
até que eu ponha os seus inimigos
como estrado debaixo dos seus pés.’ ”
Se Davi chama o Messias de Senhor, como é que o Messias pode ser descendente de Davi?

Evangelho de São Lucas 20:27-44




MEDITAÇÃO

Caríssimos,

na Epístola de hoje encontramos as instruções de Paulo sobre como Timóteo, ordenado líder de sua comunidade, deveria tratar as pessoas.Primeiramente, Paulo ensina que a liderança de Timóteo não é uma licença para destratar as pessoas, nem para não reconhecer outros tipos de autoridade que existem na comunidade. Se por um lado Timóteo é o líder, a autoridade dos anciãos e anciãs deve ser respeitada, e mesmo os mais jovens devem ser respeitados como irmãos. O Espírito Santo não abole de forma nenhuma os papéis de hierarquia, mas humaniza-os. 

Em segundo lugar temos um ensinamento difícil para nosso tempo. Embora tenha acabado de aconselhar o respeito e o bom trato com todos nas relações pessoais, no que tange à prática da caridade formal, isto é, o que hoje chamaríamos de "assistência social", Paulo aconselha que se ajude sim as viúvas, mas nem todas. Como sabemos, mulheres tendem a viver mais que homens e uma senhora sozinha que tenha atingido a idade em que não mais pode cuidar de si, se não tiver filhos e netos que a acompanhem, pode passar por grandes sofrimentos. 

Paulo especifica que o trabalho de assistência da Igreja era exclusivamente para as viúvas que não tinham quem cuidasse delas. Se tinham família e filhos, é dever deles cuidar de seus pais. Outra viúva que devia ser excluída da assistência era aquela que não fazia bom uso da caridade que recebia. A que revertia o dinheiro e alimento recebidos para "festar", desperdiçava recursos limitados e preciosos. Paulo também exclui as viúvas com menos de 60 anos, pois é razoável supor que ainda tinham forças para cuidar de si. Exclui também as viúvas que tenham casado mais de uma vez e que não tivessem um histórico de boa conduata moral, ou seja, Paulo *julgava* e ensinava a *julgar* as pessoas pelo seu caráter - e mais ainda, ensinava que a caridade era para ser dada a quem merece e precisa e não a todos. Não basta merecer, não basta precisar. Tem que ser os dois.

Vivemos em uma época que nos diz para não julgarmos ninguém e para sermons "bons" com todos. Tal ensinamento porém, é do mundo e não bíblico. Certamente não devemos nos colocar no papel de Deus e fingirmos que podemos decidir ou conhecemos o destino final da alma de cada um. Mas são inúmeros os ensinamentos para termos discernimento, para não jogarmos pérolas ao porcos e para sermos meritocráticos sempre, sem atender a chantagem do coitadismo e do inclusivismo universal. Até para fazermos o bem, nosso tempo, energia, forças e recursos são limitados e devemos "investi-los" nas pessoas que multiplicarão os dons que receberão.

Já no Evangelho, o tema das viúvas sai do estritamente terreno para apresentar uma revelação sobre o mundo que há de vir após a Segunda Vinda de Nosso Senhor. Ali temos o exemplo de uma mulher que casou-se sete vezes e os fariseus perguntam quem seria o marido dela após a ressurreição. O Salvador explica então que as pessoas não estarão amarradas por contratos sociais e papéis sociais porque viverão como anjos. Apenas o amor permanecerá.

Vemos que depois de responder aos fariseus, Jesus "engata" uma pergunta enigmática. Ele relembra os fariseus que o próprio rei Davi chama o Messias de Senhor. Mas as profecias diziam que o Messias seria descedente de Davi. Naquela cultura, isso significa que o Messias seria filho de Davi, e o Messias é que deveria chamar Davi de Senhor, pois Davi era seu pai e ancestral. Como então o pai, Davi, chama seu filho, o Messias, de Senhor?

