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domingo, 1 de maio de 2011

Financial Help for Orthodox Monastery in Recife, PB

Friends, please, read with attention the plea of Fr. Pedro I am reposting below. They need help to finish building the monastery. If you can help, please do. If you can't, pass it ahead so the message may find someone who can.


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Father Pedro's plea:

Dear Brothers and Sisters, Christ is Risen! Indeed He is Risen!

God bless you!

A year ago, we have begun to establish a Serbian Orthodox Monastery in Brazil with the blessing of His Grace, Bishop Mitrofan, who is the Serbian Orthodox Bishop of Eastern United States and South America. During the last year many things have been accomplished: an organic garden has been planted that will surround the monastery, the yard has been landscaped, some furniture has been repaired, new church-cloths have been made, a candle-factory room has been built, a back porch has been added, the external walls of the church and the monastery have received a new coat of paint, new books (spiritual readings) have been purchased, a car has been made available to the monastery, etc.

Recently, Bishop Mitrofan visited us. He decided that the property where the monastery is needs to be deeded in the name of the monastery before He blesses the monastery’s ground and formally establishes it as a monastery of the Diocese. Right now we are working to accomplish this.

Our difficulties and needs are many. For example, we need to build two new cells to receive those who want to become monks, a restroom for the needs of our guests, and a small bakery to support the monastery. Those people who want to make a donation toward this cause can do so by making a deposit in the name of the Brazilian monastery fund specified below.

The Saint Herman Brotherhood opened a non-profit account for our monastery. All who want to help us are able to do so and to deduct their donations on their tax returns.

Here is all the information that you need to make a donation:

Account name: Brazilian Monastery Fund

Address: PO box 70
 
Platina, CA 96076

Account No. 5994130523

Bank: Wells Fargo

Address: 1515 Pine Street

Redding, CA 96001

Bank Routing Number for wire transfers: 121000248

BIC (SWIFT code) WFBIUS6S

Please, pray for us and our monastery. May God bless and reward you many times more. Certainly He will never ever forget any good deeds done in His name. “For God is not unjust, to forget your work and labor of love which you showed to His name, ministering to the saints.” Hb. 6:10. Your prayers and support are true proof of your faith and love for God and your neighbor.

God bless you!
In His love,

Abbot Pedro, an unworthy servant of God

( ighumenpedro@yahoo.com )
http://www.igrejaservia.org










segunda-feira, 4 de abril de 2011

São Martinho de Braga

Caríssimos,


como disse em recente entrevista o Patriarca Bartolomeu I, "Antes do Grande Cisma de 1054, toda a Europa era Ortodoxa. "


Portugal, a pátria-mãe do Brasil, e de onde onde herdamos a fé cristã, também era católico ortodoxo durante todo o primeiro milênio.


Um grande santo ortodoxo do século VI, foi São Martinho de Dume, ou São Martinho de Braga. Nascido na Panónia, região onde hoje é a Hungria, recebeu educação romaica (bizantina), tendo viajado para o Oriente Médio onde familiarizou-se com o monaquismo. Compreendendo ter um chamado missionário na região que hoje é o norte de Portugal e parte da Galícia, viajou ao extremo Ocidente. Ali, foi responsável pela conversão dos bárbaros suevos, que até então eram arianos, para o catolicismo ortodoxo, pela primeira tradução para o latim dos "Dizeres dos Padres do Deserto", entre inúmeros outros livros, além de ter sido responsável por criar os nomes dos dias da semana em português, sendo a única língua européia que não dá nome de deuses pagãos para estes dias.


Abaixo, vejam uma das obras deste grande santo, educando os pagãos da região, bem como os cristãos recém-convertidos e que ainda se entregavam a feitiçarias e superstições.



