sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Divina Comunhão




Quando com temor e tremendo por nossa falta de merecimentos, temos a permissão de receber os divinos e imaculados Mistérios de Cristo, nosso Rei e Senhor, é preciso mostrar ainda maiores atenção, rigor e guarda sobre nossos corações, para que o fogo divino, o corpo de nosso Senhor Jesus Cristo, possa consumir nossos pecados e manchas, grandes e pequenas. Pois quando este fogo entra em nós, imediatamente afasta os espíritos malignos de nosso coração, redime os pecados que havíamos cometido, deixando a inteligência livre de toda turbulência provocada pelos pensamentos perversos. E, se depois disto, permanecermos na entrada de nosso coração, mantendo rigorosa vigilância sobre a inteligência, quando nos for permitido recebermos mais uma vez estes Mistérios, o Corpo Divino irá iluminar nossa inteligência ainda mais e fazê-la brilhar como uma estrela.

Santo Heséquios, o Padre

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Simbologia Cristã das Cores



As cores ganham significados de acordo com a cultura e o grupo que as utiliza. Na Santa Igreja, o que definiu esta simbologia foi o uso das cores nos ícones e decorações das igrejas durante as festas, bem como as vestes litúrgicas de diáconos, padres e bispos. 

Acompanhem a seguir o significado das cores para podermos usar também, até em nosso dia-a-dia.

Branco

É a cor da simplicidade, da pureza,da verdade, da justiça, do correto, bem como do mundo que há de vir e da luz divina.

Azul

É a cor do infinito, da eternidade, do mundo espiritual e angélico, bem como da Santíssima Virgem Maria, que é a Rainha dos Céus.

Verde

É a cor da vida, da abundância, do crescimento e da fertilidade. Por isso mesmo é a cor do Espírito Santo, chamado no Símbolo da Fé de Vivificante ou Fonte da Vida e é a cor do Pentecostes.

Vermelho

É a cor da atividade, do ardor, da paixão, do amor e da energia da vida. Por isso mesmo é também a cor da Ressurreição, onde a Vida vence a morte.É também a cor do sangue dos mártires, dos seus sofrimentos, lembrando-nos que neste mundo o muito amar também significa sacrificar-se, que o caminho da nova vida da Ressurreição é a Cruz.

Dourado

Simboliza a Luz Incriada de Deus, Seu Reino onde o Sol nunca se põe e não há noite. Representa a Glória de Deus, sua Radiante Natureza Divina.

Amarelo

É entendido como uma forma apagada do dourado. Assim sendo, é um símbolo da tristeza e da doença, pois representa situações ou momentos nos quais a presença de Deus foi afastada. Surge no ícone que mostra Jesus sendo colocado na tumba e outras situações de profunda tristeza.

Púrpura

O púrpura é associado à realeza desde a Antiguidade. Durante o Império Greco-Romano, apenas o imperador podia utilizar o púrpura. Assim, nos ícones simboliza o poder, a  força, a dignidade, o domínio e a hierarquia de Deus, por vezes expressa em santos, hierarcas, reis e imperadores.

Marrom

Sendo a cor da terra e do barro, representa as coisas terrenas, passageiras e mortais. É a cor por excelência da natureza humana, aparecendo em seus tons mais claros, às vezes puxado para o bege, como a cor da pele das figuras humanas.

Preto

No seu aspecto negativo representa a total ausência de vida, o vazio e a morte. Representa mesmo a total ausência de amor à Deus, daí os demônios serem representados sempre como figuras totalmente negras. No seu aspecto positivo, o preto representa o mistério, os aspectos de Deus que não podem ser entendidos ou compreendidos e também a total renúncia das coisas do mundo.

Cinza

O cinza em todos os seus tons é a única cor proibida nos ícones. Representa a mistura da vida com a morte, do certo com o errado, das concessões que fazemos, cheios de "bons" motivos, para o que é errado. É a cor da falta de coragem em decidir-se sobre algo, em tomar uma posição. É a cor da covardia, das palavras e atitudes vagas, No livro do Apocalipse Deus diz "Seja quente, ou seja frio, mas se fordes morno eu te vomitarei de minha boca." O cinza é a cor das coisas e pessoas mornas, e por isso é completamente posto de lado.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sínodos Ecumênicos Ortodoxos





História Resumida dos Sínodos Ecumênicos Ortodoxos
Leitor Fabio L. Leite
(Ícone do I Sínodo Ecumênico - São Nicolau surpreende Ário quando um milagre explica o mistério da Trindade)
Apesar dos termos técnicos, todos os sínodos da Igreja Católica Ortodoxa versam sobre o tema "Quem é Deus?" e "Como Ele é?". Deus é um, em três pessoas. E como qualquer pessoa, tem características próprias. Temos que amá-lO como Ele é, e não como imaginamos que Ele seja. Esse é um segredo do amor entre as pessoas também. Temos que amar as pessoas como são, e não como achamos que elas deveriam ser. O amor real é assim, e por isso também se aplica a Deus. Todos os termos técnicos, toda a discussão, no fim das contas é apenas para proteger isso: o amor a Deus como Ele verdadeiramente é.
Era Apostólica

Ano 33 ou 34 DC

Primeira Reunião Apostólica
Os Apóstolos se reúnem para decidir quem tomaria o lugar de Judas. O escolhido foi Matias. Atos 1.

Entre os anos 34DC e 56DC

Segunda Reunião Apostólica
Os Apóstolos se reúnem para decidir sobre a administração financeira das doações para a Igreja (Atos 4:31-37)

Terceira Reunião Apostólica
Os Apóstolos se reúnem para decidir quem seriam os primeiros diáconos da história. (Atos 6:2)

Quarta Reunião Apostólica
Os Apóstolos se reúnem para discutir o batismo do centurião romano Cornélio e sua família. Primeira controvérsia sobre a conversão de não-judeus. Atos 11

Quinta Reunião Apostólica, Sínodo de Jerusalém
Considerado o primeiro grande sínodo da Igreja.Combateu a heresia judaizante, que defendia que os gregos que se tornassem cristãos deveriam ser circuncidados e se tornarem judeus antes de serem batizados. Presidido por São Tiago. Atos 15. Prova que um sínodo não precisa ter o nome de ecumênico para ter autoridade sobre toda a Igreja.

