quinta-feira, 22 de abril de 2010

Assembléia Episcopal das Igrejas Ortodoxas da América do Sul







Os dias 16 a 18 de abril marcaram a história da Igreja Ortodoxa na América do Sul, pela realização da “Primeira Assembléia Episcopal das Igrejas Ortodoxas da América do Sul”, na sede do Arcebispado Antioqueno de São Paulo (Brasil), sendo anfitrião da mesma S.E.R. Monsenhor Damaskinos. Participaram da dita reunião os bispos de todas as Igrejas Ortodoxas (Patriarcado de Constantinopla, Patriarcado de Antioquia, Patriarcado de Moscou e Patriarcado da Romênia), contando com a presença de 10 hierarcas, faltando unicamente o bispo do Patriarcado da Sérbia, por sua participação na reunião do Santo Sínodo Sérvio. (*)

O objetivo da Assembléia foi implementar o resultado da 4ª Conferência Episcopal de Chambésy (Suíça) em 2009, das Igrejas Ortodoxas com vistas a criar em todo o mundo Assembléias de Bispos para um maior testemunho da Ortodoxia e para coordenar o trabalho em conjunto em diferentes áreas (educação, catequese, traduções de textos litúrgicos, relações com as autoridades públicas, etc.). Na reunião se tratou da adoção de uma versão em espanhol dos documentos aprovados em Chambésy, e se apresentou a situação de cada Igreja Ortodoxa na América do Sul. A Assembléia estabeleceu um Comitê Executivo, cujos integrantes são S.E.R. Monsenhores: Atenágoras do México (Presidente, Patriarcado de Constantinopla), Antônio do México (1º Vice-presidente, Patriarcado de Antioquia), Platão de Buenos Aires (2º Vice-Presidente, Patriarcado de Moscou), Siluan de Buenos Aires (Secretário, Patriarcado de Antioquia), e Tarásios de Buenos Aires (Membro, Patriarcado de Constantinopla). Ao finalizar as deliberações, a Assembléia elevou uma série de recomendações com o fim de serem tratadas a nível inter-ortodoxo.
Sem dúvidas, o ápice da reunião foi a celebração da Divina Liturgia dominical na Catedral Antioquena de São Paulo, que contou com a participação de todas as comunidades ortodoxas de São Paulo, e dignatários representando as várias autoridades, tanto públicas como religiosas e sociais.

A Assembléia saudou especialmente ao Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, pela diligência e deferência que demonstrou ao expressar, através de um comunicado dirigido à Assembléia, palavras pelo êxito desta primeira reunião e desejos de bons frutos a favor das comunidades em toda a América do Sul. Também, a Assembléia agradeceu a S.E.R. Monsenhor Damaskinos, por sua fraternal acolhida, hospitalidade e diligência na organização e também a todas as entidades da coletividade sírio-libanesa de São Paulo pelo carinho e pela atenção para com os participantes da Assembléia.

Arquidiócesis de México, Venezuela, Centroamérica y el Caribe

(*) Não estiveram presentes também os bispos representantes da Igreja Ortodoxa da Polônia, que possui diocese no Brasil sediada no Rio de Janeiro, por falha de comunicação na organização da Assembléia.  A chancelaria da Arquidiocese Mexicana do Patriarcado de Constantinopla emitiu nota desculpando-se pela falha.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Patriarcado Ecumênico: Não omitimos os hierarcas poloneses de propósito

por Michal Kalina
tradução Fabio L. Leite
http://www.cerkiew.pl/index.php?id=968&tx_ttnews[tt_news]=13000&tx_ttnews[backPid]=419&cHash=e10b7e080a

Em resposta à informação sobre a omissão dos hierarcas da diocese brasileira da Igreja Ortodoxa da Polônia da Assembléia Epicospal dos Bispos Ortodoxos da América do Sul, a chancelaria do Metropolita Atenágoras do México afirmou que não foi intencional. O padre Peter DiLeo-Vulic explicou que isso aconteceu por falta de informações mais detalhadas sobre a diocese Ortodoxa Polonesa no Brasil.

