sexta-feira, 13 de março de 2015

Breve Catecismo da Igreja Católica Ortodoxa - Para Não Esquecer - 05/09


Oração do Coração ou Oração de Jesus

Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo, tem piedade de mim um(a) pecador(a) e salva-me. (Amém, no final das repetições)

Oração do Espírito Santo

Rei Celestial, Consolador, Espírito da Verdade, presente em toda parte e ocupando todo lugar, tesouro de bênçãos e doador da Vida, vinde e habita em  nós, purifica nossos corpos e nossas almas e salva-nos ó Tu que és bom! Amém!

Alegra-te Maria

Alegra-te Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres, bendito é o fruto de teu ventre, Jesus, o Filho do Deus Vivo que tem piedade de nós e salva-nos. Amém!

É Digno e Justo

É digno e justo, em verdade, glorificar-te, ó Santíssima Teotókos, sempre bem-aventurada e imaculada Mãe de nosso Deus. Mais venerável que os querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os serafins, que imaculadamente deste à luz o Verbo de Deus, logo és, verdadeiramente Mãe de Deus, e nós, pois, te glorificamos!

Hino Pascal

Cristo ressuscitou dos mortos, a morte com a morte Ele pisou; e aos que estavam nos túmulos Cristo deu a vida.

Saudação Pascal

Saudação: Cristo ressuscitou!
Resposta: Verdadeiramente ressuscitou!



As Bem-Aventuranças


(Mt 5, 3-12)
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados sereis Tu, quando Te insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo gênero de calúnia contra Tu por minha causa; exultai e alegrai-Te, porque será grande a Tua recompensa no reino dos céus.



O Pai-nosso


(Mt 6, 9-13)
Pai nosso que estás nos céus,
santificado seja o Teu Nome;
venha a nós o Teu reino,
seja feita a Tua vontade,
assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia nos dá hoje;
perdoa as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
e, não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.

Porque Teu é o Poder, o Reino e a Glória, Ó Pai, Filho e Espírito Santo, amém!

O Sinal da Cruz Ortodoxo



...e do Filho...
 

 Em Nome do Pai...
O Cristão Ortodoxo faz o sinal da Cruz da forma abaixo. Repare o posicionamento dos dedos e a movimentação da mão da direita para a esquerda. O sinal da cruz é uma oração com o corpo. Os três dedos juntos representam a Trindade, os dois dedos abaixados as duas naturezas de Cristo, Divina e Humana. A mão começa na cabeça, na testa, representando o Pai. O Filho então desce a Terra para salvação de todos e ascende para a *direita* do Pai, de onde envia o Espírito Santo para o mundo todo (movimento para esquerda para cobrir todo o corpo).
Espírito Santo para o mundo todo (movimento para esquerda para cobrir todo o corpo).



 
                                                        ...e do Espírito...                     ... Santo, Amém!

O Credo Niceno-Constantinopolitano


(O Pai)

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

(O Filho)

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai.  Por Ele todas as coisas foram criadas. E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.  Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; E subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.

(O Espírito Santo)

Creio no Espírito † Santo, Senhor vivificante, e que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: foi Ele que falou pelos profetas.

(A Igreja)

Creio na Igreja Una †, Santa, Católica e Apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados.

(A Vida Futura)

Espero a ressurreição dos mortos; e a vida no mundo que há de vir.

Amém.

Prostrações

É comum, mas não obrigatório, que durante a Divina Liturgia e outros ofícios e orações particulares, o cristão ortodoxo faça o sinal da cruz acompanhado de prostrações. A prostração pode ser apenas uma curvatura, ou completa, tocando a cabeça no chão. Na figura abaixo vemos três fiéis: a primeira faz o sinal da cruz, a segunda, depois de ter feito o sinal da cruz faz meia prostração, e o terceiro uma prostração completa. Antes de cada prostração, sempre fazemos o sinal da cruz.








Os Dez Mandamentos


(Ex 20, 1-17)
1. Eu sou o Senhor teu Deus, não terás outros deuses além de Mim.

2. Não farás para ti esculturas, nem figura alguma do que está em cima nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra; não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto.

3. Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus.

4. Lembra-te de santificar o dia do descanso; trabalharás durante seis dias e farás toda tua obra. Mas no sétimo dia — que é um repouso em honra do Senhor teu Deus, não farás trabalho algum.

5. Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra.

6. Não matarás.

7. Não cometerás adultério.

8. Não furtarás.

9. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.

10. Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem nada do que lhe pertence.



Breve Catecismo da Igreja Católica Ortodoxa - Cristo Continua Conosco: A Igreja - 04/09



Dez dias após sua Ascensão ao céu e cinquenta dias após a sua Ressurreição, Ele enviou o Espírito Santo, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que procede do Pai e é enviado pelo Filho. Os Discípulos viram realmente a presença do Espírito Santo pousando sobre as suas cabeças em forma de línguas de fogo.

As Santas Escrituras

Na Sagrada Escritura, encontramos todos os eventos: a Criação do mundo, a Queda do homem e a Encarnação de Jesus Cristo. A Sagrada Escritura consiste em 49 livros do Velho Testamento e 27 livros do Novo Testamento. Todos nós devemos estudar a Sagrada Escritura a vida da Igreja e os ensinamentos dos santos Padres. Cristo é o Centro da Sagrada Escritura: O Velho Testamento profetisa e prepara a sua chegada; o Novo Testamento descreve e apresenta a sua vida e obras. Isto está bem expresso no evento da Transfiguração do Senhor: Os Apóstolos representam o Novo Testamento e os dois homens que aparecem ao lado de Jesus, Moisés e o profeta Elias, representam o Velho Testamento.

A Santíssima Trindade

Um dos propósitos básicos da Encarnação de Cristo foi revelar que Deus é Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Cristo revelou esta verdade à Samaritana, entre outros, quando falou: “Deus é Espírito, e aqueles que O veneram devem fazê-lo em espírito e verdade”. Isto significa que Deus Pai, é venerado em Jesus cristo e no Espírito Santo.