56DC ou 58DC

Sexta Reunião Apostólica
Reunião pastoral sobre as atividades de São Paulo, pedindo para não chocar os cristãos judeus.
Atos 21:17-16

Era Imperial

I Sínodo Ecumênico – Nicéia I – Ano 325 DC - 318 Pais – Convocado pelo imperador Constantino. Combateu Ário que negava que Cristo é consubstancial com o Pai e também os melecianos que não aceitavam o retorno para a Igreja dos que haviam renegado a fé por força de tortura; Criou a primeira metade do Símbolo da Fé (o Credo). Padronizou a data da Páscoa, utilizada até hoje pela Igreja Ortodoxa. Proclamou a primazia das Sés de Roma, Antioquia e Alexandria (todas com bispos sucessores diretos de S. Pedro). Figuras de relevo: Santo Hósio, Santo Atanásio, o Grande, São Basílio, o Grande, São Gregório de Nissa e São Gregório de Nazianzus.

II Sínodo Ecumênico – Constantinopla I – Ano 381 – 150 Pais – Convocado pelo imperador Teodósio. Combateu o Arianismo e os macedonianos, que não criam que o Espírito Santo é Deus – por isso foi acrescentada toda a parte do Símbolo da Fé sobre o Espírito Santo ("Creio no Espírito Santo..."); e combateu o milenialismo, a crença de que Jesus reinaria por mil anos na terra e adotada por alguns grupos protestantes hoje – por isso foi acrescentada no Símbolo da Fé a expressão “e Seu reino não terá fim”. Proclamou Constantinopla com a segunda em honra entre as sés patriarcais. Roma não participou deste Sínodo Ecumênico.

III Sínodo Ecumênico – Éfeso – Ano 431 – 250 Pais – Convocado pelo imperador Teodósio II. O Sínodo declarou ilegal alterar o Credo definido em Nicéia e Constantinopla. Combateu o Nestorianismo, que não aceitava o uso do termo “Theotokos” para referir-se à Virgem Maria. O Nestorianismo equivocadamente cria uma diferença radical entre o homem Jesus de Nazaré, e o Logos Divino, dizendo que Maria deu à luz a Jesus apenas e não a Deus. A Igreja percebeu o erro desta visão e insistiu no uso do termo “Theotokos”, parturiente de Deus. Além de algumas igrejas protestantes que resgataram a heresia nestoriana, as igrejas Assíria do Oriente, Siriana Caldeia e Malankara da Índia são descedentes diretas dos nestorianos, que se expandiram para a Pérsia (atual Irã), China e Índia. Também combateu a heresia pelagiana, que diz que o pecado é apenas uma questão de ordem moral, que o homem é capaz de escolher entre o bem e o mal e o papel de Cristo é apenas de ser um bom exemplo e professor, como defendido por inteletuais e e pelo Kardecismo nos dias de hoje.Agostinho partiria para o lado oposto criando a doutrina da depravação total, adotada pelos Calvinistas e alguns protestantes, e também errada e que diz que a vontade humana é absolutamente incapaz de escolher o bem. A Ortodoxia Católica foi defendida por São João Cassiano, a salvação se dá pela ação conjunta e simultânea entre homens e Deus, sendo que apenas a Graça de Deus que tem papel ativo em todo o processo. É como vemos na parábola do filho pródigo: é o pai quem vai encontrar o filho no meio do caminho, que dá novas roupas, quem prepara o banquete e recebe o filho, mas o filho teve que se arrepender, sair do meio dos porcos e andar de volta até a casa do pai. Nesta parábola o pai representa Deus e o filho, cada um de nós, pecadores.

IV Sínodo Ecumênico – Calcedônia – Ano 451 – Convocado pelo imperador Marciano. Condenou o erro do monofisitismo (uma só natureza), que acreditava que Cristo não era homem e Deus, mas apenas Deus. Além disso confirmou a posição de Constantinopla como segunda em honra, fato que Roma só aceitou com protestos em 453, e criou o sistema da Pentarquia, no qual a Igreja era governada pelas quatro cidades imperiais mais importantes Roma, Constantinopla, Alexandria e Antioquia, às quais somava-se Jerusalém por seu valor tradicional e que neste mesmo sínodo foi elevada à condição de Patriarcado. Este sínodo foi rejeitado pela Igreja Copta do Egito, pela Igreja Siriana, pela Igreja Armênia, e pela Igreja Eritreia da Etiópia, as quais equivocadamente utilizam o nome “Igreja Ortodoxa” aqui no Brasil. Juntas elas formam as chamadas “Igrejas Orientais”, ou, melhor dizendo “Igrejas Não-Calcedonianas”. Hoje, alguns alegam que tudo não passou de um problema de palavras, pois o que eles entendiam como “natureza”, é o que entendemos como “pessoa”, ou seja, Jesus é uma só pessoa. Neste caso, eles mantém-se separados apenas por se recusarem a um procedimento normal de padronização de terminologia técnica. Digno de nota é o fato que o Papa Leão I enviou um livro, conhecido como Tomo de Leão, que teve que ser examinado e aprovado antes de ser aceito, já que sua primazia nunca implicara em governo ou autoridade infalível de ensino.