A resposta que hoje sabemos é que esse filho de Davi era não um simples Messias humano, redentor de um problema político, mas o próprio Deus a Quem Davi adorava. Assim como no caso da viúva de sete maridos, até a relação de pai e filho, rei e súdito, vai acabar no mundo que há de vir *se não for fundamentada na única coisa eterna: o amor*. Nessa era futura, o novo tempo após o fim do tempo, tudo que não for amor e verdade passará, e por isso mesmo devemos nos esforçar para permanecermos em Cristo, Ele mesmo, Amor, Verdade, Vida e Caminho.

Que as bençãos de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos nós!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Dia de Santa Bárbara




Chris Vlahonasios

De acordo com a tradição grega, no dia de Santa Bárbara são preparados loukamades (um tipo de bolinho de chuva grego). Nos quartéis, ele é oferecido aos soldados e visitantes porque supostamente parecem balas de canhão.

Santa Bárbara também é padroeira da cidade grega de Drama e da Trácia, onde é costume que em seu dia seja feito um doce chamado Varvara, que é um tipo de koliva mais líquido e preparado na véspera do seu dia. É servido aos vizinhos para garantir o bem estar das crianças da casa.

Loukoumades



250g de farinha de trigo
¼ colher de chá de sal
3 colheres de chá de fermento em pó
250ml de água morna
Óleo vegetal

Calda
1 xícara de chá de açúcar
½ xícara de chá de mel
½ xícara de chá de água

Preparando a Massa

Peneire a farinha em uma tigela grande, adicione o sal, e misture o fermento em pó na farinha.
Tome a água morna (água quente estraga o fermento), lentamente adicionando-a à farinha, misturando com uma batedeira até adicionar toda a água em uma mistura lisa e levemente espumante - não bata por muito tempo!
Cubra com um pano de prato limpo e deixe-o em um lugar quente por cerca de 1 hora ou até dobrar de tamanho e adquira aparência espumosa.

Preparando a Calda
Quando a massa estiver quase pronta, primeiro faça a calda, adicionando todos os ingredientes em uma panela pequena, levar à fervura, e fogo brando por cerca de 5 minutos ou até engrossar levemente. Mantenha quente para servir com os bolinhos.

Fritando a Massa
Para fritar os bolinhos, você pode usar uma frigideira ou uma panela de profundidade. Encha com óleo vegetal e até ficar muito quente, mas não a ponto de sair fumaça.
Tome uma colher de chá, mergulhando-a em água primeiro para evitar que a mistura grude. Em seguida, tome uma colher de chá de mistura e verta-a no óleo quente. Cozinhe de 6 a 8 bolinhos de cada vez, dependendo do tamanho da sua fritadeira.
O Loukoumades vai inchar e subir à superfície do óleo muito rapidamente. Vire-os para dourarem, retire-os com uma escumadeira e coloque sobre uma folha de papel absorvente. Repetir com o resto da mistura.

Sobre os Loukoumades quentes verta a calda de mel e polvilhe com canela.

Varvara
500 g de trigo descascado
2 xícaras de açúcar
1 xícara de passas
10 figos secos
Ameixas sem caroço
Tâmaras
200g de nozes cortada em pedaços grandes
Canela
Sementes de romã
1 frasco de tahine

Instruções
1. Lave e  deixe de molho da noite para o dia.  Então ferva o trigo na panela de pressão por 20 minutos.

2. Use uma colher de peneira para removê-lo, e depois leve ao processador de alimentos.

3. Coloque-o de volta na panela. Adicione as passas e continuar a ferver em fogo baixo. Pique figos e adicione-os à panela.

4. Deixe ferver por um tempo, mexendo sempre para que engrosse. Quando no ponto, adicione o açúcar e mexa.

5. Quando açúcar derreter, retire do fogo e adicione o tahine. Misture muito bem e coloque em pequenas tigelas.

6. Em cada tigela, polvilhe com 1 colher de sopa de nozes, canela, e decore com tâmaras, ameixas e sementes de romã.

Fonte: http://myocn.net/december-4-saint-barbara-greece/

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Constantinopla: Uma Cidade Natural?