De Correctione Rusticorum
Martinho de Braga – Carta ao Bispo Polémio
Ao digníssimo senhor e para mim muito querido irmão em Cristo, o bispo Polémio, Martinho, bispo.
[1] Recebi de sua santa caridade uma carta na qual me escreve que, para admoestação das gentes rurais, que continuam presas a antigas superstições de pagãos e prestam culto e veneram mais os demónios do que a Deus, te dirigisse por escrito algumas considerações, ao menos um resumo do muito que se poderia dizer, sobre a origem dos ídolos e das suas perversidades. Porém, porque se trata de proporcionar a jeito de exemplo, uma informação que para eles seja pertinente, ainda que breve, começando na criação do mundo, tornou-se-me necessário, em exposição condensada, de ligeiro resumo, abranger a floresta ingente dos momentos do passado e do que então aconteceu e preparar para gente rural alimento em linguagem rústica. Por isso mesmo, com a ajuda de Deus, será este o exórdio da tua pregação:
[2] Desejaríamos, filhos caríssimos, apresentar-vos, em nome do Senhor, algo de que ou nunca ouvistes falar, ou que, se porventura ouvistes, votastes ao esquecimento. Dirigimo-nos, por isso, à vossa caridade a fim de que, quanto vos é proposto para vossa salvação, o escuteis com a devida atenção. É verdade que é largo o desenvolvimento que segue pela via das Sagradas Escrituras, mas, para que retenhais ao menos alguma coisa na memória, dentre muitos ensinamentos confiamo-vos o pouco que se segue.
[3] Depois de, no princípio, ter Deus feito o céu e a terra, fez, naquela morada celeste, criaturas espirituais, isto é, os anjos, para estarem na sua presença e O louvarem. Um de entre eles, que, por ser o primeiro de todos, fora feito arcanjo, ao ver-se em tamanha glória, não prestou honra a Deus, seu criador, mas proclamou-se igual a Ele; foi por causa desta arrogância que, juntamente com outros anjos que lhe deram assentimento, foi derribado daquele assento celestial para o firmamento que fica debaixo do céu; e ele que antes era arcanjo perdeu a luz da sua glória e tornou-se em diabo tenebroso e horrível. De igual modo os outros anjos que lhe tinham dado assentimento foram com ele atirados para fora do céu e, perdendo o esplendor da sua glória, foram transformados em demónios. Porém, os restantes anjos, que se mantiveram submissos a Deus, continuam, na glória da sua claridade, na presença do Senhor, e são chamados anjos santos, enquanto aqueles que, com o seu príncipe Satã, pela sua arrogância foram expulsos, recebem o nome de anjos transviados ou demónios.
[4] Foi, portanto, depois desta queda dos anjos, que aprouve a Deus plasmar o homem do limo da terra; pô-lo no Paraíso e disse-lhe que, se observasse o preceito do Senhor, passaria, sem morrer, para aquele lugar celestial, de onde os anjos rebeldes tinham caído. Se, porém, transgredisse os mandamentos de Deus, teria morte certa. Vendo, pois, o diabo (ou os seus ministros, os demónios) que o homem tinha sido criado com um fim, que era o de ocupar o seu lugar, no reino de Deus de onde caíra, levado pela inveja, persuadiu o homem a transgredir as ordens de Deus. Por esta ofensa foi o homem expulso do Paraíso para o exílio deste mundo, onde haveria de padecer muitos trabalhos e dores.
[5] Ora, teve o primeiro homem o nome de Adão e sua mulher, que Deus criou da carne dele, recebeu o de Eva. Foi a partir destes dois seres humanos que se propagou o género humano. Esquecidos eles de Deus, seu Criador, praticaram muitos crimes e exasperaram a Deus até à indignação. Por tal motivo, Deus enviou o dilúvio e exterminou-os a todos, excepto a um homem justo, chamado Noé, a quem salvaguardou com seus filhos, para restabelecer o género humano. Ora, desde o primeiro homem, Adão, até ao dilúvio, decorreram dois mil duzentos e quarenta e dois anos.
[6] Após o dilúvio, de novo o género humano foi restabelecido pelos três filhos de Noé, preservados juntamente com suas mulheres. E, corno começasse a crescer a multidão, os homens, esquecendo-se outra vez de Deus criador do mundo, abandonaram o criador e começaram a prestar culto às criaturas. Uns adoravam o sol, outros a lua ou as estrelas, uns o fogo, outros a água profunda ou as fontes de água, julgando que todas estas coisas não tinham sido criadas por Deus para os homens delas se servirem, mas que elas próprias, criadas por si mesmas, eram deuses.
[7] Então o diabo e os seus ministros, os demónios, que tinham sido lançados fora do céu, vendo que os homens, na sua ignorância, haviam abandonado o seu Criador e andavam errantes pelas criaturas, começaram a aparecer-lhes em diversas formas, a falar com eles e a reclamar-lhes que lhes oferecessem sacrifícios no cimo dos montes e nas florestas frondosas e lhes prestassem culto como a Deus, disfarçando-se com nomes de homens criminosos, que tinham passado a sua vida em toda a sorte de crimes e delitos, de tal modo que um se dizia Júpiter, o qual tinha sido mago e tinha cometido tantos incestos que tivera por sua esposa a própria irmã, que se dizia Juno, violou as suas filhas, Minerva e Vénus, e, na sua torpeza, cometeu também incestos com netas e com todos os seus aparentados, enquanto que outro demónio se deu o nome de Marte e foi instigador de litígios e de discórdia. De seguida, outro demónio quis tomar para si o nome de Mercúrio, o qual foi um inventor astucioso, em tudo o que era de furto e de fraude; a este, qual deus do lucro, os homens gananciosos ao passarem pelas encruzilhadas, atiram pedradas e oferecem-lhe montões de pedras em sacrifício. Outro demónio ainda aplicou a si próprio o nome de Saturno, o qual, vivendo de todo o género de crueldades, devorava até os seus filhos logo ao nascerem. Outro demónio fingiu também que era Vénus, que tinha sido uma meretriz que não só se prostituiu com um sem número de homens, mas também com Júpiter, seu pai, e com Marte, seu irmão.