O padre DiLeo-Vulic enfatizou que o Metropolita Atenágoras, que é o responsável pela organização do encontro realizou todos os esforços para garantir que todos os bispos da América do Sul fossem informados sobre a reunião. Ele acrescentou que esta situação destaca a necessidade de tais encontros, porque a coexistência no mesmo território de dúzias de jurisdições ortodoxas canônicas e não canônicas provoca confusões.

Mensagem Pascal dos Bispos Ortodoxos da Polônia

Mensagem Pascal do Santo Sínodo dos Bispos da Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia para os veneráveis clérigos, reverendos monges e para todos os fiéis.

http://ortodoxia-brasil.blogspot.com/2010/04/mensagem-pascal-do-santo-sinodo-dos.html




“Vinde todos fiéis,

reverenciar a Santa Ressurreição de Cristo,

pois eis que pela cruz chegou a alegria ao mundo inteiro"




CRISTO RESSUSCITOU!





“Jesus saiu do túmulo como havia predito...” e nós, hoje, tendo consciência desta verdade comemoramos este dia pleno de luz que é a Santa Páscoa e inclinamo-nos diante da luz da Ressurreição de Cristo dentre os mortos, o Doador da Vida, que destruiu o inferno e a morte e deu-nos a vida eterna.





A Ele pertence a glória e o poder pelos séculos dos séculos!, pois que nesta santa e salvífica noite ...a luz eterna do túmulo de Cristo iluminou corporalmente a todos. A verdade contida nestas palavras nos dá a alegria espiritual e dá “alegria ao mundo todo”.





Irmãos e irmãs! A verdade Pascal, dando-nos alegria espiritual, permanecerá a base da vida humana que vence a morte e a destruição. Cristo pela Sua Ressurreição conduziu-nos da morte para a vida e deu-nos a possibilidade da vida espiritual assim como a entrada no Reino celeste.





A Santa Igreja, nossa Mãe, tendo consciência desta verdade, proclama: “Dia da Ressurreição! Resplandecei de alegria, povos todos! Ó Páscoa, Páscoa do Senhor! Da morte para a vida e da terra para o céu, Cristo Deus nos transportou, a nós que cantamos este hino triunfal”!





Cristo vencedor da morte é o começo da nossa ressurreição e vida eterna: “Eu sou a ressurreição e a vida - disse o Senhor – quem crê em mim, ainda que morra viverá” (Jo 11, 25). Ele é a “Verdadeira Luz, que ilumina e instrui cada ser humano vindo ao mundo”. (Jo 1, 9).





Irmãos e irmãs! Cristo Ressuscitou! Ressuscitemos nós também! Ele em si mesmo ressuscitou a humanidade. Ressuscitará, também, aqueles, que com Ele aceitam seu Puríssimo Corpo e Sangue e, assim, tornam-se membros da Santa Igreja, da qual Ele é a Cabeça. Ele preenche a vida do homem com sentido e esperança, ajuda a dar resposta às diversas perguntas da vida diária do homem. Sua Verdade afugenta de nós o medo, o desânimo e o desespero. São Serafim de Sarov dizia: “Cristo Ressuscitou! Minha alegria!”. E o apóstolo Paulo disse: “...tudo posso naquele que me fortalece”. (Fp 4, 13).





O Triunfo Pascal abrange toda a criação, o mundo todo, valoriza-o com Sua Graça. Hoje tudo está pleno de luz, o céu e a terra e todo o abismo. São João Chrisóstomo fala: “Cristo ressuscitou e a vida brilha em sua plenitude”.





O Cristo ressuscitado em sua ressurreição dos mortos une tudo: “o futuro, o presente e o passado”. Sai do túmulo como o Noivo da câmara nupcial, com o sinal da vitória sobre a morte. “Cristo saiu do túmulo como havia predito e deu-nos a vida eterna e a sua grande misericórdia”. A morte perdeu sua força e já não possui poder sobre a vida: “... Onde então, ó morte, está teu aguilhão? Onde está tua vitória, ó inferno?” (Os 13, 14).