Há perfeita unidade entre as pessoas da Trindade, segundo a substância, a natureza e a forma e trindade segundo a propriedade e o nome, porque um é chamado Pai, outro Filho, outro Espírito Santo, a mesma natureza, nas distintas pessoas. Neste aspecto o ser humano é bem diferente de deus.  Todos os homens têm a mesma natureza, mas são pessoas diferentes.

Na Divina Liturgia cantamos: “O Pai, o Filho e o Espírito Santo, Trindade consubstancial e indivisível”. A grande verdade da Trindade Divina não pode ser abarcada pela razão humana, mas é um objeto de Revelação. Quando o homem obtém a deificação, - a Visão da Luz Incriada, compreende então que Deus é Triúno. Os Discípulos no Monte Tabor foram transformados, e assim viram a divindade da Palavra como Luz, o Espírito Santo como uma Nuvem Luminosa, e ouviram a voz do Pai. Permanecendo unidos à Igreja recebemos as energias de Deus Triúno, adquirimos o conhecimento divino e somos fortalecidos em nossa vida espiritual. A hospitalidade de Abraão é uma representação iconográfica da Tri-unidade (Trindade) que não foi apenas revelada por Cristo, mas que se manifestou a nós, através de suas obras.

História Espiritual da Igreja

Com a criação dos anjos e dos homens temos a primeira fase da Igreja.  Então, através da Queda dos homens ocorreu, consequentemente, a Queda da Igreja. No entanto, uma pequena parte da Igreja permaneceu nas pessoas dos Profetas e dos homens justos do Velho Testamento.

Através da encarnação de Cristo e, de modo especial, os apóstolos, pela descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes, tornaram-se membros do Corpo de Cristo. Assim, a Igreja do Velho Testamento, que era espiritual, tornou-se agora carnal, o Corpo de Cristo.

O Pentecostes está associado à Sagrada Eucaristia, pois a Igreja, como Corpo de Cristo, tem seu início no Pentecostes e se alimenta da Eucaristia, que é o centro e a vida da Igreja. A Igreja não é uma Instituição humana, mas uma Instituição divina, não é uma corporação, mas o Corpo de Cristo. Cristo é a cabeça da Igreja e seus membros são os cristãos batizados que vão conformando suas vidas à Cristo.  Não há definição melhor para Igreja que a de "Corpo de Cristo".

Missão da Igreja

Na Sagrada Escritura há muitas imagens que revelam a natureza de sua obra e de sua missão.

A principal imagem usada por Cristo é aquela da vinha. Ele, Cristo é a vinha e os fiéis são o ramos enxertados que se unem a Cristo e recebem d'Ele toda a sua força.

Em outro lugar a Igreja é chamada de rebanho, porque é conduzida pelo próprio Cristo o sumo e verdadeiro pastor e liderada também por Ele.

É caracterizada ainda como um casamento, para mostrar a unidade dos fiéis com Cristo: Cristo é o Noivo e a Igreja é a Noiva.

É chamada também de Reino porque Cristo é o eterno Rei e os cristãos seus súditos que fazem a sua vontade.

O Que é e onde Está a Verdadeira Igreja

 A Igreja é a arca da salvação.  De longe, ela lembra a arca do Velho Testamento que salvou Noé com sua família e várias espécies de animais, do grande Dilúvio. Todos os que entram para a Igreja e se esforçam para cumprir os mandamentos de Deus são salvos. A Igreja Ortodoxa preservou a Verdade como Cristo a revelou aos seus santos apóstolos, e eles a transmitiram a nós como herança, e assim como todos os santos a viveram.

É desta Igreja Ortodoxa que os outros cristãos saíram e outras "igrejas" cristãs ou confissões foram formadas, como por exemplo as igrejas não-calcedonianas orientais, como a Siríaca, Copta, Armênia, Etíope, etc. Incluí-se também, a Igreja Católica Romana que tem como autoridade máxima o Papa de Roma e as Igrejas Protestantes ou Evangélicas, que saíram da Igreja Romana e se subdividem em diversos outros ramos.

Existem ainda outras religiões, tais como o hinduísmo, bramanismo, budismo, islamismo etc., que também não fazem parte da Igreja e não levam a salvação mesmo que seguíssemos seus ensinamentos a risca, pois a salvação é a participação nas Energias de Deus através do próprio Corpo de Cristo e não mera obediência a comportamentos, regras e crenças.

Quem são os membros da Igreja

Os verdadeiros membros da Igreja são os santos, isto é, os Profetas, Apóstolos, Mártires, homens santos e Ascetas, e aqueles que viveram no mundo, foram favoráveis a Deus e adormeceram em paz.

De um modo geral os membros da Igreja são os deificados, aqueles que em diferentes níveis participam da indestrutível Graça divina. Os que vivem uma vida sacramental e procuram orientar suas vidas pelas dos santos, lutam, buscando a salvação são, também eles, membros da Igreja.

Como fazer para sermos membros vivos e não mortos da Igreja?

Os Santos Padres da Igreja nos ensinam que há três principais sacramentos na Igreja:

O primeiro é o Batismo, que é chamado de Sacramento da Iniciação Cristã, porque é através dele que nos tornamos membros da Igreja.

O segundo é o Sacramento da Crisma, pelo qual recebemos os dons do Espírito Santo e que é ministrado logo após o Batismo, (num único e mesmo ofício).

O terceiro é a Santa Eucaristia - (comunhão), a qual depende tanto do Batismo e da Crisma ortodoxos que é ministrada logo depois de ambos, mesmo para os bebês.

Nós recebemos o santo Batismo para que, como membros da Igreja possamos comungar o Corpo e Sangue de Cristo e só podemos comungar o Corpo e Sangue de Cristo se tivermos sido recebidos na Igreja Ortodoxa através do Batismo ou do Crisma ortodoxos.

Uma vez que o Batismo não é garantia de que nos conservaremos sem pecar, dispomos do sacramento da Penitência ou Confissão, que é como um segundo Batismo, pois nos devolve aquela pureza que adquirimos através do santo Batismo e nos faz, de novo, membros vivos da Igreja. Confessamos os nossos pecados ao nosso pai espiritual e, por meio dele, recebemos o perdão divino (a cura).