[8] Aí está quem foram, naquele tempo, esses homens desgraçados, aos quais, por seus expedientes mais que perniciosos, homens ignorantes dos campos honraram e cujos nomes, pois, os demónios se puseram a si próprios para lhes prestarem culto, como se fossem deuses, e imitarem as acções daqueles cujos nomes invocavam. Persuadiram-nos também os demónios a construírem-lhes templos, a colocarem aí imagens ou estátuas de homens criminosos e a levantarem-lhes altares onde lhes derramassem sangue não só de animais, mas até de seres humanos. Além disso, aliás, muitos demónios dos que foram expulsos do céu figuram como patronos, seja no mar seja nos rios seja nas fontes seja nas florestas, e há homens que, na sua ignorância de Deus, de modo semelhante, lhes prestam culto, como se fossem deuses e lhes oferecem sacrifícios. No mar, realmente, dão-lhes o nome de Neptuno, nos rios o de Lâmias nas fontes o de Ninfas, nos bosques o de Dianas, que tudo são demónios malignos e espíritos nefandos. São eles quem faz mal e atormenta os homens sem fé, que não sabem munir-se do sinal da cruz. Todavia, não lhes fazem mal sem permissão de Deus, porque Deus está irado com eles. E eles não crêem na fé de Cristo com todo o coração, mas vivem de tal forma equivocados que até para cada dia da semana invocam nomes de demónios, chamando-lhes dia de Marte, de Mercúrio, de Júpiter, de Vénus, de Saturno, que nunca fizeram dia algum, mas foram homens muito maus e criminosos entre as gentes dos Gregos.
[9] Ora, foi Deus omnipotente, quando fez o céu e a terra, quem criou então a luz; e foi para diferenciar as obras de Deus que esta foi posta a perfazer sete revoluções. De facto, na primeira, fez Deus a luz, que recebeu o nome de dia; na segunda, foi feito o firmamento do céu; na terceira, a terra foi separada do mar; na quarta, foram feitos o sol, a lua e as estrelas; na quinta, os quadrúpedes, os voláteis e os animais aquáticos; na sexta, foi plasmado o homem; ao sétimo dia, porém, depois de completado o mundo todo e o seu ornamento, deu-lhe Deus o nome de descanso. Uma Única e mesma luz, pois, que foi a primeira a ser criada nas obras de Deus, ao fazer a revolução sete vezes, para diferenciar as obras de Deus, recebeu o nome de se(pti)mana. Que loucura é, pois, essa que um homem baptizado na fé de Cristo não cultua o dia de domingo, em que Cristo ressuscitou, e afirma cultuar o dia de Júpiter, de Mercúrio, de Vénus e de Saturno, que não são senhores de qualquer dia, antes foram adúlteros, magos e iníquos e morreram com má reputação na sua pátria? Pelo contrário, como dissemos, sob o disfarce desses nomes é prestada honra e veneração a demónios, por homens estultos.
[10] De igual modo, um outro embuste se intrometeu em homens ignorantes dos campos para pensarem que o início do ano são as calendas de Janeiro, o que é uma falsidade total e completa. Na verdade, segundo diz a Escritura santa, o início do primeiro ano ocorreu a oito das calendas de Abril no equinócio. Assim, com efeito, se lê: e fez Deus a divisão entre a luz e as trevas. Ora, toda a divisão perfeita pressupõe igualdade, tal como acontece a oito das calendas de Abril em que o dia tem tantas horas como a noite. E por isso é falso que o começo do ano sejam as calendas de Janeiro.
[11] Já agora, que há que dizer, não sem mágoa, de um estultíssimo erro que leva a observarem os dias das lagartas e dos ratos e, se é que é permitido dizê-lo, leva um homem cristão a venerar ratos e lagartas em vez de Deus? Se com o resguardo de uma cuba ou de uma gaveta, não se lhes subtrai um pão ou um pano, de forma alguma, por lhes serem dedicados uns dias de festa, eles pouparão o que encontrarem. Sem razão, aliás, arranja esse pobre homem tais prognósticos, como o de que, por no começo do ano ter em tudo fartura e prosperidade, assim também lhe tocará todo o ano. Todas essas observâncias dos pagãos são maquinadas por estratagemas dos demónios. Mas ai daquele homem a quem Deus não for favorável e não houver dado abastança de pão e segurança de vida! Eis que estas vãs superstições vós as praticais quer às ocultas quer às claras. E nunca cessais de fazer estes sacrifícios dos demónios. Então, porque não vos proporcionam que tenhais sempre fartura, segurança e prosperidade? Porque é que, quando Deus se indigna, esses sacrifícios são inúteis para vos defenderem de gafanhotos, ratos e outras muitas atribulações que Deus vos manda na sua indignação?
[12] Não está claro para a vossa compreensão que os demónios vos mentem nessas vossas observâncias que em vão praticais e que vos enganam com os augúrios a que prestais atenção com tanta frequência? Na verdade, como diz Salomão em sua grande sabedoria: adivinhações e augúrios são coisas vãs; e quanto mais andar inquieto o homem com elas, tanto mais vive no engano o seu coração. Não lances neles o teu coração porque arruinaram a muitos. Eis que é a Escritura Sagrada que o diz, e é bem verdade assim, pois que os demónios tantas vezes persuadem os homens na sua infelicidade através do piar das aves que, por coisas frívolas e vãs perdem a fé de Cristo, e, sem se aperceberem, caem no abismo da sua morte. Não mandou Deus que o homem conhecesse o futuro, mas que, vivendo sempre no seu temor, esperasse d ‘Ele orientação e auxílio para a sua vida. Só a Deus pertence saber algo antes que isso aconteça; aos homens insensatos, porém, os demónios enganam-nos com diversos argumentos até os levarem a ofender a Deus e arrastarem consigo as almas deles para o inferno, como desde o início fizeram por inveja da sua parte, para o homem não entrar no reino dos céus, do qual eles foram expulsos.