A Igreja responde a estas perguntas com as palavras do Verbo de Deus: “Celebremos a morte da morte e a derrocada do inferno e o começo da vida eterna”. “Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito o primogênito dentre os mortos” (I Co 15, 20). Triunfa todo o mundo angélico e o humano: “É justo que os Céus rejubilem, que a terra permaneça na alegria, que o mundo esteja em festa, o visível e o invisível, pois Cristo alegria eterna, ressuscitou”.





A alegria da Santa Páscoa veio ao mundo através da Sexta-Feira Santa e da Santa Cruz, na qual foi crucificado o Deus-homem Jesus Cristo. A Cruz, a partir deste momento torna-se o centro da vida humana e da vida do mundo. A verdade esta expressa nos hinos da Igreja: “....Nós veneramos a Tua Cruz, ó Cristo, nós cantamos e glorificamos a Tua Santa Ressurreição, ...”. Daí a nossa compreensão ortodoxa da Páscoa, da Cruz e da Ressurreição.





A Santa Cruz é o fortalecimento da nossa fé. Ela ao longo de toda a história do cristianismo venceu o mal. Ela vence também hoje e nenhuma oposição ou força inimiga a podem vencer. Nós, seres humanos, acreditamos profundamente nisso e confessamos ao mundo: “Confiem, confiem, povo de Deus, pois que Ela venceu os inimigos como toda Poderosa”. Com tudo que colocam contra a Cruz, relembremos as palavras do crucificado nela, Jesus: “...Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34).





Irmãos e irmãs! Fiéis da nossa Igreja ao longo de toda a história humildemente carregam suas cruzes. Carreguemo-la também hoje e amanhã, lembrando as palavras do Cristo Ressuscitado: “....Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8, 34). Nos cânticos da Igreja cantamos: “...sou grande pecador nesta vida terrena ajuda-me, Deus, a carregar a minha cruz”.





Este caminho seguiram nossos antepassados. Nos momentos de difíceis experiências sempre encontraram a ajuda de Cristo, o Vencedor do abismo. Assim foi há 300 anos atrás. No ano de 1710, vivenciando um período de doença, eles se dirigiram com suas cruzes para o milagroso ícone de Cristo Salvador no Santo Monte Grabarka. À sombra de sua cruz, que fincaram em torno da igreja, conseguiram a cura. As cruzes no monte Grabarka são o exemplo visual do poder da Santa Cruz. Os milagres do ícone do Salvador e as cruzes trazidas por nós para este lugar santo testemunham ao mundo o grande poder da santa Cruz. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. (At 4, 12).





Irmãos e irmãs! Celebrando a Páscoa de 2010 façamos nossos agradecimentos ao Crucificado e Ressuscitado Jesus por toda a Sua misericórdia dirigida à nós, pelas alegrias e pelas tristezas. Ele nos convoca: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30).





“Tende bom ânimo, sou eu, não temais” (Mt 14, 27). Com entusiasmo espiritual chegamos com a alegria de Nosso Senhor. Tanto os primeiros como os últimos alcançarão o prêmio do misericordioso Senhor. “Que ninguém lamente os pecados, porque o perdão resplandeceu do túmulo”, para aqueles que desejam recebê-lo.





Caros padres, monges e monjas, irmãos e irmãs, jovens e crianças!





Convocamos todos vocês, que se tornem participantes da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Ofertemos tudo na Ressurreição”, de modo a saciarmo-nos com a alegria e a luz da Ressurreição de Cristo Salvador.





CRISTO EM VERDADE RESSUSCITOU!