Em uma época que enfatiza a urbanização sustentável e crescimento verde em cidades ao redor do globo, faz sentido olhar para o passado para vermos se os seres humanos alguma vez realmente tentaram, e ainda mais, se construíram, uma cidade “natural”, uma na qual o humano e o natural estivessem conectados de forma que ambos florescessem. Ao que parece, novas pesquisas sugerem que Constantinopla pode ter sido essa cidade, pelo menos nas aspirações de seus habitantes.
Um mural medieval no Museu Arqueológico de Istambul, retratando as muralhas litorâneas da capital bizantina. Wikimedia 
Desde a antiguidade, os gregos acreditavam que os seres humanos poderiam alcançar seu potencial pleno apenas no contexto de uma cidade, e talvez nenhuma cidade construída por gregos tenha refletido seu ideal da polis como o elemento crucial da paideia (a formação ou educação do cidadão) do que Constantinopla. O coração e alma do Império Bizantino, Constantinopla era o nexo entre o Oriente e o Ocidente, Império e Igreja, céu e terra, homem e natureza, o velho e o novo. Mesmo depois que os turcos muçulmanos conquistaram a cidade em 1453 e até o presente, Constantinopla, agora chamada de Istambul, tem sido uma ponte entre dois mundos, seja a Europa e a Ásia, o mundo islâmico e o Ocidente, o moderno e o tradicional. Embora a capital bizantina tenha deixado de existir há mais de cinco séculos, o legado e espírito de Bizâncio continuaram e podem mesmo conter lições importantes para habitantes de cidades de nossos dias.

Em A Noética da Natureza: Filosofia Ambiental e Beleza Sacra do Visível, Bruce Foltz pergunta se Constantinopla era de fato essa “cidade natural”. Foltz, professor de filosofia no Eckerd College, examina não apenas o ambiente construído e as estruturas cívicas criadas pelos bizantinos, mas também os sistemas culturais e filosóficos mais profundos que formavam sua visão do que uma cidade deveria ser. 

Constantinopla, destaca o professor, foi criada como uma “cidade sagrada” que celebrava as conexões entre os reinos divino, humano e natural como um todo integrado. Foltz diz que para os cristãos bizantinos,

A queda é uma desordem de todo o cosmos... e a redenção... uma restauração tanto da humanidade como da natureza....levando-os de volta ao seu estado paradisíaco...a humanidade (deve ser)...a criatura através da qual a imagem divina dentro de toda a criação se torna completamente realizada, o ponto nodal através do qual a criação apreende e consagra sua própria divindade interior.
Para os fiéis ortodoxos, existe uma conexão íntima entre o homem e a natureza, expressos não apenas no nível individual e comunitário, mas também na própria cidade imperial. Constantinopla, a cidade de ouro, resplandecia como um farol e paradigma para todos os que viviam no Império Bizantino e além.
Foto comteporânea da Santa Sabedoria. Wikimedia
O ponto focal de Constantinopla era Hagia Sophia, a Igreja da Divina Sabedoria, considerada por muitos como uma das grandes maravilhas do mundo por sua escala, complexidade e beleza. A função desta maravilha arquitetônica era simbolizar a compreensão bizantina das relações entre Deus, o homem e a natureza, e de revelar seu encontro no tempo e no espaço. Foltz a descreve assim;

A Sabedoria Divina é o Logos eterno, visto enquanto forma o cosmos e o mantém íntegro. É assim também o logos interior de cada ser que, quando plenamente realizado, une-se ao todo em um amor que deve ser compreendido ontologicamente. A Grande Igreja da Divina Sabedoria, portanto, serve para unir todos os elementos do cosmos em uma forma transfigurada, manifestando a luz interior de sua beleza divina.
Anastasis ou Ressurreição de Cristo, ícone da capela funerária da Igreja de Chora, um exemplo formidável de arquitetura e iconografia bizantina em Istambul. Wikimedia 
Quando os cidadãos de Constantinopla reuniam-se para adorer, eles entravam em um espaço desenhado para reunir o céu e a terra, e oravam “por todos (os seres vivos) e para todos”. Suas liturgias eram não apenas para edificação espiritual de indivíduos na congregação mas também pela renovação de uma visão da ordem natural, de todo o cosmo, como algo sagrado, um dom de Deus concedido à humanidade para ser valorizado e protegido. Era um encontro tanto do tempo presente quanto do futuro Reino de Deus, no qual os seres humanos e todo o mundo natural alcançam o seu potencial completo na imagem do divino. 