[13] Foi também por esta razão que, quando Deus viu os homens na sua infelicidade de tal modo enganados pelo diabo e seus anjos maus que, esquecidos do seu Criador adoravam os demónios por Deus, enviou Ele o seu Filho, isto é, a sua Sabedoria e o seu Verbo, a fim de os retirar do engano diabólico para o culto do verdadeiro Deus. E como a divindade do Filho de Deus não podia ser vista pelos homens, tomou carne humana do seio da Virgem Maria, concebida não da união com um homem, mas do Espírito Santo. Tendo, pois, o Filho de Deus nascido em carne humana, escondendo por dentro a Deus invisível, enquanto por fora ficava visível o homem, pregou aos homens; ensinou-lhes que abandonassem os ídolos e as obras más, saíssem do poder do diabo e voltassem ao culto do seu Criador. Depois de ter completado o seu ensino, quis deixar-se morrer pelo género humano. Sofreu a morte voluntariamente, sem ser forçado; foi crucificado pelos judeus, a julgamento de Pôncio Pilatos, que, sendo originário do Ponto, naquela altura estava à frente da província da Síria; deposto da cruz, foi colocado num sepulcro; ao terceiro dia ressuscitou vivo dos mortos e durante quarenta dias conviveu com os seus doze discípulos, e, para demonstrar bem que era verdadeira a carne que tinha ressuscitado, comeu perante os seus discípulos depois da ressurreição. Passados, porém, quarenta dias, ordenou aos seus discípulos que anunciassem a todos os povos a ressurreição do Filho de Deus e os baptizassem em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, para remissão dos pecados, e ensinassem os que tivessem sido baptizados a afastarem-se das más acções, i.e., dos ídolos, de homicídio, de furtos, de perjúrio, de fornicação, e que aquilo que não queriam que lhes fizessem a eles não o fizessem aos outros. E depois de ter ensinado isto, à vista dos seus discípulos, subiu ao céu e aí está à direita do Pai, e daí, no final deste mundo, há-de vir com a mesma carne que levou consigo para o céu.
[14] Quando, porém, vier o fim deste mundo, todos os povos e todo o homem cuja origem procede dos primeiros seres humanos, isto é, de Adão e Eva, todos ressuscitarão tanto bons como maus; e todos hão de vir ante o tribunal de Cristo. E, nessa altura, aqueles que durante a sua vida foram bons fiéis serão separados dos maus e entrarão no reino de Deus com os santos anjos. E as almas deles ficarão, com a sua carne, no descanso eterno, para não morrerem mais. Aí já não haverá para eles nem fadiga nem dor nem tristeza, não haverá fome ou sede, nem calor ou frio, nem trevas ou noite, mas, viverão sempre na alegria e na abundância. Em luz e glória, serão semelhantes aos anjos de Deus, pois mereceram ter entrada naquele lugar de onde caiu o diabo com os anjos que a ele deram assentimento. Aí, pois, permanecem eternamente todos aqueles que ficaram fiéis a Deus. Com efeito, os que não tiveram fé ou os que não foram baptizados, ou por outro lado os que, tendo-o sido realmente, depois do baptismo de novo voltaram aos ídolos e a homicídios, ou a adultérios e augúrios ou a perjúrios e outras más acções e morreram sem penitência, todos os que assim forem encontrados serão condenados com o diabo, e com todos os demónios a quem cultuaram e cujas obras fizeram, e são metidos, com a sua carne, em fogo eterno, no inferno, onde um braseiro inextinguível está perpetuamente vivo e onde essa carne, já recebida da ressurreição, por entre gemidos, é atormentada eternamente. Deseja morrer de novo, para não sentir os castigos, mas não é permitido morrer, a fim de sofrer torturas eternas. Eis o que diz a lei, o que dizem os profetas, o que o Evangelho de Cristo, o que o Apóstolo e o que a Escritura Santa toda atestam, e é isto que nós agora vos resumimos ao mínimo e com termos simples. A vós, filhos caríssimos, a partir daqui pertence recordar o que por nós acaba de ser dito e, ou, agindo bem, esperar o repouso futuro no reino dos céus, ou (que isso não aconteça!), agindo mal, aguardar que haverá um fogo perpétuo. Com efeito, quer a vida eterna, quer a morte eterna são deixados ao arbítrio do homem. O que cada um escolher para si próprio, isso terá.
[15] Vós, pois, homens crentes, que tivestes acesso ao baptismo, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, considerai que pacto fizestes com Deus nesse mesmo baptismo. Com efeito, quando cada um de vós deu o nome junto das fontes, por exemplo, Pedro ou João ou qualquer outro nome, foi-vos perguntado assim pelo sacerdote: «Como te chamas?» Respondeste ou tu, se já podias responder, ou, ao menos quem por ti testemunhou, quem estava a acolher-te da fonte, dizendo: «Chama-se João». E perguntou o sacerdote: «João, renuncias ao diabo e aos seus anjos, aos seus cultos e ídolos, a roubar e a enganar que são coisas dele, à fornicação e à embriaguez que vêm dele, e a todas as suas obras más?» E respondeste: «Renuncio». Depois desta renúncia ao diabo, de novo foste interrogado pelo sacerdote: «Crês em Deus Pai omnipotente?» respondeste: «Creio». «E em Jesus Cristo, seu único Filho, Senhor nosso, que nasceu, pelo Espírito Santo, da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado e sepultado, ao terceiro dia ressuscitou vivo dos mortos, subiu aos céus, está sentado à direita do Pai de onde há-de vir julgar os vivos e os mortos, crês?» E respondeste: «Creio». E de novo te foi perguntado: «Crês no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na remissão de todos os pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna?» E respondeste: «Creio». Eis, pois! Tende em conta que pacto fizestes com Deus no baptismo: prometestes renunciar ao diabo e aos seus anjos e a todas as suas obras más, e confessastes que acreditáveis no Pai e no Filho e no Espírito Santo e que esperáveis no fim dos séculos a ressurreição e a vida eterna.
[16] Eis qual o vosso penhor e confissão que se guarda junto de Deus! Como é que alguns de vós, que renunciaram ao demónio e aos seus anjos, e aos seus cultos e às suas obras más, agora voltam ao culto do diabo? Pois acender velinhas a pedras, a árvores e a fontes e pelas encruzilhadas, o que é isso senão culto ao diabo? Observar adivinhações, augúrios e dias dos ídolos, que outra coisa é senão cultuar o diabo? Observar Vulcanálias e Calendas, ornar mesas, pôr louros, fazer observância do pé e derramar grãos e vinho no fogo, sobre um tronco, ou atirar com pão para a fonte, que outra coisa é senão culto do diabo? As mulheres invocarem Minerva no tear, e observarem o dia de Vénus para o casamento, e atenderem ao dia em que se sai para viajar, que outra coisa é senão culto do diabo? Fazer encantamentos de ervas para malefícios e invocar os nomes dos demónios com encantamentos, que outra coisa é senão culto ao diabo? E há muito mais que seria demorado enumerar. Eis que tudo isto fazeis depois de renúncia ao