Pela Misericórdia Divina, humildemente:



+ Sawa, Metropolita de Varsóvia e toda a Polônia

+ Simão, Arcebispo de Lodz e Poznan

+ Adão, Arcebispo de Peremysl e Novy Sonde

+ Jeremias, Arcebispo de Vratislávia e Estétino

+ Abel, Arcebispo de Lublin e Chelm

+ Miron, Bispo de Gajnovka

+ Tiago, Bispo de Bialystok e Gdansk

+ Gregório, Bispo de Bielski

+Chrisóstomo, Arcebispo de Rio de Janeiro e Olinda-Recife

+Ambrósio, Bispo de Recife

+ Jorge, Bispo de Siemiatycz

+ Paísios, Bispo de Piotrkow





Páscoa de Cristo do Ano de 2010, Varsóvia

quarta-feira, 7 de abril de 2010

PROCLAMAÇÃO PATRIARCAL PARA A PÁSCOA


Prot. No. 316

PROCLAMAÇÃO PATRIARCAL PARA A PÁSCOA

B A R T O L O M E U
Pela Graça de Deus,
Arcebispo de Constantinopla - Nova Roma
e Patriarca Ecumênico,
A todos os Fiéis da Igreja:
Graça, misericórdia, e paz de Cristo, o Salvador Ressurrecto em Glória

* * *

Amados irmãos e irmãs, caros filhos no Senhor,

Cristo Ressuscitou!

Alegre e radiante nasceu uma vez mais o dia da Santa Páscoa, dispensando alegrias, consolos, regozijos e a esperança de vida para todos os fiéis, a despeito da pesada atmosfera que prevalece em nosso mundo causada por uma crise multidimensional com todas as suas conhecidas e dolorosas conseqüências para nossa vida cotidiana.

Cristo ressuscitou do túmulo, o Deus-Homem, e a humanidade ergueu-se com Ele! A tirania da morte agora pertence ao passado. O desespero perante o cativeiro no mundo dos mortos está irrevogavelmente destruído. O Uno e Poderoso Vivificante, através de sua Encarnação, voluntariamente assumiu a miséria de nossa natureza e tudo que ela traz, isto é, a morte, e assim “trouxe morte ao Hades pelo relâmpago de Sua Divindade”[1], concedendo-nos a vida – e “vida em abundância.”(S. João 10:10)

Esta abundância de vida, que nos foi concedida pelo Senhor Ressuscitado, é incessantemente caluniada e atacada pelo demônio – de fato, tais ações são a origem do seu nome – embora ele esteja agora enfraquecido, completamente sem poder e inteiramente ridículo. O demônio calunia a Vida através da hubris[2] que ainda prevalece no mundo contra Deus, a humanidade e a criação. O demônio ataca a Vida através da tendência ao pecado que existe em nós como “ferrugem velha”, usando-a para enredar-nos seja em algum pecado tangível ou em alguma fé ilusória. A hubris é produto daquela “ferrugem”, e ambas compõem a sinistra dupla responsável pela perturbação dos relacionamentos conosco mesmo, com os outros, assim como com Deus e toda a Criação. Igualmente, é imperativo que purifiquemo-nos desta ferrugem com grande atenção e cuidado, para que brilhe intensamente em nossa mente, alma e corpo, a luz vivificadora do Cristo Ressuscitado, dispersando as trevas da hubris e vertendo a abundância da vida para todo o mundo.

Isto não pode ser alcançado através da filosofia, da ciência, da tecnologia, da arte ou de qualquer ideologia; só pode ser alcançado através da fé na Paixão, Crucificação, Sepultamento, descida ao mundo dos mortos e ressurreição dentre os adormecidos do Deus-Homem Jesus Cristo; fé esta expressa em uma vida imersa nos Mistérios da Igreja, assim como através de uma laboriosa e sistemática luta espiritual. A Igreja, sendo o Corpo de Cristo, vivencia incessantemente e através dos tempos o milagre da Ressurreição. Através dos sagrados Mistérios, de sua Teologia e de seus ensinos práticos, ela nos oferece a possibilidade de participar neste milagre, de compartilharmos da vitória sobre a morte, de nos tornarmos filhos moldados pela luz da Ressurreição e verdadeiramente “coparticipantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4), assim como na vida de cada santo do passado e do presente. As ervas espinhosas das paixões crescendo nas profundezas de nosso coração, poluído pela ferrugem do “homem velho” (Efésios 4:22) devem ser definitivamente transformadas o quanto antes em buquês de virtudes, santidade e correção em Cristo, através de Cristo e por amor de Cristo e de suas imagens vivas que nos cercam – isto é, os demais seres humanos.