A adoração bizantina, através de sua música mística e elaborado simbolismo, também retratava a cidade como a Jerusalém Celestial, a qual a cidade terrena de Constantinopla deveria emular e a qual os regentes bizantinos e todos os cidadãos deveriam buscar alcançar. A crença era que uma Constantinopla, forte, vibrante e, na medida do possível neste mundo caído, “santa”, poderia ligar seres humanos e natureza, as diversas nações e o Céu e a Terra.

As ramificações práticas desse ideal desdobram-se de inúmeras formas. Por exemplo, os historiadores Stephen Barthel e Christian Isendahl demonstraram que os jardins urbanos de Constantinopla, sua agricultura e sistemas de gestão de águas eram mais eficientes que os de muitas cidades modernas, principalmente por causa “das conexões próximas entre pessoas urbanas e seus sistemas de suporte a vida”, um conceito que, segundo eles, deveria ser recuperado entre cidadãos urbanos de hoje em dia.

Existem múltiplas razões pelas quais este grande experiment chegou ao seu fim, como Steve Runciman e Donald Nicol descreveram tão bem em seus trabalhos já clássicos no assunto. O modelo constantinopolitano de cidade também seria difícil de vender no mundo de hoje, particularmente no Ocidente secularizado onde o conceito bizantino de sinfonia, um sistema no qual líderes religiosos e políticos trabalham juntos para prover as necessidades e materiais do povo – é rejeitado a priori. Ainda assim, na medida em que pode servir como um modelo de uma cidade natural, Constantinopla ainda hoje permanece como uma paradigma útil para todos nós. Foltz pode estar certo quando conclui que:

Apesar de tudo, Bizâncio pode ser para nós no Ocidente, herdeiros de Atenas e Jerusalém, a ponte exemplar entre o secular e o sagrado, o temporal e o eterno, entre o visível e o invisível: a cidade natural que foi e será.

A verdadeira lição dos Bizantinos, tão crucial para nós hoje em dia, é o seu entendimento da conexão entre a humanidade e a natureza. Nós podemos aprender de Constantinopla que o mundo a nossa volta é composto de coisas vivas e não apenas de matéria morta para tomarmos e explorarmos para fazermos produtos que então expomos em uma elusiva busca por sentido e felicidade.

Andrew Sharp é Acadêmico Pesquisador do Instituto para Estudos Avançados da Cultura na Universidade da Virgínia, onde trabalha como Gerente do Projeto Cidades Vicejantes e como Professor Assistente Afiliado de Estudos Religiosos na Universidade da Comunidade da Virgínia. Suas publicações são nas áreas de Cristianismo Ortodoxo, Islã e relações Muçulmanas-Cristãs. Publicou o livro “Cristãos Ortodoxos e Islã na Era Pós-Moderna” (Brill, 2012)

Original: http://pemptousia.com/2014/11/was-there-ever-a-truly-natural-city-the-byzantines-thought-so/

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Carta a um Amigo Católico Romano

De Roma para Constantinopla


Esta carta foi publicada originalmente no boletim de uma paróquia ortodoxa na Itália. Seu autor é o Arcipreste Gregório Cognetti, Reitor das paróquias italianas do Patriarcado de Moscou. Acho interessante para o público brasileiro porque os dilemas enfrentados pelo Pe. Gregório e seu amigo Bill nas relações entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Católica Ortodoxa são muitos semelhantes aos nossos, como ortodoxos em terras romanas. 

Chapel Hill (U.S.), Março de 1982

Caro Bill,

Mesmo que você nunca tenha perguntado diretamente, sinto pelas suas palavras que você ainda não entende porque deixei a Igreja Romana para me tornar Ortodoxo. Parece que você diz "Mas você era de uma paróquia de rito bizantino das menos latinizadas! Por que fez isso?". 