diabo, após o baptismo, e, tornando ao culto dos demónios e às más acções da idolatria, já violastes a vossa fé e já rompestes com o pacto que fizestes com Deus. Deixastes de lado o sinal da cruz que recebestes no baptismo e apegais-vos a outros sinais do diabo, por aves e espirros e muitas outras coisas. Porque é que a mim, ou a qualquer outro cristão praticante, não faz mal um augúrio? Porque, onde tiver primazia o sinal da cruz, o sinal do diabo não é nada. Porque vos faz mal a vós? Porque desprezais o sinal da cruz e receais aquilo que vós próprios preparastes como sinal. Do mesmo modo pusestes de lado o encantamento sagrado que é o símbolo que no baptismo recebestes e que é Creio em Deus Pai omnipotente e a oração dominical, i. é, Pai nosso que estás nos céus, e atendes-vos a encantamentos e ensalmos do diabo. Quem quer que despreze o sinal da cruz de Cristo e volte a olhar para esses sinais, já perdeu o sinal da cruz que recebeu no baptismo. O mesmo se passa com aquele que se atém a outros sortilégios congeminados por magos e homens de mal; ao sortilégio do símbolo santo e da oração dominical que recebeu com a fé de Cristo, já o perdeu e calcou aos pés a fé de Cristo, pois não se pode cultuar ao mesmo tempo a Deus a ao diabo.
[17] Se, pois, filhos muito amados, compreendestes tudo isto que vos acabamos de dizer, se alguém reconhece que, depois de recebido o baptismo, fez estas coisas e rompeu com a fé de Cristo, não desespere de si nem diga no seu coração: «Como fiz tantas coisas más depois do baptismo, talvez Deus não me perdoe os meus pecados». Não duvides da misericórdia de Deus. Basta que tu, no teu coração, faças com Deus um pacto de nunca mais cultuar o que é próprio do demónio e não adorar nada a não ser o Deus do céu nem cometer homicídio nem adultério ou fornicação, não praticar furto e não fazer perjúrios. E quando tu de todo o coração prometeres isto a Deus e daí em diante não cometeres estes pecados, espera confiadamente o perdão de Deus, pois assim disse o Senhor pelo texto do Profeta: qualquer que seja o dia em que o pecador esquecer as suas iniquidades e praticar a justiça, também eu esquecerei todas as suas iniquidades. Deus, pois, espera por penitência. Esta é, porém, a verdadeira penitência: que o homem nunca mais cometa os erros que cometeu, mas peça indulgência para os pecados anteriores e se acautele quanto ao futuro para não voltar de novo a eles, mas, antes, pelo contrário, pratique boas obras e dê esmola aos pobres, restaure as forças ao estranho cansado e tudo quanto gostaria que lhe fosse feito a ele por outro ele o faça a outrem e o que não gostaria que lhe fizessem a ele não o faça a outrem, porque nesta palavra se cumprem os mandamentos de Deus.
[18] Por isso vos rogamos, irmãos muito queridos, que retenhais na memória estes preceitos que Deus, por nós, humílimos e exíguos, se digna dar-vos e penseis como haveis de salvar as vossas almas, de tal modo que não trateis unicamente das coisas transitórias, ainda que úteis, deste mundo, mas antes recordeis aquilo em que no símbolo prometestes acreditar, isto é, na ressurreição da carne e na vida eterna. Se, pois, acreditastes e continuais a acreditar que haverá ressurreição da carne e vida eterna no reino dos céus entre os anjos de Deus, como já acima vos dissemos, pensai o mais que puderdes nisso e não sempre na miséria do mundo. Preparai o vosso caminho com boas acções. Sede assíduos a orar a Deus, na igreja ou em locais dedicados aos santos. O dia do Senhor, que, por isso mesmo se chama domingo, dado que o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, nele ressuscitou dos mortos, não o desrespeiteis mas cultuai-o com reverência. Trabalho servil, i. é, cuidar do campo, do prado, da vinha, ao menos enquanto se trata de trabalho pesado, não o façais em dia de domingo, exceptuando apenas o que respeita aos afazeres da cozinha para satisfazer as necessidades do corpo e a necessidade de uma longa viagem. No dia do Senhor é permitido ir a sítios próximos, mas não para ocasiões de pecado, antes de boas acções, como seja, ir a locais santos, visitar um irmão ou amigo, assistir um doente ou levar um bom conselho a um atribulado ou ajuda para boa causa. É assim, pois, que convém que o homem cristão venere o dia do Senhor. Na verdade seria por demais iníquo e vergonhoso que aqueles que são pagãos e ignoram a fé de Cristo, porque prestam culto aos ídolos dos demónios, cultuem o dia de Júpiter ou de qualquer outro demónio, e se abstenham de trabalhos quando é sabido que nunca os demónios criaram qualquer dia ou ele lhes pertence e nós, que adoramos o verdadeiro Deus e cremos que o Filho de Deus ressuscitou dos mortos, quanto ao dia da sua ressurreição, ou seja, o domingo, não o respeitássemos minimamente! Não façais, pois, injúria à ressurreição do Senhor, mas homai-a e cultuai-a com reverência, pela esperança que temos relativamente a ela. Na verdade, assim como Ele, Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, que é a nossa cabeça, ao terceiro dia ressuscitou dos mortos na sua carne, assim também nós, que somos seus membros, esperamos vir a ressuscitar na nossa carne, no fim do mundo, a fim de cada qual receber ou o descanso eterno ou a pena eterna; consoante procedeu com o seu corpo neste século, assim receba.
[19] Eis como nós, tomando como testemunhas a Deus e os santos anjos que nos ouvem, pelo uso que agora fazemos da palavra, satisfazemos a nossa dívida para com a vossa caridade, e como, da riqueza do Senhor, tal como nos está preceituado, vos fazemos penhor. Cabe-vos a vós agora pensar e procurar como cada um a quanto recebeu irá apresentá-lo com juros quando o Senhor vier no dia de juízo. Rogamos, pois, à clemência do Senhor, que vos proteja de todo o mal e vos faça dignos companheiros dos seus santos anjos, no seu reino. Isso vos conceda Aquele que vive e reina pelos séculos dos séculos. Ámen.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ENCÍCLICA PASTORAL por ocasião da celebração do Nascimento, na Carne, de Nosso Senhor Jesus Cristo, nascido em um Presépio, para a salvação do mundo