Assim sendo, o santo hinógrafo oportunamente canta: “Vistamos o manto de justiça, que é mais branco que a neve, e rejubilemos hoje no dia da Páscoa; pois Cristo, o Sol de Justiça que se ergue dos mortos, derramou sobre nós a luz da incorrupção”.  [3] A veste branca de justiça nos foi dada simbolicamente no dia do nosso Batismo; e nós somos convidados a mantê-la constantemente limpa através do contínuo arrependimento, controle dos nossos desejos, paciência diante das dores da vida, e incansável esforço no cumprimento dos mandamentos de Deus, e especialmente no mandamento supremo do amor. Deste modo, seremos capazes de participar no auto-esvaziamento da Cruz do Deus-Homem, e igualmente na alegria Pascal, na luz radiante e ditosa salvação que entrarão em nossa vida.

Escrevemos-vos esta carta desde o Fanar, onde experienciamos o sofrimento da Sexta-Feira Santa e a luz da Ressurreição, e expressamos-vos a afeição da Igreja Mãe, de todo o coração desejando a todos o dom salvífico e a benção Pascal do Senhor da Vida, que ressuscitou dos mortos.
Santa Páscoa de 2010.

Fervoroso suplicante por todos diante do Senhor Ressurecto,
Patriarca Bartolomeu de Constantinopla

Para ser lido nas igrejas durante a Divina Liturgia, depois do Santo Evangelho, na Festa da Páscoa.


[1] Apolitikion da Ressurreição – Tom 2
[2] Hubris: Orgulho presunçoso.
[3] Das Vésperas no Domingo de São Tomé

METROPOLITA HILARIÃO DE VOLOKOLAMSK ENCONTRA EMBAIXADOR DA RÚSSIA PARA O BRASIL




O Metropolita Hilarião de Volokolamsk, presidente do Departamento de Relações Externas da Igreja (DREI) do Patriarcado de Moscou, encontrou-se no dia 09 de março de 2010 com o recém-indicado embaixador russo no Brasil, S. Akopov.

Participou 
da conversa o Igúmeno Philip (Riabykh), vice-presidente do DRE, o Rev. Dionísio Kazantsev, reitor da paróquia de São Pedro e São Paulo em Santa Rosa e da paróquia de São João, o Teólogo, em Campina das Missões, Brasil e pelo Sr. M. Palacio, membro da equipe do DREI.Sua Eminência Hilarião falou ao Sr. Akopov sobre a condição atual da Ortodoxia russa no Brasil, chamando sua atenção para o fato de que as paróquias brasileiras da Igreja Russa no Exílio rejeitou a restauração da comunhão canônica com a Igreja Ortodoxa Russa.

De acordo com o Metropolita, a razão foi, em grande parte, o fato de que um número considerável de imigrantes russos no Brasil acredita em idéias desatualizadas sobre sua pátria e sobre o Patriarcado de Moscou. "Nossa tarefa comum é ajudar nossos compatriotas a entenderem a verdade sobre a Igreja mãe", ele disse.

Sua Eminência manifestou esperança de que cooperação entre o DREI e a embaixada russa no Brasil aumente e pediu ao Sr. Akopov para apresentar os residentes à tradição espiritual e história russas e à atualidade da vida da Igreja Ortodoxa Russa.O Sr. Akopov, de sua parte, garantiu ao presidente do DREI sua prontidão em ajudar de todos os modos possíveis a desenvolver a presença da Ortodoxia russa no Brasil.

Como lembrança do encontro, o Metropolita Hilarião deu a novo embaixador russo no Brasil um disco com sua composição "A Paixão Segundo S. Mateus".