Outro Sacramento é o da Ordem. Através do Sacramento da Ordem a Graça apostólica e a benção são transmitidas a todas as gerações. O Clero é sucessor dos apóstolos.  (seus membros) celebram o Sacramento da Eucaristia, administram todos os demais sacramentos, guiam e curam o povo de Deus.

Através do Sacramento do Matrimônio o homem (noivo) une-se a mulher (noiva) para constituir uma família Cristã.

Também há o Sacramento da Santa Unção, pelo qual nosso corpo é ungido com o santo óleo dos enfermos e suplicamos insistentemente a Deus pela cura de nosso corpo e de nossa alma.

O Batismo

O Batismo é também denominado o "Sacramento da Iniciação Cristã", porque nos tornamos, por ele, membros da Igreja de Cristo.  No Sacramento do Batismo, nós renunciamos ao demônio, (suas obras, seus anjos, suas pompas e suas seduções), ou seja, nos libertamos do poder das trevas, que age em nós através das paixões e desejos, e, assim, permanecemos unidos a Cristo. A imagem de Deus em nós fica purificada e o nome que recebemos se torna iluminado. Somos trazidos de volta ao Paraíso que tínhamos perdido pelo pecado.

Para um cristão ortodoxo não é suficiente ter sido batizado, mas, ele deve viver a vida sacramental da Igreja, orar a Deus e sentir que é membro da comunidade de fé como a uma família. E, vivemos assim quando vamos regularmente à Igreja e comungamos, especialmente aos domingos e nas Grandes Festas.  Sentimos, assim, que não somos órfãos e sozinhos, porque temos um Pai comum e muitos irmãos. Sendo a Igreja Ortodoxa uma família, um lugar de cura do corpo e da alma, porque restaura nossa comunhão com Deus, isto implica que os membros do seu Clero, são como pais desta família, pastores deste rebanho espiritual, que eles conduzem para as "verdes pastagens", e que são também médicos que curam as enfermidades.

A Eucaristia ou Santa Comunhão

O maior Sacramento da Igreja é a Eucaristia. É, na verdade, o centro da vida da Igreja. Todos os outros Sacramentos relacionam-se a este grande Sacramento. Durante a celebração da Eucaristia (Divina Liturgia), o sacerdote suplica ao Pai que envie o Espírito Santo para transformar o pão e vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. Sem a Eucaristia a Igreja não poderia existir. O Sacramento da Santa Eucaristia é celebrado para que possamos partilhar do Corpo e Sangue de Cristo. Jesus Cristo disse: “Se não comerdes da carne do Filho do Homem e não beberdes do seu Sangue, Não tereis a Vida em Tu”. Através da Santa Eucaristia recebemos a verdadeira Vida que é Cristo. Portanto, devemos comungar frequentemente. Mas, a participação frequente na Divina Eucaristia, requer sempre que estejamos espiritualmente preparados, antes de nos aproximarmos do Santo Cálice. E a preparação necessária, consiste no batismo ou crisma ortodoxos, arrependimento, confissão, e oração.

A Santa Comunhão nos é dada para que possamos partilhar do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. É, portanto, a comunhão do homem com Deus; não uma questão de sentimento ou ato simbólico. Através da Santa Comunhão com o santíssimo Corpo e o Precioso Sangue de Cristo nos tornamos Um com Ele. Ao mesmo tempo entramos em comunhão com todos os nossos irmãos e os reconhecemos como irmãos do Senhor, e filhos amados do único e mesmo Pai.

O Clero e os Leigos

Os membros do Clero são imagens visíveis de Cristo: Como Cristo, nos amam como Pai; conduzem-nos como Bom Pastor, e, como médicos do Divino Médico, curam as nossas enfermidades, porque são pais, pastores e médicos. O sacerdócio pleno é constituído de três graus: diaconato, presbiterado e episcopado.

Os bispos são sucessores dos santos Apóstolos.  Eles são, no sentido pleno da palavra, os pastores que conduzem o Povo de Deus, e, exclusivamente eles, administram o Sacramento da Ordem. Os padres (presbíteros) são responsáveis pelas Paróquias, e, com a bênção do bispo realizam todos os sacramentos, exceto aquele da Ordem.  Os diáconos auxiliam o bispo e os sacerdotes, e não podem realizar nenhum Sacramento. Na sequência do Sacramento da Ordem, primeiro vem o diaconato, depois o presbiterado, e só por último, o grau do episcopado (bispo).

Além do clero ordenado existem muitas outras funções auxiliares na Igreja, que inclui o leitor, que recita ou canta a leitura das epístolas, os cantores, que participam do coro daquela paróquia e que representam toda a comunidade, o sacristão, que zela pela ordem da Igreja e prepara o que é necessário para a realização dos Divinos Ofícios etc. A recepção destes ministérios (funções) acontece durante um ofício especial com uma oração específica feita pelo arcipreste. Este ofício é chamado de Imposição de mãos, que não deve ser confundido com o Sacramento da Ordem.

Para o bom funcionamento da Paróquia existem ainda outras pessoas que auxiliam o Clero. 
Entre eles estão os administradores, leigos que zelam pela administração dos bens e dos recursos financeiros da paróquia, e cuidam das necessidades daquela comunidade.  Em geral, é também mantido um fundo administrado por vários membros da Comunidade, para socorrer aos mais necessitados, e para ações filantrópicas e assistenciais em geral.

A Unidade da Igreja

A Igreja é uma, porque o Corpo de Cristo é Um. Do mesmo modo como Cristo não teve muitos corpos, também não pode propriamente existir "várias Igrejas". Por mais que um grupo seja sincero e bem intencionado não basta “seguir a Bíblia” para ser membro da Igreja. Igualmente, por mais semelhante que sejam com a Igreja no que tange a clero, sacramentos, santos, aparência do templo e teologia, os grupos que se separaram da Igreja Católica Ortodoxa não são parte dela e por isso é errado participar de ritos heterodoxos, romanos ou não-calcedonianos (igrejas orientais siríaca, copta, etc), como se fossem ortodoxos.