PROT. Nº 1663
† TARASIOS
PELA MISERICÓRDIA DE DEUS,
ARCEBISPO METROPOLITANO DE BUENOS AIRES,
PRIMAZ E EXARCA DA AMÉRICA DO SUL
A TODO O CLERO E A TODA GREI DA SACRA ARQUIDIOCESE
DE BUENOS AIRES E AMÉRICA DO SUL:
Que a Graça, a misericórdia e o amor de Cristo Salvador,
nascido em Belém, estejam com todos vós.


«Preparai um plano, e ele malogrará; dai ordens e elas não serão executadas, porque Deus está conosco. » (Is. 8,10)
PROÊMIO
A realidade deste tempo, destes santos doze dias, se dá a conhecer de maneira clara pelo Nome daquele Menino nascido em Belém; “Emanuel”, Deus conosco. Com efeito, toda a realidade deste mistério salvífico que comemoramos nestes dias se condensa no nome de seu homenageado, Jesus Cristo: Deus que se faz homem para que os homens possam ser libertos da maldição do pecado dos primeiros pais.
AS CRISES COMO CONSEQÜÊNCIAS DA QUEDA
Assim, queridos filhos, desejamos interpretar todos os eventos que envolvem a Natividade, pela ótica de seu Nome. Estamos vivendo tempos complexos, tempos de crise, tempos de incertezas, tempos de conflitos nos quais, em muitos lugares deste mundo, torna-se até mesmo difícil visualizar um futuro promissor. A crise está generalizada, mas em alguns lugares da Europa, tão caros a nós como a Grécia, ela se apresenta mais aguda, ganhando dimensões desafiadoras. A crise econômica gera outras crises de diversas naturezas, transformando o cenário em um complexo quebra-cabeça, em fatores e vicissitudes de difíceis resoluções. Não obstante, por causa da globalização, esta crise chega até nós e nos influencia em nossa realidade, direta ou indiretamente.
Como bem sabemos, as crises existem tanto quanto os homens. As crises, em todos os âmbitos, são conseqüências dos processos involutivos ou evolutivos, marcando hiatos na história do homem que oscila entre a evolução e a involução, entre a perfeição e a perdição, entre a salvação e o nada. As crises são realidades próprias do homem caído, do homem afastado de Deus, resultado da ação dos primeiros pais Adão e Eva. Desde então, a humanidade, mergulhada na profunda ambivalência, se encontra transitando em crises de toda espécie, interior e exterior, espiritual, religiosa, ética e moral; crise social e cultural, econômica, enfim, em todas as facetas da existência.
As crises refletem determinados sintomas e apontam para certas patologias. A patologia do homem é o afastamento de Deus. Quando a criação se distancia de maneira consciente e voluntária de seu Criador, as conseqüências são o pecado, a corrupção e a morte. Nós, filhos dessa humanidade, suportamos as conseqüências do pecado dos primeiros pais e, conseqüentemente, estamos submersos na voraz crise, própria do homem nesta situação. Este distanciamento adâmico adquire dimensões que repercutem em toda natureza do homem. Não é apenas uma falta moral, não se trata de um simples erro provocado por uma tentação de caráter ético; é muito mais grave. Desde aquele momento, o homem começou a conhecer e a experimentar em sua própria existência, a dor, o sofrimento, o pecado, a solidão e, por fim, a morte. A queda de Adão é o início de todas as crises do homem. É o hiato que marca um antes e um depois na história da relação do homem com Deus na História da Divina Providência. A partir deste momento, o homem afastado de Deus começa uma história de dramas e tragédias, um desterro em sua própria terra.
UM MENINO: A PROMESSA QUE PÕE FIM À CRISE DO HOMEM
Contudo, Deus em sua imensa misericórdia, promete a sua humanidade que sofre crises entre crise por causa da maldição de Adão:


«Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá». (Is. 11,6)
A promessa é um Menino «Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor. {Sua alegria se encontrará no temor ao Senhor.} Ele não julgará pelas aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer; mas julgará os fracos com eqüidade, fará justiça aos pobres da terra, ferirá o homem impetuoso com uma sentença de sua boca, e com o sopro dos seus lábios fará morrer o ímpio. A justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos» (Is.11, 2-5). Este Menino é Deus feito homem, é o Emanuel, Deus conosco.
Com efeito, Deus ad-viene “vem até nós”, desce até nossa fragilidade e a toma em sua carne para poder curá-la em sua natureza divina. Deus está pois conosco. Mais ainda, Deus está em nós.
Emanuel é o nome de Deus que “desce até nós” e se faz visível, pobre e quase imperceptível para que nós não permaneçamos mais  nesta crise perene que produz outros desajustes em todo ambito da vida. Emanuel é o Deus que vem curar, libertar, desatar, pacificar, unir, perdoar, salvar, redimir. Emanuel é o Deus que ama e que se faz vitima por amor a sua Criação que sofre.
Este Menino é o enviado que tornar-se-á o Mediador entre o Criador e os homens; Ele é o princípio do diálogo; é a promessa de salvação feita realidade; a ponte que nos leva a Deus; a boca de Deus; o perdão e a remissão encarnada; a saúde do gênero humano realizada na carne da própria condecendência divina; o autor  e ator de nossa perfeição, paradigma, exemplo e axioma da vida reconstituída, elevada e unida à natureza divina.
Este é o Emanuel, o Menino-Promessa; é o Deus conosco!
EXORTAÇÃO FINAL E DESPEDIDA
Queridos Filhos,
Enviamos a todos esta mensagem de esperança neste tempo de graça: Sim, Deus está conosco! Não temamos os planos dos poderosos da terra; não temamos as circustâncias que nos cercam; não temamos o futuro incerto; não temamos a nada e nem a ninguém, porque Deus está conosco!
Assim, exortamo-vos do fundo de nosso coração: voltemos a Deus, voltemos a nosso Pai, como  o filho pródigo, arrependidos, compungidos, com plena certeza do perdão. Não temamos retornar, não temamos revelar e confessar nossas faltas, não temamos o castigo; ao contrário, esperemos em sua misericórdia, em seu perdão, em seu auxílio, em seu amor.
Conclamamo-vos fervorosa e intensamente que a Natividade seja festejada de maneira austera, simples, com devoção e arrependimento: nada disso tirará o clima festivo da ocasião, ao contrário, marcará profundamente o quanto estaremos colocando em prática o mandato de Quem festejamos o nascimento.
Assim mesmo, pedimos que a oração seja o centro destes doces dias; rezemos para que Deus mostre sua misericórdia por nossas faltas, por nossos erros e conceda-nos o dom do arrependimento, a paz na alma, a pacificação das nações, e que faça justiça a todos e, em última instância, se revele uma vez mais e nos mostre o caminho que devemos seguir e que se cumpra outra vez a profecia:
«Naquele tempo, o rebento de Jessé, posto como estandarte para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será a sua morada». (Is 11,10)
Com esta mensagem de esperança e de plena certeza de que Deus de amor uma vez mais nos visitará em sua comiseração, nos despedimos de todos vós, filhos amados no Senhor, invocando sobre todos a Misericórdia, a Graça e o amor de Jesus Cristo, Deus e Homem, nascido segundo a carne em Belém da Judéia; a Ele sejam dadas a glória,a honra e a adoração, pelos séculos dos séculos.