Serviço de Comunicações do DREI.

http://www.mospat.ru/en/2010/03/09/news14264/

sexta-feira, 5 de março de 2010

3o Domingo da Quaresma, o Domingo da Veneração da Santa Cruz

Amigos,
em vista do 3o Domingo da Quaresma, o Domingo da Veneração da Santa Cruz, reescrevi e expandi um artigo mais antigo sobre a Santa e Vivificante Cruz. Espero que a Graça de Deus complete em inspiração na sua leitura o muito que me faltou na escrita.
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A Santa Cruz


A Santa Cruz é a nova Árvore da Vida em paralelo com aquela do Paraíso pois nela estava o Fruto da Vida.

Lembremos da passagem em Gênesis 3:22:
"Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente"

O primeiro mandamento de Deus para o homem foi o jejum. O homem devia jejuar não comendo do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Quando o Homem quebrou este primeiro mandamento afastou-se de Deus pela desobediência, trazendo sobre si a doença, o pecado e a morte.

Caso tomasse da Árvore da Vida nessa condição, tornaria-se imortal e seria eternamente doente, pecador e...espiritualmente morto. O fruto da Árvore da Vida o tornaria eterno na condição em que estivesse.

Esse foi o motivo da expulsão de Adão e Eva: a infinita misericórdia de Deus que não queria que nos tornássemos eternos em um estado de decadência sem fim. E foi também por esta ilimitada misericórdia que Deus nos enviou Seu próprio Filho, Ele mesmo o Fruto da Vida, o Pão da Vida (Eu sou o Caminho, a Verdade e A VIDA). Vejamos as Santas Escrituras em São João, capítulo 6:

32 Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu

Quem é que o Pai nos deus senão seu Filho? Ele é o Pão do céu como ele confirma em seguida:

33 Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.


Que também concorda com São João, capítulo 3:13:

Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.


Aquele que desceu do céu, Aquele que o Pai nos deu é ele a Vida, Nosso Senhor Jesus Cristo, o que Ele diz de forma explícita em São João 6:51:

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo."

Sendo assim o madeiro da cruz torna-se o tronco árvore de onde o Pai nos concede o Fruto da Vida que outrora nos proibira. A ação redentora de Nosso Senhor tudo transfigura, tudo renova e um instrumento de morte se transforma em doador da Vida.

Sabemos também, através da última bem-aventurança em São Mateus 5

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

e de São João 15:20

Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa.

Que a energia da Cruz é componente essencial da redenção, isto é como disse São Paulo ao Romanos 6:8 (repare a condicional):

Ora, *se* já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.

Ou seja, que *se* "morremos" com Cristo, ressuscitaremos em Cristo. 

Reparem que há os que crêem que Deus veio sofrer em nosso lugar, isto é, que tendo padecido todas aquelas dores, nós devemos minimizar nossos sofrimentos, dores e frustrações. Que podemos buscar uma "vida boa", com confortos e seguranças e ainda assim estarmos com o Cristo.

Não é isso que ensinam as Santas Escrituras. Como vemos acima *se* morremos com Cristo, apenas então ressuscitaremos em Cristo. Ai daqueles que não padecem sofrimentos e vivem no fausto ou buscando sempre "alegria", "felicidade" e "bem-estar". Ai dos que acham que Jesus veio nos ajudar a ter uma vida confortável, ter festas e adeqüação social. Estes passam pela porta do Reino dos Céus e a desprezam, se riem dela e até mesmo a temem. 

O cristão ortodoxo não é apegado aos conceitos mundanos da busca da felicidade, da auto-realização, do "meu bem-estar primeiro". A cruz, o sofrimento, são a porta de entrada para ressurreição. É na dor que o pecador morre e o novo ser ressuscita "três dias depois". Não a buscamos como um masoquista, mas assim como o Cristo subiu voluntariamente à Cruz, nós também aceitamos obedientemente, em lágrimas consoladas pelo Espírito Santo e pelas orações da Santa Mãe de Deus, muitos dos problemas que encontramos em nossas vidas.  Não digo com isto, irmãos, que o doente não irá buscar tratamento. Digo sim que mesmo enquanto busca o tratamento, ele vai moldando o coração para compreender que a dor é um dom também. Todos um dia adormeceremos em Cristo. Como o Cristo, não buscamos a Cruz. Mas quando ela vem, aceitamos. São nas dores e sofrimentos da vida que o ser egoísta, que pensa em si em primeiro lugar morre.