V Sínodo Ecumênico – Constantinopla II – Ano 553 – 164 Pais – Convocado pelo imperador Justiniano. Reafirmou a condenação do Nestorianismo e apontou o erro do ensino de Orígenes de que todos os seres humanos serão salvos no dia do Juízo Final. O Papa Vigilius, primeiro do longo período de papas gregos aprovados pelo imperador, então residente em Constantinopla, foi convidado, mas recusou-se a participar, além de ter requisitado que o Sínodo não ocorresse. Dado que era membro do Sínodo com honras especiais, mas nenhum poder de governo, o Sínodo aconteceu mesmo assim, vindo o papa a acatar suas decisões.

VI Sínodo Ecumênico – Constantinopla III – Anos 680/681 – 151 pais - Convocado pelo imperador Constantino, o Novo, combateu as heresias do Monotelismo e Monoenergismo, que alegam erroneamente que apesar de Jesus ser Deus e homem, não existem duas vontades e duas energias nele, mas apenas uma vontade e uma energia. Se fosse assim, Jesus não seria completamente homem e completamente Deus. Nele existem a vontade humana e a vontade divina, a energia humana e a energia divina, agindo em sinergia como defendera séculos antes São João Cassiano. O sínodo condenou como herege o papa Honório I por ensinar o monotelismo.

VII Sìnodo Ecumênico – Nicéia II – Ano 787 – 350 Pais – Convocado pela imperatriz Irene, a Ateniense. Combateu a heresia iconoclasta, que ensinava o erro de que não há diferença entre veneração de ícones e adoração de ídolos, defendida por todas as igrejas protestantes hoje em dia.

Sínodos Pan-Ortodoxos Posteriores
Constantinopla IV (Considerado por alguns como VIII Sìnodo Ecumênico) – Ano 879-880 – Condenou toda alteração do Símbolo da Fé, o Credo, inclusive a adição do termo “Filioque”, que o imperador franco Carlos Magno havia forçado na Igreja Ocidental com oposição do papa. Esta expressão corrompe seriamente o entendimento sobre o Espírito Santo, sendo uma forma de semi-macedonianismo, já condenado no II Sínodo Ecumênico, pois diz que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Isto vai contra o que Jesus explicou diretamente: “o Espírito de Verdade, que procede do Pai.” Jo 15:26. Além disso, só existem dois tipos de características em Deus: as que são comuns a todas as três Pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), e as que só existem em cada uma das pessoas para que sejam diferentes. Quando alguém diz que o Espírito procede do Pai e do Filho passa a existir uma característica que o Pai e o Filho tem a mais que o Espírito Santo, que é exatamente dar-lhe origem. Assim o Espírito seria menor, “mais fraco”, pois dEle nada procede. E o Pai e o Filho ficam absolutamente idênticos, sem distinção; se o Filioque fosse verdade, Deus não seria três, mas apenas dois: uma massa indistinta e poderosa da mistura de Pai e Filho e um fraco Espírito Santo. Como o Espírito Santo é que guia a Igreja e nos ensina a verdade (“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” Jo 14:26), ensinar, mesmo sem querer, que Ele é mais fraco, gera a necessidade de ter algo em seu lugar que ensine a verdade e nos lembre as palavras de Jesus de forma infalível e inerrante. Esta é a fonte tanto dos ensinos da infalibilidade papal dos romanos, quanto da inerrância bíblica dos protestantes, e por isso este sínodo condenou tal ensino. O sínodo também confirmou o retorno do patriarca São Fócio ao trono de Constantinopla, de onde fora tirado por questões políticas. O próprio papa da época reconheceu este sínodo como o VIII Ecumênico, bem como os Patriarcas Ortodoxos do século XIX. Roma renegou este sínodo apenas séculos depois, quando já decidira separar-se da Igreja Católica Ortodoxa.

Constantinopla V (Considerado por alguns como IX Sínodo Ecumênico) – Anos 1341-1351 – Defendeu o hesicasmo, a vivência da Paz de Cristo mencionada em diversas partes do Novo Testamento e praticada pela oração cristão ortodoxa, especialmente entre os monges. O monge racionalista Barlaam, apoiando-se no conceito de que a razão e a filosofia podem servir para fazer teologia e inspirado por Tomás de Aquino defendia que a filosofia podia levar à visão e entendimento de Deus, criticava a vida de oração dos monges que defendiam a realidade: que a vida cristã é oração e jejum e não filosofias. Além disso, o sínodo afirmou ainda: as energias de Deus, condenando o ensino errôneo de que Deus é ato puro; afirmou que a luz vista por santos e orantes é a própria luz de Deus e não uma coisa criada por Ele como sinal. O grande campeão deste Sínodo foi São Gregório Palamás, bispo de Tessalônica. A defesa de São Gregório Palamás no sínodo concedeu-lhe o título de “Pilar da Ortodoxia” e o privilégio de ser comemorado nas festas pré-pascais.
Era Moderna
Sínodo de Jerusalém – 1672 – Convocado pelo Patriarca de Jerusalém Dositheos Notaras, com participação de bispos e patriarcas de todas as Igrejas Ortodoxas. Aponta os erros das doutrinas protestantes e romanas, reconhecidas como hereges, como por exemplo, salvação apenas pela fé, uso da Bíblia como fonte única da fé, purgatório, autoridade papal, filioque e várias outras. Este foi o primeiro e único sínodo pan-ortodoxo a ocorrer depois da queda do Império Greco-Romano de Constantinopla. Não é chamado de ecumênico simplesmente porque a palavra "ecumênico" era usada para leis ou instituições que afetassem toda a "ecumene" do Império Greco-Romano. Como o Império Greco-Romano caiu no século XV com a tomada de Constantinopla, a palavra "ecumênico" caiu em desuso e retornou apenas no século XIX com significado diferente: as igrejas protestantes dos Estados Unidos, percebendo suas teologias divergentes começaram a buscar tentativas de união que colocasse a doutrina e a correção da fé em segundo plano em favor da união. Ao longo do século XX tanto Roma quanto a Igreja Católica Ortodoxa acabaram entrando em diálogo com o chamado "movimento ecumênico". No caso da Igreja Ortodoxa, sempre dando testemunho da plenitude da fé para os seguidores de Cristo fora de sua comunhão e sem tergiversar sobre fé reta herdada dos Apóstolos.