Da Sede Arquidiocesana, Natividade de 2010.
O METROPOLITA
† T A R A S I O S
Arcebispo de Buenos Aires
Primaz e Exarca da América do Sul

Breves Reflexões sobre a situação da Ortodoxia na América do Sul



Cada um de nós ortodoxos vive em seu próprio mundo e pratica sua fé dentro de um vácuo, um vazio. Lutando para sobreviver, não se pode ocupar-se muito da vida espiritual e comunitária dentro da Igreja. Usamos muitoa a "economia"(1) - um dispensação especial - para acomodar os fiéis e suas necessidades e assim poder superar os problemas; por isso quando chegamos a um problema de força maior, canônico e significativo, nos encontramos em dificuldade. Ecumenicamente, com a Igreja Católica Romana temos as melhores relações e tratamos de criar espaços de cooperação. Com as igrejas protestantes tradicionais e clássicas temos relações fraternais, dentro do âmbito ecumênico que nos concede o Conselho Mundial de Igrejas - CMI, e a Comissão Ecumênica de Igrejas Cristãs da Argentina -- CEICA, organizações nas quais participa o nosso patriarcado e nossa arquidiocese respectivamente. 

Nosso rebanho está cada vez mais distante da fé e da tradição ortodoxa. Não sabem como viver sua fé ortodoxa, não porque nós do clero não estamos presentes, ou porque não os assistimos pessoalmente, mas porque falta uma relação mais verdadeira com Deus, com Cristo, e com a igreja institucional. Isto não é um problema particular dos Ortodoxos, mas sim de todas as religiões institucionais. Os problemas e escândalos que açoitam o corpo de Cristo e que são produzidos por falta de testemunho destes mesmos clérigos, são também causa deste distanciamento dos nossos fiéis. É um sinal dos tempos que devemos aprender a superar com muito trabalho, profundo testemunho e sacrifício, e com muita disciplina para viver dignamente e com zelo nossa fé ortodoxa, ou de outra maneira não conseguiremos continuar a existir por muito tempo na América Latina. 

Não vivemos mais em pequenos povoados: vivemos em grandes cidades e absorvidos em uma profunda globalização. Assim mesmo as coletividades possuem grandes dificuldades para se identificarem com a Ortodoxia, e também a Ortodoxia não sabe como identificar-se (modificar-se), com eles. É por isso que em geral não apóiam a Igreja e não compreendem porque deveriam apoiá-la. Não obstante, continuam requisitando os serviços eclesiásticos através de sacerdotes bem preparados, capazes e de grande experiência e nível pastoral, embora a Igreja não tenha como resolver o problema da formação dos sacerdotes de maneiro local, nem, consequentemente, estabelecer programas de catequese e pastoral para satisfazer convenientemente a nosa gente, que por uma lado parace estar perdida ou nem mesmo interessada, e por outro tem muita sede, sede que apenas a Ortodoxia - acreditamos - pode saciar, se é que verdadeiramente somos a religião do III milênio como disse Sir Steven Runciman. 

Tudo isto no coloca em uma época que está cheia de desafios: cabe a nós querer enfrentá-los com coração, mente e espírito abertos e observando os sinais e símbolos dos tempos e dos céus. 

(1) Nota do Tradutor - Sua Eminência está se referindo aqui aos conceitos de "akribéia" e "economia" conforme existem na Igreja. A akribéia é a exatidão do ensinamento e regra da Igreja e a economia é a sua flexibilização em face de algum evento particular. Por exemplo, pela exatidão (akribéia), todos os não Ortodoxos que se convertam à Ortodoxia deveriam ser batizados, venham de que igreja venham. Por economia, entretanto, aqueles que vem de igrejas nas quais é realizado um rito com água, evocação do Pai, do Filho e do Espírito santo, com imersão ou aspersão, costumam ser aceitos apenas com o crisma. A akribéia é como ter uma refeição perfeita, que supra todas as nossas necessidades alimentares. A economia é como ter uma refeição um pouco mais pobre em termos nutricionais, mas é "o que dá pra fazer".