Deixando morrer o "homem velho", carnal, das paixões, "crucificando-o", fazemos como São João Batista: "É necessário que *Ele* cresça e *eu* diminua" (S. João 3:30).

É o nosso "eu" que deve morrer - ego-ísmo, vem do grego, no qual ego significa "eu" e "egoísmo" é o culto do "eu". Que é a "felicidade" moderna, senão o "meu" bem-estar primeiro, a "minha" carreira, a "minha" vida, a "minha" educação, o "meu" espaço, o "meu" prazer? Tudo em torno do "eu". Casais se separam porque cada um sente seu "eu" insatisfeito ou "sufocado". Pequenas crueldades são cometidadas até no lar e no emprego para satisfazer nossos "eus". Perversões são legitimadas por constituírem satisfação do "eu". Vidas são sacrificadas para que não atrapalhem o estilo de vida que um "eu" sente ser seu por direito.

E de fato, na morte precisamente de todos estes "eus" está a energia da Santa e Vivificante Cruz; a aceitação do sofrimento e da dor ao invés de fugir deles, a diminuição constante do nosso eu, da nossa vontade para que a Dele seja plena em nós e possamos dizer com o Filho para o Pai:
"Que se faça a Tua Vontade e não a Minha" (S. Lucas 22:42);

e como São Paulo:
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim;" (Gálatas 2:20).

No dia da Liturgia são lidos os Salmos 22, 74 e 99 que profetizam a crucificação de Nosso Senhor. Isso demonstra que a Cruz faz parte da Salvação desde o início.

De fato, transmite-nos a Santa Tradição que o sacrifício redentor de Nosso Senhor é figurativamente mencionado já no proto-Evangelho do Gênesis (3:15) quando Deus diz à serpente: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e *tu lhe ferirás o calcanhar." Este ferir o calcanhar é uma alusão ao sofrimento, mesmo físico que Jesus iria passar milênios depois. Mas veja que o demônio causa um ferimento menor, apenas no calcanhar, enquanto o Cristo, "a semente" de Eva, fere a cabeça da serpente, o que a impede de agir e é ferida letal.

Finalmente, Nosso Senhor explica para Nicodemos de que modo esta Vida Eterna nos foi dada:

E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
(S. João 3:14-15)

As nossas cruzes pessoais são manifestações da Cruz de Cristo na vida do cristão. Sejamos como a Virgem Maria, Sta. Maria Madalena, S. João e a outra Maria e permaneçamos, na dor, ao pé da Cruz, sem fugir como fizeram os Apóstolos na ocasião. Diante dos obstáculos e das dores, peçamos a Deus a força para suportá-los com mais intensidade do que pedimos para que eles desapareçam. Muitas vezes, assim como a Cruz foi o instrumento que permitiu a Ressurreição, serão nossas cruzes que nos unirão a Deus. Diante da dor e do sofrimento, da injusta condenação, do fracasso inesperado e imerecido, das calúnias, digamos com o Cristo em S. Lc 22:42 "Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua". E sendo crucificados com o Cristo, ressuscitaremos nEle.

terça-feira, 2 de março de 2010

Patriarca de Jerusalém sobre a União das Igrejas: Amor *E* Verdade


Uma visita dos bispos da igreja católica romana alemã ao Patriarcado de Jerusalém

do website do Patriarcado de Jerusalém

Traduzido para o inglês pelo site OODE: http://www.oodegr.com/english/papismos/GermanBishopsVisit.htm

Traduzido do inglês para o português por Fabio L. Leite a partir do website: http://www.impantokratoros.gr/root.en.aspx


Gregoriano (16/09/2009)/Juliano(03/09/2009)


Na quarta-feira, 03/16-09-2009, Sua Beatitude o Patriarca de Jerusalém Teófilos III foi visitado pelo Dr. Gerhard Ludwig Müller, Bispo de Regensburg, Dr. Heinrich Mussinghoff, Bispo de Aechen e pelo Dr. Gerhard Feige, Bispo de Magdeburgo da Igreja Católica Romana, juntos com um pequeno grupo de acompanhantes, no contexto de suas visitas missionárias à Terra Santa, com o fim de conhecerem as Igrejas do Oriente Médio e reforçar a presença cristã naquele território.