A Igreja Una, que é a Igreja Católica Ortodoxa, é constituída de muitas jurisdições (grega, ucraniana, antioquena, etc.) sem prejuízo da unidade da Única Igreja de Cristo. Assim, temos as Igrejas Patriarcais, as Igrejas Ortodoxas Autônomas, e as Autocéfalas. Cada Igreja particular está organizada em Metropolias - (Arquidioceses), Eparquias (Dioceses), e estas, por sua vez, em Paróquias, Comunidades e Missões, para melhor servir assim as necessidades espirituais dos fiéis. Mas a unidade da Igreja de Cristo não é quebrada por esta organização. Em cada Metropolia, Eparquia ou Paróquia em comunhão entre si, está presente a totalidade da Igreja de Cristo.

Assim como acontece com o pão, o Corpo de Cristo, na Divina Liturgia: é cortado em pedaços, mas não quebrado. Cada Cristão que recebe a comunhão não recebe uma parte apenas do Corpo de Cristo, mas, o Cristo por inteiro. A unidade de todas as Igrejas Ortodoxas particulares que constituem a Igreja Una é salvaguardada pela mesma Fé (ortodoxa), a pela mesma Tradição, estando assim, em comunhão umas com as outras. Esta comunhão é expressa na menção do Bispo, durante a Divina Liturgia. Durante a Divina Liturgia e em todos os outros Ofícios o celebrante menciona o nome do seu Bispo, o Bispo menciona o do seu Arcebispo, e o Arcebispo o do seu Patriarca.

O Templo

O encontro dos membros de uma comunidade para a celebração da Divina Liturgia (Eucaristia) e/ou outros Ofícios Litúrgicos, acontece num local especial chamado Templo Santo. Sendo neste lugar sagrado que os membros da Igreja se reúnem uma vez que eles constituem propriamente a "Igreja", este lugar é também chamado a "igreja". Nos primeiros tempos existiam as "igrejas domiciliares", e as "catacumbas" durante o tempo das perseguições.

Após o final das grandes perseguições à Igreja Cristã, os Templos sagrados foram sendo edificados. Todos os sacramentos são ministrados na igreja, especialmente o sacramento da Eucaristia. Além dos sacramentos, todos os outros ofícios Litúrgicos também acontecem na igreja: os Ofícios de Matinas, Vésperas, Paráklisis à Virgem Maria, Akatistos à santa Mãe de Deus.  Cada ofício tem um sentido e uma finalidade especial, e devemos participar deles tão regularmente quanto possível. Sendo a igreja o lugar próprio para as celebrações litúrgicas, existem muitos objetos para este uso nos diversos Ofícios, tais como o Cálice, o Evangeliário, a Cruz de bênçãos, o Turíbulo, o Zéon ou Teplotá (recipiente em que é servida a água, que, ainda fervendo, será derramada no Cálice após a fração do pão), a Lança, a Colher de Comunhão etc.

Ao entrar numa igreja ortodoxa percebemos logo a presença predominante dos santos ícones. Eles estão por toda parte e em toda igreja, não só na Iconostase, mas também nos estandartes processionais, nas paredes, nos porta-ícones, nos altares etc.

O ícone não busca fazer uma representação física da pessoa representada nele. Não é um retrato, mas quer mostrar a vida transfigurada da pessoa, sua vida como chegou a ser iluminada por Deus, com a luz do Tabor, a luz da Transfiguração de Cristo.

Beijamos os santos ícones, fazendo o sinal da cruz e uma reverência, reconhecendo que os santos neles representados experimentaram também a cruz de Cristo em suas vidas. Reconhecemos assim que também nós participamos desta vida, desta vida da cruz que nos ensina a viver os mandamentos de Cristo. Quando beijamos os santos ícones não estamos beijando o objeto de madeira ou qualquer outro material de que é feito, mas a pessoa que ele nos apresenta; ou seja, a honra que prestamos se dirige ao seu protótipo.

Vida Após a Morte

O principal objetivo da encarnação de Cristo foi a abolição da morte. Através da Paixão, Crucificação, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo aboliu a morte.  A morte já não tem mais o poder que tinha no Antigo Testamento. Através do Batismo e da Eucaristia nós nos tornamos realmente membros da Igreja, e experimentamos a abolição da morte, porque nos tornamos membros do Corpo ressuscitado de Cristo estamos em comunhão com seu Corpo ressuscitado e glorificado. Ou seja, estamos aptos a experimentar a abolição da morte espiritual, porque estamos unidos com Cristo e possuímos a certeza que nossos corpos ressuscitarão na sua Segunda Vinda.

Na Igreja Ortodoxa a morte é chamada de dormição. Uma festa que leva esse nome é a da Dormição da Mãe de Deus.  Todos os domingos a Igreja celebra a vitória de Cristo sobre a morte e em todos os dias de festas, porque o dia da morte de todos os santos é glorioso e sua memória é por isso celebrada. Após a partida temporária da alma de uma pessoa, seu corpo é sepultado com reverência e cuidado num lugar especial chamado cemitério, um lugar de repouso, porque a pessoa está simplesmente adormecida até a Segunda Vinda de Cristo. A Igreja celebra ofícios litúrgicos especiais pelo repouso daqueles que adormeceram, tais como: Exéquias, Panaheda e o Triságion. As veneráveis relíquias dos santos, ou seja, dos mártires e ascetas são uma evidência que a morte foi abolida. Os corpos dos santos exalam aromas agradáveis, realizam milagres e não deterioram. Isto mostra que os santos estão adormecidos, que não há morte. Todas estas coisas são explicadas pelo fato de que quando as almas dos santos são separadas dos seus corpos, a divina Graça não é quebrada, mas permanece tanto no corpo quanto na alma. Esta é a fé firme da Igreja: que Jesus Cristo voltará novamente para julgar os vivos e os mortos, como Ele próprio revelou.