Outros documentos doutrinais ortodoxos de caráter ecumênico:
  1. Encíclica de São Fócio (867)
  2. Carta do Patriarca Miguel Cerulário para Pedro de Antioquia (1054)
  3. Encíclica de São Marco de Éfeso (1440-1441), outro que é um dos poucos que foi chamado de “Pilar da Ortodoxia”
  4. Confissão de Fé de Gennadius, Patriarca de Constantinopla (1455-1456)
  5. Respostas do Patriarca Jeremias de Constantinopla aos Luteranos (1573-1581)
  6. Confissão de Fé de Metrophanes Kritopoulos (1625)
  7. Confissão Revisada de Fé de Pedro Moghila e ratificada pelo Sínodo de Jassy (1642)
  8. Confissão de Fé de Dositheus (1672)
  9. Resposta dos Patriarcas Ortodoxos aos protestantes Non-Jurors (1718-1723)
  10. Resposta dos Patriarcas Ortodoxos ao Papa Pio IX (1848)
  11. Resposta do Sínodo de Constantinopla ao Papa Leo XIII (1895)
  12. Encíclicas do Patriarcado de Constantinopla sobre Unidade Cristã e o Movimento Ecumênico (1920,1952)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Código do livro do Apocalipse



Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.


Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, 


Apocalipse 1:9-10 


(Domingo é o Dia do Senhor)



Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; Apocalipse 4:1 







E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono. E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus.E havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás.E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando. Apocalipse 4:2,5-7


(Na simbologia cristã, São Marcos é o leão, São Lucas o bezerro, São Mateus o homem e São João a águia)






E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro. Apocalipse 4:4

Santos Mártires Gregos do Jugo Otomano


Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram?E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra.Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles.Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. Apocalipse 7:9,13-17 







E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono.E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. Apocalipse 8:3-4 





E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. Apocalipse 12:1 




E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. Apocalipse 5:6 



E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares,Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre. Apocalipse 5:11-14

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ecumenismo e Secularismo


Pronunciamento do Metropolita Jonas dos Estados Unidos para a Assembleia da Igreja Anglicana da América do Norte - 8 de Junho de 2012


http://orthodoxnet.com/blog/2012/06/metropolitan-jonah-our-battle-is-against-secularism/ 

 
Irmãos e irmãs em Cristo! É bom estar aqui novamente com vocês, três anos depois da primeira vez que nos encontramos em Bedford, Texas. Eu trago para vocês saudações e, espero, encorajamento da Igreja Ortodoxa na América.

Ao longo dos últimos três anos nossas igrejas conduziram um diálogo teológico, discutindo as questões que nos separam, questões que não tratam da Igreja Ortodoxa na América vs Igreja Anglicana na América, mas questões que separam o anglicanismo da ortodoxia. O foco tem sido na questão do filioque, a adição que a Igreja Romana fez ao Credo Niceno, forçando-o a toda a Igreja Ocidental no século XI, desestabilizando assim a unidade da confissão da Fé Católica.

Gostaria de lembrá-los que a raiz e fundamento da Igreja da Inglaterra não é "romana", mas o Catolicismo Ortodoxo que é mais amplo e prevalecia até que a Igreja Romana iniciasse as enormes mudanças do Segundo Milênio. A Igreja da Inglaterra era uma igreja católica local em comunhão com Roma e com as demais igrejas durante quase todo o primeiro milênio. Parte do que a Reforma inglesa, e mesmo continental, pretendia era trazer a Igreja de volta a suas raízes originais, livre das mudanças que ocorreram durante o isolamento da Igreja Ocidental durante a Era das Trevas e a Idade Média. A Ortodoxia entende que a Reforma equivocou-se ao reforçar precisamente os elementos que faziam as posições teológicas das igrejas ocidentais tão idiossincráticos, isolando-se ainda mais da Ortodoxia.

Minha esperança é que possamos reverter isso. Vocês têm a oportunidade de conduzir sua igreja de volta para sua herança original, e assim realizar o rico legado do Catolicismo Ortodoxo Inglês, em comunhão com as raízes de sua tradição. Isto significa superar gerações de cisma, um cisma que foi imposto à Igreja inglesa, e depois um estado perpétuo de cisma imposto a si mesma e as igrejas estabelecidas por ela nas colônias e missões. Isso precisa ser curado.

A esperança ecumênica é pela superação dos cismas do Ocidente, de forma que as igrejas romana e inglesa possam mais uma vez retomar seu lugar na comunhão da Igreja una, católica e ortodoxa. Vocês tem um papel imenso e uma grande oportunidade nesta tarefa. Remover o filioque não é simplesmente um gesto cordial de solidariedade ecumênica; é, ao invés, uma afirmação da antiga fé da Igreja Indivisa.

Realinhamento

Existe um outro elemento que é de importância imediata, e segue diretamente do que foi dito acima. Como escreveu Robert Terwilliger, um grande eclesiástico anglicano do século XX, está acontecendo um realinhamento dentro do Cristianismo, um no qual já podemos ver as marcas de futuras rachaduras. Sempre que cismas ocorrem dentro da Igreja, geralmente é porque alguns indivíduos lideraram um grupo para fora dela, sendo desobedientes a Fé e Doutrina, e recusando-se a submeter-se à autoridade da hierarquia, a qual tenta discipliná-los e chamá-los ao arrependimento.

O que está acontencendo agora é um pouco diferente: uma divisão entre os que preservam a fé bíblica e tradicional conforme interpretada pelos Pais da Igreja e os concílios ecumênicos, e aqueles que esposam uma crença secular, sujeita à racionalização dos acadêmicos de acordo com a filosofia contemporânea, que dispensam os Pais e os Concílios como irrelevantes em nosso tempo, que dispensam os ensinos morais das Escrituras e dos Pais como culturalmente relativos. Podemos chamar isso de uma ruptura entre o Cristianismo tradicional e a filosofia mundana pós-moderna, ou podemos rotular como libertação do fundamentalismo opressor para a luz de suas próprias razões.