Acho que te devo uma explicação, já que, há muito tempo atrás, quando erámos membros da igreja Latina, compartilhávamos os mesmos sentimentos. Esses sentimentos nos levaram a uma paróquia de rito bizantino, e a mim mesmo até a Ortodoxia. Você não poderia ter esquecido as críticas que tínhamos sobre os romanos: a contínua inserção de novas tradições no lugar das antigas, o escolasticismo, a abordagem legalística da vida espiritual, o dogma da infalibilidade papal. Ao mesmo tempo reconhecíamos a legitimidade e correção da Igreja Ortodoxa. Uma paróquia uniata parecia a solução ideal. Eu lembro que na época eu dizia: "se eu penso como ortodoxo, acredito como ortodoxo, então eu sou ortodoxo". Entrar oficialmente na Igreja Ortodoxa me parecia apenas uma formalidade inútil. Eu até mesmo pensava que permanecer em comunhão com a Igreja Romana poderia ter um lado positivo, em vista da possível reunificação das Igrejas. 

Bem, Bill, eu estava errado. Eu achava que eu conhecia a Fé Ortodoxa, mas sabia muito pouco e bem superficialmente aliás. Tanto era assim que eu não entendia a contradição intrínseca entre me sentir ortodoxo e não ser reconhecido como tal pela própria Igreja cuja fé eu afirmava compartilhar. Apenas um não-ortodoxo poderia conceber tal absurdidade como ser ortodoxo fora da Ortodoxia. A salvação individual não diz respeito apenas a uma pessoa em particular, como muitos ocidentais crêem, mas deve ser compreendida no quadro mais amplo de toda a comunhão da Igreja. 

Cada cristão ortodoxo é como uma folha: como pode receber a seiva vivificante se não estiver ligado à vinha? (João 15:5) 

A Ortodoxia é um modo de vida, e não um rito. A beleza do rito deriva da realidade interna da fé ortodoxa, e não de uma busca por formas. A Divina Liturgia não é uma forma mais pitoresca de rezar a Missa: ela se origina e se fortalece de uma realidade teológica que se torna vazia e inconsistente se realizada fora da Ortodoxia. 

Quando o espírito da Fé Ortodoxa está presente, até o mais pobre ofício, feito em um barraco, com dois ícones de papéis em cima de cadeiras para servirem de iconostase, e um grupo de fiéis desafinados como coro, até este ofício é incomparavelmente maior que os ofícios da minha antiga paróquia uniata, feitos entre mosaicos bizantinos magníficos do século 12, e um coral bem treinado (quando estavam lá). A observância quase paranóica das formas rituais é uma tentativa inútil de compensar pela falta de um verdadeiro ethos Ortodoxo. Eu estava me iludindo quando achava que poderia ser Ortodoxo na comunhão romana. Era uma ilusão porque tal coisa é impossível. 

A contínua interferência de Roma na vida eclesiástica te lembra, em seu devido tempo, quem é que manda. Fingir ignorar isso é auto-ilusão. Eu tentei evitar o problema, fingindo ser surdo e mudo, e repetindo para mim mesmo que eu pertencia a ideal "igreja não-dividida". Minha posição era bem pecaminosa. Primeiro de tudo, porque a Igreja não-dividida ainda existe: é a Igreja que nunca rompeu com Seu passado, que é sempre idêntica a Si mesma: em outras palavras, a Igreja Ortodoxa. 

Então, aquele sentimento de ser membro da Igreja Não-Dividida, que eu considerava tão cristão e pacificador, era na verdade um grave pecado de orgulho. Eu estava praticamente me colocando acima de Patriarcas e Papas. Eu acreditava que eu era um dos poucos que realmente tinham entendido a Verdade, acima de polêmicas velhas e estéreis. 