O fato que Ele voltará novamente não quer dizer que Ele já não esteja conosco, pois Ele é a Cabeça da Igreja, a qual é Seu Corpo. Isto quer salientar que Ele virá, e que nossos corpos ressuscitarão para um último julgamento (Juízo Final), e os que forem julgados justos entrarão em corpo e alma no Reino de Deus. A vinda de Cristo é chamada Segunda Vinda, porque será distinta da primeira: A primeira vinda, a Encarnação, foi humilde, e de alguma forma inglória, pois os homens não O reconheceram e crucificaram-nO. A Segunda Vinda será evidente e gloriosa uma vez que todos O reconhecerão e Ele virá acompanhado pelos anjos. Nós temos a certeza de que Cristo voltará, não importa o que aconteça, mas não sabemos exatamente quando. Ele mesmo disse que o dia e a hora não são conhecidos. Jesus Cristo virá de repente quando os homens não estiverem esperando por Ele.  

Por isso é que devemos estar sempre preparados. A ressurreição dos corpos e o julgamento dos homens estão intimamente relacionados com a Segunda Vinda de Cristo.  As almas voltarão aos seus corpos, os corpos se levantarão dos túmulos, e seremos revestidos com corpos espirituais, que não necessitarão de comida, roupa, sono etc., e haverá um tribunal.  Seremos julgados de acordo com nossas obras de amor. No ícone da Segunda Vinda há uma cena que é chamada de preparação do trono. Há um trono e nele o livro do Evangelho.  Isto significa que seremos julgados com base no Evangelho, nos divinos mandamentos de Cristo, se os observamos em nossa vida diária. Após o Grande e Temível Tribunal terá início o Reino de Deus, que não é nada mais do que a participação na deificante Energia Divina, comunhão e união com Deus, visão e participação na divina Graça. Os justos já desfrutam do Reino como promessa; eles têm um antegozo desta realidade, depois que suas almas deixam seus corpos. Após a ressurreição dos corpos, desfrutarão dele eternamente. Os que não se arrependeram de seus pecados, e não buscarem a cura divina para as suas almas, não participarão da comunhão com Deus, estarão privados do Divino Amor, e isto é chamado de Inferno.

Nós que vivemos na Igreja Ortodoxa seguimos os mandamentos de Deus, participamos da vida sacramental da Igreja para viver eternamente com Deus Triúno em seu Reino.

Breve Catecismo da Igreja Católica Ortodoxa - A Salvação - 03/09




Cristo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, através da santa vontade do Pai e a cooperação do Espírito Santo, encarnou-se, ou seja, tornou-se homem, assumindo a nossa natureza humana, para salvar a humanidade. Ele assumiu a natureza mortal para conquistar o poder sobre a morte.

Quem é Jesus Cristo

Jesus Cristo não é um filósofo, moralista, reformista social ou líder de uma religião: Ele é o Vencedor da morte. Chamamos Jesus Cristo de Deus-homem porque ele é Deus perfeito e homem perfeito. Ele tinha todas as características da natureza humana, exceto o pecado, mas, ao mesmo tempo, Ele era Deus. Esta união aconteceu pela primeira vez e, simultaneamente, na Pessoa de Jesus. E, desde que, por sua encarnação, Ele divinizou a natureza humana, adquirimos a possibilidade de sermos feitos divinos. É salutar para nós, esta união da natureza humana com a divina na Pessoa de Jesus Cristo porque, assim, podemos receber o seu santíssimo Corpo e o seu Sangue precioso. Sob esta luz reconhecemos que Jesus Cristo É o único Salvador do homem.

Ninguém pode libertar o ser humano da tirania da morte, do pecado e do demônio. Lembremo-nos da mulher samaritana que Jesus Cristo salvou dando a ela o que ninguém mais pôde lhe dar.

A Sagrada Escritura contém muitas imagens que mostram as obras de Jesus Cristo. Ele é o Pastor, porque assim como um pastor, cuida de suas ovelhas e se sacrifica por elas. Ele é o Médico porque cura as enfermidades do corpo e da alma. Ele é um Pai porque nos faz renascer para uma vida nova, e tem interesse pessoal por cada um de nós. Ele é um Irmão e um Amigo porque é muito intimo a nós.

A Vida Terrena de Cristo

Os Evangelhos descrevem os eventos da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele foi concebido no ventre da Mãe de Deus pela força do Espírito Santo, ou seja, sem a intervenção do homem. Ele nasceu da Virgem Maria numa gruta em Belém. Este evento é sobrenatural, mas é também histórico, porque aconteceu enquanto César Augusto reinava sobre o Império romano.

Os anjos cantaram louvores ao seu nascimento, os pastores foram informados do evento por um Anjo, os Magos do Oriente, guiados por uma estrela, vieram para venerá-Lo. Jesus cresceu no interior de sua família, ajudando José, o marido de sua Santíssima Mãe, e mostrando obediência a eles.

Quando tinha doze anos Ele foi levado ao Templo e despertou o interesse dos escribas e fariseus, impressionando-os com suas perguntas e respostas. De uma maneira geral Ele viveu as condições de nossa própria vida, uma vez que era homem completo e perfeito.

Após seu batismo no rio Jordão, teve início a sua obra: Ele ensinou às pessoas, revelando que Deus é Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo; ensinou o que é o homem e sua destinação, e como ele deve viver nesta terra. Nós podemos verificar estas verdades reveladas no Novo Testamento. As parábolas ditas por Jesus são maravilhosas. As palavras de Jesus são alívio e salvação para as nossas almas.

O Novo Testamento relata alguns dos milagres realizados por Jesus: Ele curou diversas enfermidades e deu vida nova às pessoas. Os milagres foram a confirmação de que Ele é Filho de Deus, o Messias esperado pelo povo Judeu, e por todos os homens e mulheres. Três anos depois de ter iniciado sua missão Ele foi preso pelos Judeus porque disse que era o Filho de Deus. Ele sofreu muito e foi finalmente crucificado no Gólgota.

A Ressurreição de Cristo

Sua Paixão e Crucificação nos são relatadas nos Evangelhos e nos Ofícios da Semana Santa, especialmente aqueles da Grande Quinta-Feira e Sexta Feira Santa. Ele foi crucificado por nossa causa, para nos dar nova vida e libertar-nos da prisão e tirania da morte.