Não se trata de uma divisão entre católicos e protestantes, nem entre evangélicos-carismáticos vs tradicionalistas. É algo que trespassa todas as comunidades do Ocidente, afetando mesmo as Igrejas Ortodoxa e Romana em certo grau. Como anglicanos, vocês conhecem bem o problema. É o motivo pelo qual vieram aqui e não ao TEC. Está sendo criado um enorme realinhamento dentro do Cristianismo; aqueles que mantêm a fé e disciplina patrística e bíblica do Catolicismo Ortodoxo, e aqueles que o rejeitam, o criticam, e o perseguem. Vocês e a Igreja Anglicana da América do Norte são parte deste realinhamento.

Existe uma movimento cultural radical de afastamento do Cristianismo tradicional, na direção de algo irreconhecível. Os "secularistas" (por falta de um termo melhor e não-pejorativo), rejeitam o nascimento virginal de Cristo, a ressurreição e mesmo Sua Divindade; rejeitam mesmo que Suas palavras estejam registradas nas Escrituras e que as Escrituras são relevantes mesmo em nossos dias; ao invés, crêem que elas seriam opressivas e manteriam o ser humano nas trevas. Outro bispo anglicano, um certo Sr. Spong, escreveu que "o Cristianismo deve mudar ou morrer", referindo-se à ortodoxia tradicional e aderindo à secularização radical da Igreja Episcopal e de toda a Cristandade. A minha previsão é que não serão as Igrejas Ortodoxas que morrerão.

Solzhenitsyn disse que "o que os campos da morte soviéticos não conseguiram fazer, o secularismo ocidental está realizando mais efetivamente". Na Rússia, 20 milhões morreram no século passado como mártires da fé ortodoxa, e incontáveis milhões de outros foram atirados nas gulags, por resistirem contra o secularismo militante. Muitos pereceram por terem resistido aos Renovacionistas cujo cisma distorcia a Fé Ortodoxa. Seja sob o nome de ateísmo soviético, ou secularismo ocidental, o inimigo é o mesmo.

Nossa batalha é contra o secularismo. Sua Santidade, o Papa Bento XVI, nos convocou a permanecermos unidos contra este inimigo. Este é o realinhamento para permanecermos juntos pela fé de uma vez e para sempre entregue por Cristo aos Apóstolos, e deles para os bispos, sem alteração, sem mudança, sem revisões; contra aqueles que desejariam submeter a fé a era moderna, a sabedoria do mundo. Devemos permanecer juntos, e não podemos ficar sozinhos. Até mesmo a imensa igreja romana está tomada de secularistas militantes, que desafiam sua autoridade, criticam o que não conhecem, e podemos testemunhar neste país como sua unidade é cada vez mais frágil.

Irmãos e irmãs, devemos abraçar a Cruz de Jesus Cristo, a loucura do Evangelho, a sabedoria que não é deste mundo. Devemos alegrar-nos na salvação que Deus nos concedeu em Seu Filho, Jesus Cristo, que foi crucificado por nós e ergueu-se dos mortos. Nos glorificamos em Sua Ressurreição, e esperamos sua Segunda Vinda. E devemos superar as divisões que nos separam, para que possamos estar unidos em uma mente e um coração, confessando que Deus veio em carne para nos erguer ao Céu. Devemos viver de acordo com os mandamentos éticos e morais de Nosso Senhor Jesus Cristo, consagrados no Evangelho, rejeitar o pecado e reconhecer sua corrupção. Esta é a fé ortodoxa dos Pais, dos Concílios Ecumênicos e da Igreja indivisa. Nós temos que aceitar o desdém e o escárnio daqueles que são deste mundo mesmo daqueles que chamam a si mesmos de irmãos. Temos que aceitar sermos expulsos da sinagogas e ridicularizados, processados nos tribunais, e considerar sem importância tudo que perdemos pelo amor de Cristo. Isto, meus amigos, é a nossa cruz. Temos que apoiar uns aos outros enquanto a carregamos. Quanto mais próximos nos tornamos, maior deve ser o nosso apoio mútuo, e não perderemos a motivação, nem esqueceremos que Cristo já conquistou a vitória: Ele venceu o mundo. Aceitando seguir o caminho de Sua Cruz, também nós partilharemos de Sua Vitória.

Escutemos as palavras de S. Paulo:

Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento. Pois acerca de vós, irmãos meus, fui informado pelos que são da casa de Cloé, que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de que entre vós se usa esta linguagem: Eu sou discípulo de Paulo; eu, de Apolo; eu, de Cefas; eu, de Cristo. Então estaria Cristo dividido? É Paulo quem foi crucificado por vós? É em nome de Paulo que fostes batizados?
Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho; e isso sem recorrer à habilidade da arte oratória, para que não se desvirtue a cruz de Cristo. A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes {Is 29,14}. Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus que é loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.