O Bispo de Regensburgo, Dr. Gerhard Ludwig Müller, quando dirigindo-se à Sua Beatitude, fez referências à contribuição do Patriarcado de Jerusalém à teologia da Igreja através de seu posicionamento no apoio ao dogma cristológico do 4 Concílio Ecumênico de Calcedônia em 451 AC, quando o Patriarca Sofrônios que defendera as duas vontades e energias de Nosso Senhor Jesus Cristo, o posicionamento do Patriarca de Jerusalém durante a disputa Iconomáquica e também durante o corrente diálogo teológico com a Igreja Católica Romana.

Ele então entregou à Sua Beatitude a medalha do Instituto de Regensburgo pelo ensino da língua alemã para estudantes originários das Igrejas orientais. O Diretor Interino deste instituto, o clérigo Dr. Nikolaus Wyrwoll, era um dos acompanhantes no grupo de arciprestes católico-romanos.

Em sua resposta, Sua Beatitude deu as boas-vindas a Jerusalém ao Bispo de Regensburgo, Dr. Müller e seu grupo ; ele os agradeceu por suas palavras a respeito do posicionamento do Patriarcado de Jerusalém durante os períodos de crise na Igreja, assim como por sua colaboração em favor da união das Igrejas.

“Sua visita”, disse Sua Beatitude, “é significativa para a presença cristã na Terra Santa; é uma visita de solidariedade. Vocês têm familiaridade com os dogmas da Igreja e com a história eclesiástica. Também estão familiarizados com a atual situação política. Nós, entretanto, vivemos dentro dela. Existe aqui uma conhecida situação política e religiosa, com suas respectivas conseqüências. Nosso Patriarcado tem, ao longo das eras, cultivado um espírito de coexistência pacífica com o Islã e o Judaísmo. Não estamos falando de diálogo, ou de uma relação, mas de coexistência. Respeitamos os locais sagrados de peregrinação de todas as três religiões. A própria Jerusalém é uma Cidade Santa para todas as três. Jerusalém foi santificada pelo sangue dos profetas e de Jesus Cristo. Há espaço para os seguidores das três religiões. A resolução política do problema de Jerusalém é da alçada de outros. Nosso dever é preservar a singularidade espiritual de Jerusalém. A diminuição do elemento cristão não nos assusta: ‘não temais, Ó pequeno rebanho’ (S. Lc. 12:32). Todos estão familiarizados com a contribuição e a ajuda oferecidas pelo elemento cristão aqui. Em paralelo, entretanto, os cristãos também necessitam de ajuda e apoio. Estes já foram, às vezes, chamados de uma ‘comunidade’ – uma referência que não é válida, já que os cristãos daqui são nativos. Quanto ao diálogo teológico, somos a favor; entretanto, não o aguardamos com ansiedade. Acreditamos que devemos nos esforçar por uma unidade de fé, e não uma unidade de administração.”

Continuando sua fala, Sua Beatitude disse que o diálogo eclesiástico devia incluir também os monges, os quais não confundem ‘especulação com revelação’; eles sabem que o Cristianismo não envolve especulação. Eles sabem o que a verdade é: que o objetivo de um cristão é a deificação.  Os representantes do diálogo teológico entre as igrejas e os líderes das igrejas deveriam ficar felizes se ambos os níveis do diálogo coexistirem, isto é, o amor e a verdade. Não o amor sozinho.
Sua Beatitude enfatizou que já é hora de ambas as Igrejas examinarem o que as dividem, e não apenas os elementos que as unem.

“Os elementos que as unem já foram exaustivamente discutidos. O início da nossa unidade na fé se encontra no reconhecimento das nossas fraquezas. Já é hora de operarmos em nossas feridas.”

Do Secretariado-Mor