No terceiro dia após sua morte Ele levantou-se dos mortos destruindo assim o poder da morte. Na Igreja Ortodoxa, o ícone da Ressurreição mostra Cristo descendo ao mundo dos mortos e salvando os homens justos do Velho Testamento. Cristo realmente desceu ao mundo dos mortos, aniquilando seu poder. Isto nos é mostrado com os seus portões sendo despedaçados e as suas fechaduras sendo quebradas. A Ressurreição é iconografada desta forma porque ninguém viu Cristo naquele momento em que saiu da tumba. Também há ícones que mostram-no aparecendo às mulheres miróforas e a seus discípulos. De qualquer forma o ícone de sua descida aos infernos indica sua vitória sobre a morte. Assim, desde então, a separação da alma de todos os homens de seus corpos tem sido chamada de adormecimento (sono).

Quarenta dias após a sua Ressurreição Jesus Cristo subiu aos céus, e elevou a natureza humana deificada ao trono de Deus, lá onde, como Deus, Ele sempre esteve. Quando subiu aos céus abençoou seus discípulos, e os anjos deram-lhes a certeza de que Ele voltaria à terra um dia em sua Segunda Vinda, para julgar os homens.

Breve Catecismo da Igreja Católica Ortodoxa - Criação e Queda - 02/09


No primeiro dia, Deus criou a luz. No segundo dia, Ele criou o firmamento e separou o céu da terra. No terceiro dia, Ele separou a terra seca do mar e ordenou que a terra produzisse frutos. No quarto dia, Ele ordenou que surgissem o sol, à lua e as estrelas. No quinto dia, Ele criou os peixes do mar e os pássaros do céu. No sexto dia, Ele criou os animais da terra e o homem. Antes de criar o mundo sensível (material), Ele criou os anjos. Assim ele criou primeiro o mundo espiritual (anjos), e o mundo sensível (todo o universo) e finalmente o homem, que é, ao mesmo tempo, espiritual e sensorial.

O Ser Humano

No início, Ele criou Adão, e de sua costela Ele criou Eva. O homem é feito de uma alma e um corpo. A alma não existe antes do corpo, nem o corpo existe antes da alma, mas o homem, na sua totalidade, foi criado ao mesmo tempo. O homem é a síntese de toda a Criação, o microcosmo dentro do macrocosmo.

O Paraíso

O Paraíso onde o homem foi colocado logo após sua criação, era sensível e inteligível.
Era sensível porque era um lugar concreto, e inteligível porque o homem tinha a Graça de Deus. Sua unidade com a Graça de Deus é demonstrada pelo fato de que ele estava nu e não percebia sua própria nudez.

A Queda



Em sua criação o homem não era perfeito, mas espiritualmente infantil. Assim, era necessário que sua liberdade fosse provada, e que, através do esforço de sua vontade, atingisse a maturidade espiritual, a perfeição. E isto deveria acontecer por meio da obediência aos mandamentos divinos.

Por esta razão Deus lhe ordenou não comer o fruto de uma árvore em particular. Os Pais da Igreja dizem que esta árvore era a Visão de Deus, que os homens não podem alcançar antes de serem provados e preparados. Mas os primeiros seres humanos criados desobedeceram à ordem de Deus e comeram o fruto da árvore proibida; quiseram alcançar a deificação sem obediência a Deus.  A sua desobediência se deu pelo conselho e incitação do demônio, que apareceu em forma de uma serpente, que anteriormente havia sido um anjo, mas, através do orgulho, tornou-se um demônio e perdeu a Graça de Deus.

Efeitos da Queda

Por terem desobedecido a Deus, Adão e Eva perderam a Graça divina. Em outras palavras, perderam a comunhão e a unidade com Deus, e, consequentemente, perderam também a comunhão entre si. O resultado deste pecado foi que a morte entrou nas suas vidas. Adão e Eva tornaram-se separados de Deus e separados também um do outro. Enquanto anteriormente eles estavam nus, passaram a usar vestes de pele, peles de animais. Os ensinamentos dos santos Pais da Igreja mostram que estas vestes de peles, significam, na verdade, decadência e mortalidade, isto é, doenças, julgamentos, aflições e, finalmente, a separação da alma do corpo.

Afastamento de Deus

Após o pecado da desobediência, Adão e Eva perderam a comunhão com Deus, e não puderam mais permanecer no Paraíso, aquele lugar abençoado e real. Este foi o início do período de exílio, conhecido como a lamentação de Adão. Os hinos cantados na Igreja Ortodoxa no "Domingo da Abstinência de Laticínios" descrevem a lamentação de Adão ao perder a vida confortável do Paraíso. Nossa vida agora é, na realidade, um exílio, e lutamos para retornar ao Paraíso uma vez mais. Nos ofícios litúrgicos fúnebres cantamos:

“Concede-me a pátria querida, e devolve-me os direitos dos cidadãos do Paraíso”.

Mas, mesmo após a saída do Paraíso Deus continuou a amar e a preocupar-se com o ser humano, e, por isso, deu-nos sua Lei, enviou-nos seus Profetas. O fato de a morte ter entrado na vida de Adão e Eva foi claramente mostrado pela primeira vez quando Caim matou seu irmão, o justo Abel. Então, pela primeira vez, Adão conheceu a calamidade da morte.

Breve Catecismo da Igreja Católica Ortodoxa - Introdução - 01/09


Breve Catecismo da Igreja Católica Ortodoxa
Apostila feita por Lr. Fabio Leite, a partir de “Catecismo Visual da Igreja Ortodoxa”, por Arcebispo HIEROTHEOS, Metropolita de Nafpaktos, traduzido por Pe. André, e de outras fontes

S. Cosme da Etólia catequisa os gregos

Tenho observado, frequentemente, que há cristãos que não conhecem as verdades básicas da sua fé ortodoxa, ou confundem-nas com outras crenças religiosas e filosóficas que prevaleceram no passado e ainda prevalecem hoje.