I Cor. 1:10-13, 17-25

sábado, 23 de junho de 2012

Rio+20 e a Nova Ordem Mundial - Parte II


ESCRITO POR SAULO DE TARSO MANRIQUEZ | 23 JUNHO 2012 - Publicado no site Mídia sem máscara 
No artigo anterior afirmei que a Rio+20 é um evento inserido na agenda da Nova Ordem Mundial, a qual propõe uma espiritualidade anticristã, o abortismo, a supressão gradual das liberdades civis e da soberania dos Estados. No presente artigo procurarei apresentar mais fatos e informações a respeito.
1. Construindo uma nova espiritualidade 
Os construtores da Nova Ordem Mundial sabem que não podem abolir as religiões da face da Terra. O apelo à transcendência está presente em todas as sociedades humanas. Para contornar essa impossibilidade, os planificadores globais promovem a nova religião, a chamada Nova Era.
A Nova Era não é propriamente uma religião, mas tão somente um simulacro de religião, que se apropria indevidamente de elementos de diversas tradições religiosas e os mistura com um discurso pretensamente “científico” e com técnicas psiquicas, mantras, programação neorolinguística e autoajuda. Trata-se de uma “religião” biônica e universal criada em laboratório com vistas a suprir a demanda religiosa durante a construção da Nova Ordem Mundial. Em tempo hábil, a Nova Era será descartada, mas enquanto isso não acontece, ela servirá como um pano de fundo religioso legitimador da governança global. A Nova Era precede o pesadelo tecnocrático e científico de Aldous Huxley em o Admirável Mundo Novo.
A Nova Era não é uma “religião” institucionalizada, com um corpo coeso de doutrinas e ritos, ela é um movimento e, enquanto tal, já possui - por força dos inúmeros grupos, seitas e submovimentos que para ela concorrem - certa autonomia, ou seja, já se apresenta como um simulacro suficiente de religião nesses tempos de materialismo cafona e conta com número significativo de adeptos.

Contudo, a Nova Era ainda precisa parasitar as grandes tradições religiosas, ou para corroê-las por dentro ou para fisgar novos adeptos à nova espiritualidade global.

Engana-se quem pensa que a Nova Era limita-se a parasitar as filosofias e as religiões orientais e as crenças animistas. Na atual etapa, a Nova Era é usada para forjar a unificação das religiões e para isso se infiltra também nas religiões do ramo semítico, mormente no Cristianismo[1].

A construção de uma “religião” global passa pela promoção de um ecumenismo indecente entre as tradições religiosas e pelo resgate de mitos antigos como o mito de Gaia.

Por meio da Hipótese de Gaia James Lovelock, um dos founding fathers do aquecimentismo antropogênico[2], não apresentou somente uma hipótese científica pela qual se considera a Terra um ser vivo em busca de seu autoequilíbrio, mas também resgatou o mito de Gaia, a Terra, ou Mãe Terra, mito esse que veio a ser usado no bojo da nova espiritualidade da Nova Era.

Na Teogonia de Hesíodo, Gaia é uma divindade, uma potestade ou divindade originária[3].

Pode-se dizer que o culto a Gaia serve a uma concepção panteísta de Deus. No entanto, nesse culto a própria ideia de Deus acaba sendo deixada de lado, pois o que se cultua não é um suposto deus na natureza, imanente, mas a natureza em si: diviniza-se a natureza.  
O culto a Gaia se presta a dois fins imediatos: além de romper com a noção de transcendência, acaba por suprir a demanda feminista por um sagrado feminino. 
A noção de transcendência que se perde é a noção de que existe um Deus criador, que embora também seja imanente, está para além do tempo, além do mundo e de sua criação. Ao se perder essa noção, o homem deixa de se sentir uma criatura que tem sua própria relação com o transcendente. Na linguagem new ager ou somos todos deuses ou somos uma massa celular compactada regida quase que exclusivamente por reações bioquímicas e ou por “energias”[4]. O próprio Deus - quando permitem falar Dele - é reduzido a uma mera energia.
Entretanto, essa perda deixa um vácuo que precisa ser preenchido por uma transcendência artificializada. É por essa razão que os movimentos new agers se valem de correntes místicas e esotéricas ou pseudo-esotéricas das mais diversas com o fito de promover uma suposta “iluminação”.
A Nova Era é tida como a era do “novo tempo”, a Era de Aquários, a Era pós-cristã.
E qual é a relação da Rio+20 com essa história?
Só com uma olhada rápida e descuidada é difícil identificar com clareza a relação da Rio+20 com a Nova Era. No entanto, quando se vai um pouco mais a fundo a relação começa a se tornar evidente.
Diversos grupos e diversas ONGs que participaram da Rio+20 estão imbuídos da mentalidade da Nova Era e, de forma clara, aderiram à espiritualidade e à educação gaiana. A educação gaiana, a Gaia Education, é um projeto global que tem por escopo capacitar pessoas para a "sustentabilidade".  No Brasil, a educação gaiana é promovida pela ONG Terra UNA. A Gaia Education e seus representantes brasileiros estão na Rio+20.
Mas o que mais evidenciou a relação da Rio+20 com a Nova Era foi a Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, que foi

“um evento organizado pela sociedade civil global que acontecerá entre os dias 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro – paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD), a Rio+20”[5].

Na Cúpula dos Povos foi montanda uma Tenda chamada Gaia Home, na qual froam realizados rituais que mostraram bem a nova espiritualidade que orienta a Rio+20.
Dança da Paz na Rio+20
Não se pode dissociar essas iniciativas notoriamente religiosas, ou melhor, pseudo-religiosas, com as atividades da URI (United Religions Initiative), que é hoje um tentáculo da ONU. No entanto, ações as quais dá suporte são observadas desde o século XIX, visando, em nome da tolerância e pluralidade religiosa, neutralizar a influência das grandes religiões; o principal alvo é o cristianismo, bem como fortalecer idéias como o controle populacional, uma “ética global” coletivista, e reduzir as religiões à mera militância em prol “de um mundo melhor”, ao mero ativismo social.