Eu achava que eu tinha o direito de comungar tanto na Igreja Romana como na Ortodoxa, e eu me sentia injustiçado quando a Igreja Ortodoxa me negava a comunhão. Eu tenho um grande débito de gratidão com o padre que, naquele tempo, se recusou a me dar a comunhão. Ao invés de desviar do assunto com delicadeza falando de impedimentos canônicos, como se a questão fosse meramente um problema burocrático, ele disse na minha cara: "se é verdade que você se considera ortodoxo, por que é que você continua membro de uma heresia?" 

Eu fiquei profundamente chocado com tais palavras, e por um longo tempo eu não voltei naquela igreja. Mas ele estava certo. Eu achava que tinha entendido o que Santos, Pais, Bispos e Padres não tinham entendido por séculos. 

De acordo comigo mesmo, o cisma entre o Oriente e o Ocidente era um trágico mal-entendido baseado meramente em problemas políticos e nas ponderações de teólogos. E ao dizer isso eu indiretamente acusava muitas pessoas santas de maquinações, superficialidade e malícia. E eu achava que pensar tudo isso era caridade cristã. 

Não, Bill, é impossível ser Católico Romano e Ortodoxo ao mesmo tempo. 

O rito não é o mais importante. Afinal, os Latinos tiveram um rito ortodoxo ocidental por muitos séculos. Eu concordo com você que, depois da separação, os romanos e os ortodoxos ainda preservaram muita coisa em comum, mas isso não é suficiente para considerá-los como partes da mesma igreja. Além das bem-conhecidas diferenças doutrinais têm as diferentes abordagens do sobrenatural, a própria vida da Igreja que torna impossível viver duas realidades religiosas diferentes ao mesmo tempo. 

Dizemos no Credo: Creio na Igreja *UNA*, Santa, Católica e Apostólica". Até que a unidade de fé ocorra, elas serão duas igrejas diferentes. 

A teoria, também afirmada por João Paulo II, de que os romanos e os ortodoxos ainda são uma só igreja (a despeito do cisma e de um modo misterioso) soa bonito, mas não se sustenta. São apenas isso: palavras bonitas. As diferenças de fé, por outro lado, existem e não são mero jogo de palavras. 

Sim, eu sei que o diálogo teológico já existe, e que talvez seja até possível (tudo é possível ao Senhor) que a unidade acabe sendo alcançada. Mas tome cuidado! Muitos romanos de bem acreditam que as diferenças podem ser resolvidas através de afirmações astutamente ambíguas que, por serem genéricas, podem soar aceitáveis para ambas as partes. Uma vez que se obtivesse um acordo sobre tais afirmações, cada um poderia interpretá-las de acordo com sua própria compreensão, na prática mantendo suas opiniões. Pior ainda, alguns propõem uma "unidade na diversidade" sem um compromisso formal de fé por nenhum dos lados, mas sob a coordenação universal do Papa de Roma. 

Bem, tudo isso é impossível. Os Pais nos ensinam que a concordância com a fé comum deve ser direta e sem ambiguidades. 

A Ortodoxia segue o espírito da Lei, ao invés da letra. E como é impossível para a Igreja Ortodoxa introduzir novas doutrinas, cabe aos romanos abandonarem um milênio de inovações, e sem reservas, retornarem à fé da Igreja Católica e Apostólica. 

Está é a única plataforma possível de acordo. 

A história já mostrou a falácia de uniões baseadas em outros termos. E agora me deixe te fazer uma pergunta trivial: Bill, o Papa é infalível (de moto próprio e não por virtude do consenso da Igreja, como especificado no dogma de 1870) ou não? Ele não pode ser falível e infalível ao mesmo tempo, como aconteceria se duas igrejas fossem ainda parte da mesma Igreja. Um dos dois tem que estar errado. 

Talvez você responda: "Mas o Vaticano II permitiu uma grande liberdade de opiniões..." Mas isso é um sofisma. A verdadeira Igreja não pode cair em erro. Se você acredita que a sua Igreja errou, o que Ela está de fato cometendo erros, então você nega que Ela seja a verdadeira Igreja. 

Abraço-te com imutável amizade e amor em Cristo, 

Gregório 

(PS. Bill se converteu à Igreja Católica Ortodoxa pouco depois de receber essa carta, tornando-se leitor em uma igreja da Flórida)