Além disso, a catequese é necessária tanto para as crianças pequenas quanto para aqueles homens e mulheres que vieram para a Igreja para serem batizados e tornarem-se Cristãos Ortodoxos.
(…)
Espero que este trabalho também nos ajude a entender o grande valor de ser um membro da Igreja e ser um Cristão vivo, unido com Cristo, que é a cabeça da Igreja.

Escrito no dia 14 de Março de 1994, primeira Segunda-Feira da Quaresma, o período da Catequese. Arquimandrita Hierotheos S. Vlachos


Sobre a Apostila


Esta apostila é direcionada a jovens e adultos e foi criada tendo em mente a quase total ausência em língua portuguesa de livros sobre a fé ortodoxa escritos por autores católicos ortodoxos. É necessário termos um conhecimento da nossa fé que vá além do sentimento, tanto para os convertidos ao Catolicismo Ortodoxo quanto para os que cresceram em nossa fé. Utilizei como fonte, o livro “Catecismo Visual da Igreja Ortodoxa” escrito pelo respeitado Arcebispo Metropolita de Nafpaktos, HIEROTHEOS. O livro apresenta de forma bastante resumida a nossa fé, dando-nos uma inspiradora visão panorâmica que, espero, nos convidará a buscar outras obras para aprofundar assuntos que capturem nosso interesse.

Esta apostila não copia nem as imagens nem as notas do original, para preservar o interesse do leitor na sua compra. Mudei também a ordem de alguns textos, a divisão de temas e acrescentei ou alterei frases com o objetivo de criar a coesão e coerência num texto que já não conta com  apoios visuais. Ressalto, portanto, que esta não é exatamente a obra que o Metropolita escreveu, mas uma adaptação. Também acrescentei algumas informações necessárias aos desafios e necessidades específicos do público brasileiro, como menções ao fato de que a Igreja Católica Ortodoxa e a Igreja Católica Romana são igrejas diferentes e que não estão em comunhão.

Além do Catecismo do Bispo HIEROTHEOS, a apostila contém algumas orações ortodoxas típicas. Finalmente, adicionei alguns temas de comportamento, com um tanto de desagrado. A Igreja nunca deve ser local de moralismos e cuidadores da vida alheia. Mas nos tempos em que vivemos estes temas são tratados publicamente, e exige-se um posicionamento claro sobre eles.

Também está inclusa uma Regra de Oração, provisória até que o interessado possa definir uma específica com seu padre ou mentor espiritual. A vida cristã ortodoxa é em comunidade e exige que o interessado participe de uma comunidade, mesmo em seu caminho para a conversão. Caso não haja paróquia em sua cidade, deve contatar o padre da igreja mais próxima e esforçar-se para ir com a maior frequência possível. Se for realmente muito longe, deve tentar ir ao menos uma vez por ano.

Roguemos ao Senhor e pelas intercessões da Sempre-Virgem Maria para que esta apostila atue como semente para os corações interessados na conversão e para aqueles que, nascidos na fé ortodoxa, sentem que podem aprofundá-la. Que o Protomártir Santo Estevão e Nossa Senhora da Conceição roguem por nós e por todo nosso país, Santa Cruz do Brasil!
Leitor Fabio L. Leite.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Leitura da Semana 2015.02.22



14— Porque, se vocês perdoarem as pessoas que ofenderem vocês, o Pai de vocês, que está no céu, também perdoará vocês. 15Mas, se não perdoarem essas pessoas, o Pai de vocês também não perdoará as ofensas de vocês.
16— Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como fazem os hipócritas, pois eles fazem isso para todos saberem que eles estão jejuando. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eles já receberam a sua recompensa. 17Mas você, quando jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo 18para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o seu Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa.
19— Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. 20Pelo contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e roubá-las. 21Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.
Evangelho Segundo São Mateus 6:14-21

MEDITAÇÃO

Caríssimos,
no evangelho da semana, temos três ensinamentos importantes.

O primeiro, e muito esquecido, é que Deus não perdoa de forma incondicional. Esse é um ensinamento duro para nossos ouvidos educados na cultura de nossos tempos, mas é verdade. A boa notícia é que a condição que Deus nos impõe para sermos perdoados não é de cor, sexo ou prestígio social. Ele exige que para sermos perdoados temos que nós mesmos perdoar quem nos ofende. 

O segundo ensinamento é sobre a natureza do jejum. Jesus não diz *se* jejuarem, mas "quando* jejuarem. Fica implícito que seus seguidores irão com certeza jejuar em algum momento. Ainda nesse ensinamento encontramos o ensinamento sobre o valor da consciência individual humana. Nosso Senhor destaca que devemos ocultar da sociedade, das pessoas, as dores e sofrimentos do jejum, tendo apenas o Pai como testemunha. O jejum é uma disciplina onde, entre outras coisas, afirmamos nossa imagem e semelhança com o Deus único e pessoal. Niguém saberá se a pessoa comer um pedaço de carne escondido. Ninguém a não ser o Pai e a própria pessoa. O jejum é portanto um momento onde nos dedicamos a oração com mais intensidade, sem distrações dos prazeres da mesa, mas também um período onde podemos sentir com agudez a solidão do testemunho da consciência cristã individual, como Jesus sentiu ao ser incompreendido por toda a Sua vida, mesmo na Cruz e por vezes mesmo depois de Ressuscitado. Imagine a sensação de incompreensão de nosso Pai, nos dias de hoje, quando vários de Seus filhos amados o rejeitam, zombam dEle e lhes dão as costas. Durante o jejum, ao ocultarmos os seus sinais exteriores, podemos experimentar essas sensações.

O terceiro ensinamento é resumido na última frase: onde estiver suas riquezas, aí está o seu coração. Reparem que a Escritura não diz "onde está o seu coração, aí está a sua riqueza", mas o contrário. E por que? Porque é facil amar com sentimentos ou com palavras. Dizer que gosta disso ou daquilo, que apoia determina causa, que tem fé. Mas quem somos verdadeiramente se revela nas escolhas que fazemos. Que adianta falarmos que amamos Deus acima de todas as coisas, se, na hora de fazer uma escolha concreta, colocamos o domingão na praia acima da Igreja, o avanço na carreira acima dos mandamentos, o prazer momentâneo acima das virtudes que Deus pede de nós? Nossa "riqueza" representa as escolhas que fizemos e fazemos a todos os dias de nossa vida, as prioridades que determinamos para nós. Essas escolhas acumuladas são nossa "riqueza" e os valores que usamos para fazê-las revelam nosso coração, isto é, o centro de nossa alma e nosso caráter.  Aquilo que concretamente escolhemos entre as opções que temos é o que verdadeiramente amamos, e não aquilo que "sentimos" que amamos.