O livro de Lee Penn, False Dawn, traz praticamente tudo o que é necessário saber a respeito da URI, e logo se percebe porque eventos como a Rio+20 são como são.
A nova espiritualidade global é uma espiritualidade sem Deus; é uma espiritualidade onde não há pecado, nem pecadores, mas tão somente semi-deuses “iluminados” e “libertos”, partícipes da ”nova consciência universal” definida de antemão pelos novos Concílios Ecumênicos, formados pela ONU e pelas ONGs (cujos líderes são como patriarcas que representam a massa dos fiéis da sociedade civil global).
2. Aborto para a sustentabilidade
A legalização do aborto por todos os cantos do mundo é um dos objetivos mais caros da agenda da Nova Ordem Mundial.
O aborto em escala global é defendido e patrocinado por diversos atores da Nova Ordem Mundial (ONU[6], OMS[7], Fundação Ford[8], etc.).  
A Rio+20 – conforme fora destacado no artigo anterior – faz parte da agenda da Nova Ordem Mundial. Por essa razão, as ONGs, as representantes da “sociedade civil global” na Rio+20, defenderam a legalização do aborto como uma medida necessária para a promoção do desenvolvimento sustentável[9].
A defesa do aborto por ONGs visa dar a impressão de que é a sociedade que almeja a prática “sustentável” do aborto.
Essa postura das ONGs na Rio+20 não deve causar espécie. As ONGs globalistas, muito bem financiadas por fundações bilionárias, estão fazendo o que foram pagas para fazer; estão atendendo, pavlovianamente, ao chamado de seus senhores.
Doravante, já se pode falar em “aborto verde”, “aborto sustentável” ou, quiçá, “bioaborto”.
3. “Governança Mundial”   
A soberania dos Estados é um óbice para a construção de uma Nova Ordem Mundial e de um Governo Mundial. Os globalistas não se cansam de criar estratégias para superar o conceito “retrógrado” de soberania. Em novilíngua, é preciso “avançar”...
O globalismo de cepa ocidental é sofisticado, sedutor, e forjado com muita paciência. Esse globalismo não é propriamente uma novidade[10], no entanto, sua efetiva articulação é mais recente.
Da década de 1950 para cá é possível se constatar o fortalecimento e a aceitação do discurso globalista. Contudo, a propositura de um Governo Mundial propriamente dito só surge na década de 1990[11].
Para tornar palatável a ideia de um Governo Mundial os globalistas inventaram a expressão eufemística “Governança Global”.
Como tentáculos da Nova Ordem Mundial, as melancias totalitárias reunidas na Rio+20 promovem abertamente a dita “governança global”.
Os mentores do governo mundial viram na questão ambiental um meio eficaz para legitimar a criação de um poder global centralizado. Para tanto, exploram-se até a exaustão problemas transfronteiriços (p. ex.: chuva ácida, questão dos refugiados ambientais, etc.) e ou regionais com vistas a transformá-los em problemas globais que demandam soluções globais. Assim, foram elaborados uma série de documentos enfatizando a “necessidade” de uma Governança Global para se proteger o meio ambiente e se promover o desenvolvimento sustentável.
Porém, antes de defenderem enfaticamente um Governo Mundial os planejadores globais destacaram a importância de haver uma Organização Mundial para o desenvolvimento sustentável. Assim, em 2002, o relatório International Sustainable Development Governance.The Question of Reform: Key Issues and Proposals da Universidade das Nações Unidas já defendia a centralização política da questão ambiental na World Environment Organisation (WEO).
Na esteira desse relatório foram elaborados outros relatórios: em 2008, o International Institute for Sustainable Development (IISD) publicou um texto chamado Governança Ambiental Global: Quatro Passos para Coerência segmentada: Uma Abordagem Modular e em 2010, o Instituto Fritjof Nansen publicou o relatório International Environmental Governance; também 2010 o Stakeholder Forum elaborou, já visando a Rio+20, o Artigo de Discussão 1: Governança Internacional para o Desenvolvimento Sustentável e Perspectiva Iniciais para Rio +20.

Superada a fase preparatória, os globalistas já se permitem falar em Governança Global sem, contudo, os usuais e limitantes subtítulos. Nesse sentido, merecem destaque as Propostas Para uma Nova Governança Mundial, as quais foram elaboradas tendo em vista a Conferência Rio+20[12]. Dentre as propostas vale destacar a instituição de um Tribunal Internacional do Meio Ambiente e a constituição de uma força armada mundial independente dos Estados.

Por fim, merece destaque o texto Caminhos e Descaminhos para a Biocivilização  disponibilizado pelo Portal Rio+20. O texto propõe uma transformação no paradigma civilizatório no sentido de se criar uma Biocivilização. O texto fala em “desprivatização da família”, critica uso de carros, manifesta indignação com os sistemas de segurança e vigilância dos prédios e condomínios (vistos como meios de exclusão social), traz a propriedade privada intelectual como um elemento “negador de humanidade”, defende que o “princípio da propriedade individual da terra” deve ser posto radicalmente em questão e, por fim, defende “o diálogo intra e inter movimentos que permita sínteses novas combinando tudo o que significa o bem viver dos povos indígenas,com o cuidado das feministas (???), o conhecimento compartilhado das plataformas do software livre e do copyleft, da agroecologia e economia solidária, sem contar o que vem da ecologia profunda e a ética ecológica”. O diálogo entre os diversos “sujeitos coletivos” é tido como “um novo modo de fazer política”; um “mosaico dinâmico e de múltiplas possibilidades da nascente cidadania planetária”.
4. Declaração final da Rio+20 – “The future we want”
A declaração final da Rio+20, The future we want, por ser uma declaração oficial, adota, ardilosamente, um tom leniente. A Declaração, de forma estratégica e sedutora aponta a necessidade de se erradicar a pobreza, coloca o ser humano no centro do desenvolvimento sustentável e reafirma a importância da liberdade, da segurança, do estado de direito e dos direitos humanos, dando assim, a impressão de que se trata de um evento voltado tão somente para resolução de problemas e para a valorização da vida humana. Isso é só estratégia discursiva.
A Declaração Final da Rio +20 reafirma os princípios da Rio 92 e os planos de ação anteriores, ou seja, reafirma a agenda novordista que a precedeu. Destarte, traz novamente o discurso da necessidade e urgência de se enfrentar as mudanças climáticas e, alinhada com as propostas anteriores de redução da população mundial, enfatiza a promoção do planejamento familiar e dos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e jovens:

Reafirmamos nuestro compromiso con la igualdad entre los géneros y la protección de los derechos de la mujer, los hombres y los jóvenes a tener control sobre las cuestiones relativas a su sexualidad, incluido el acceso a la salud sexual y reproductiva, y decidir libremente respecto de esas cuestiones […].
A defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres é uma forma sofisticada de se promover a agenda abortista.
Quanto à promoção de direitos sexuais aos jovens, vale dizer que há aí a tentativa de retirar a autoridade dos pais sobre seus filhos. O objetivo é fazer com que os jovens exerçam, precocemente e sem quaisquer impedimentos, a sexualidade. Eis aí uma aplicação concreta da “desprivatização” da família.
Ademais, a Declaração reconhece a importância internacional da expressão “Mãe Terra” (“Madre Tierra”).  
Conclusão:Tal como Hitler, Stálin e Mao, as melancias totalitárias propõem um novo homem e uma nova civilização.
A Rio+20 não é um evento espiritualmente neutro, afinal a ONU não é, e a existência da URI é prova disso. Ela está alicerçada num projeto que visa construir uma nova espiritualidade global.
Nessa espiritualidade, o ser humano é colocado no mesmo plano das galinhas e das árvores. Na Nova Era, a morte de um ser humano é análoga a uma espinha que estoura, ao furúnculo que é expelido. É por isso que as ONGs defenderam o aborto como uma prática sustentável. Matar bebês no ventre de suas mães, nesses tempos de duplipensar, não é violência é “não violência”, é paz.
Os biocidadãos new agers se postam contra as guerras e promovem uma cultura de “paz” e “não violência”, o que parece ser uma coisa bonita, pois afinal, quem é que gosta de guerra, dor e sofrimento? Contudo, a sustentabilidade new ager, “gaiana”, não dispensará o uso da força para se impor. Um exército mundial certamente será o braço armado da solução ambiental global que marchará contra os povos, as religiões e os Estados não dispostos a se prostrar perante um poder temporal, global, ilegítimo e antidemocrático.   
A despeito de eventuais propostas bem intencionadas e razoáveis, a Rio+20 é um evento enraizado numa cosmovisão desumanizadora e totalitária.
O espetáculo de bom mocismo e engajamento cidadão da Rio+20 é falsa luz é falsa paz. É a paz sem Deus; é a paz da Nova Ordem Mundial; é a paz do Governo Mundial.  

Notas:
[1] Para se ter uma ideia do grau de infiltração da Nova Era dentro do Cristianismo – e também no Judaísmo, diga-se – basta notar que há uma organização chamada National Religious Partnership for the Environment, uma coalisão inter-religiosa que envolve judeus, católicos, protestantes e ortodoxos em torno da “causa” do meio ambiente. Já há quem denuncie que a organização está tentando inculcar nas pessoas o culto a Gaia. Outro exemplo trágico é a Campanha da Fraternidade de 2011, cujo hino oficial chama a Terra de “Nossa mãe” e, incorporando plenamente o conceito de Gaia trazido por Lovelock, diz que a Terra é uma “criatura viva” que “respira, se alimenta e sofre”.
[2] Recentemente James Lovelock admitiu que suas projeções alarmistas estavam equivocadas.
[3] Cf. HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 2007.
[4] Eric Voegelin provavelmente enxergaria esse processo como um processo de “rebaixamento da substância de ordem do logos, na hierarquia ontológica, para o nível das substâncias orgânicas e dos impulsos” (VOEGELIN, Eric. Bases morais necessárias à comunicação numa democracia. Caderno de Ciências Sociais Aplicadas, Curitiba, n. 5, 2002, p. 09-10). 
[6] A título de exemplo, vale a pena conferir o seguinte documento: Human Rights Committe - Second Periodic Report - CCPR/C/BRA/2004/2 - 11 April 2005. Disponível em: http://www.unhchr.ch/tbs/doc.nsf/0/1cfb93fe59fa789ec125703c0046a987/$FILE/G0541019.pdf
[7] Cf. ESSIG, Andrew M. The World Health Organization’s Abortion Agenda. New York: IORG, 2010.
[8] A própria Fundação Ford reconhece seus financiamentos ao movimento pró-aborto. Para conferir isso, basta procurar pelos relatório anuais dessa fundação (Ford Foundation Annual Report) e fazer uma busca com as expressões “abortion” e “reproductive rights”.
[9] Cf.: http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/na-rio20-ongs-estrangeiras-defendem-legalizacao-do-aborto.html
[10] Kant, em seu opúsculo dedicado À Paz Perpétua, já propunha no segundo artigo para a paz perpétua que “o direito internacional deve fundar-se em um federalismo de Estados livres”, o “Estado dos povos, que por fim viria a compreender todos os povos da terra”[11]. Ora, o “Estado dos povos”, de todos eles, reunidos sob um “federalismo de Estados livres”, em uma ordem internacional só pode significar uma Federação Mundial que demanda necessariamente um Governo Mundial (Cf. KANT, Immanuel. À paz perpétua. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008, p. 31 e 36).
[11] Um dos primeiros discursos abertos e, por assim dizer, “oficiais” (no âmbito da ONU), no sentido de se construir um Governo Mundial é o texto de Jan Tinbergen encontrado no Human Development Report 1994. Nesse texto Tinbergen diz: “Mankind’s problems can no longer be solved by national governments. What is needed is a World Government. This can best be achieved by strengthening the United Nations system” (UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME. Human development report 1994. Disponível em: http://hdr.undp.org/en/media/hdr_1994_en_chap4.pdf).
[12] IBASE/FÓRUM PARA UMA NOVA GOVERNANÇA MUNDIAL. Propostas para uma Nova Governança Mundial. Disponível em:  http://rio20.net/wp-content/uploads/2011/07/Propuestas_nueva_Gob_mundial_PT.pdf