As escolhas que fizemos ontem determinam que somos hoje, e as de hoje determinam o que seremos amanhã. É assim que enquanto há vida, há esperança de mudança, não importando quão horríveis tenham sido nossas escolhas até agora. A partir de *agora* as escolhas podem e devem ser diferentes, colocando Deus no centro de nossa vida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Domingo do Filho Pródigo - Leitura do dia 08.02.2015

O Retorno do Filho Pródigo


E Jesus disse ainda: Um homem tinha dois filhos. Certo dia o mais moço disse ao pai: 
“Pai, quero que o senhor me dê agora a minha parte da herança.”
E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntou tudo o que era seu e partiu para um país que ficava muito longe.
Ali viveu uma vida cheia de pecado e desperdiçou tudo o que tinha. O rapaz já havia gastado tudo, quando houve uma grande fome naquele país, e ele começou a passar necessidade. Então procurou um dos moradores daquela terra e pediu ajuda. Este o mandou para a sua fazenda a fim de tratar dos porcos. Ali, com fome, ele tinha vontade de comer o que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. 
Caindo em si, ele pensou: 
“Quantos trabalhadores do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome! Vou voltar para a casa do meu pai e dizer: ‘Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho. Me aceite como um dos seus trabalhadores.’ ” 
Então saiu dali e voltou para a casa do pai.Quando o rapaz ainda estava longe de casa, o pai o avistou. E, com muita pena do filho, correu, e o abraçou, e beijou. E o filho disse: 
“Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!” 
Mas o pai ordenou aos empregados: 
“Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos seus pés. Também tragam e matem o bezerro gordo. Vamos começar a festejar porque este meu filho estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.”
E começaram a festa. Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando ele voltou e chegou perto da casa, ouviu a música e o barulho da dança. Então chamou um empregado e perguntou: 
“O que é que está acontecendo?” 
O empregado respondeu: 
“O seu irmão voltou para casa vivo e com saúde. Por isso o seu pai mandou matar o bezerro gordo.” 
O filho mais velho ficou zangado e não quis entrar. Então o pai veio para fora e insistiu com ele para que entrasse. 
Mas ele respondeu: 
“Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!” 
Então o pai respondeu: 
“Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. Mas era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.”
Evangelho Segundo São Lucas 15:11-32

MEDITAÇÃO

Caríssimos,

A parábola do Filho Pródigo que lemos acima é um resumo de toda a Bíblia e da obra de salvação. 

Nela vemos o filho pródigo, qual Adão e Eva cometendo uma desobodiência e um desrespeito ao seu pai. Como nós, exilados de seu lar original, desperdiça os dons concedidos e acaba vivendo na sujeira que representa o pecado e entre porcos que representam os demônios. Depois de um tempo indeterminado nessa condição, o filho pródigo se arrepende, se lembra de seu pai, abandona a sujeira e os porcos e retorna humilde para seu lar, disposto a ser um servo. Quando está quase chegando o pai corre para recebê-lo e não o recebe como servo ou escravo - que é o que ele mereceria pela justiça - mas pela misericórdia o recebe como filho e ainda por cima o cobre em vestes de luxo, que representam o corpo glorificado que receberemos após a ressurreição, lhe concede uma festa que representa a vida santa no mundo que há de vir.

O filho mais velho e reclamão, reparem, não entra na festa. Ele estava fora da casa e *ele* se recusou a entrar, apesar do pai convidá-lo para fazer isso. Ele representa todos aqueles que foram "fiéis" à Igreja, foram muito "pieodosos" mas seu coração sempre permaneceu de pedra e sem compaixão ou misericórdia. Ficar de fora da casa, representa que esse filho mais velho condena a si mesmo ao inferno, pois ele prefere ficar fora da casa do pai do que celebrar o retorno do seu irmão.

Isso deve nos fazer pensar duas coisas: a primeira é que muita gente que consideramos ruins poderão futuramente entrar no céu. Será que nossas magóas contra elas vão fazer que prefiramos ficar de fora do céu e da presença de nosso Pai, só para não convivermos com elas? Temos realmente que ter muito cuidado para amar a Deus acima de *todas* as coisas, pois se amarmos algo que está fora da casa do Pai mais do que ao Pai, ficaremos de fora para não nos separarmos dessa coisa ou pessoa. Se odiarmos algo ou alguém mais do que amamos a Deus, podemos deixar de entrar caso vejamos que a coisa ou pessoa está lá.

Outro fato importante é o que a parábola ensina sobre o arrependimento. Normalmente pensamos que a pessoa que perdoa é a parte ativa e que o arrependimento é algo passivo. A parábola mostra que é exatamente o contrário. O perdão é a parte passiva e o arrependimento a parte ativa. Nem mesmo Deus pode "receber" algo que nós não oferecemos. O filho arrependido primeiro toma a decisão de se separar da sujeira e dos porcos, toma as ações para isso, e caminha ativamente de volta para casa para entregar a si mesmo como escravo. Apenas aí o pai corre para aceitar a sua volta. Deus pode receber qualquer um, não importando o tamanho do que tenha feito antes. Mas a pessoa deve buscá-lo com todas as suas forças, isto é, com fé, decisão e ações que expressam essa fé e decisão de uma vida arrependida e contrita.

Igualmente, devemos diferenciar nossa vontade de perdoar as pessoas e a vontade delas de se arrepender. Como cristãos devemos sempre estar prontos a perdoar (sermos mansos como as pombas),mas sempre estarmos atentos também se a pessoa tem tomado as iniciativas ativas do arrependimento (sermos prudentes como as serpentes).

Que as bençãos de nosso Senhor Jesus Cristo estejam sempre sobre nós!