sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O que "União" significa para Ortodoxos e Católicos?


(O encontro do Patriarca com o Papa) foi vastamente coberto pela mídia, com o Papa e o Patriarca fazendo pronunciamentos conjuntos, orações conjuntas e documentos assinados conjuntamente. Até mesmo partilharam um abraço.


É fácil para o fiel ortodoxo simples e piedoso se escandalizar com tais ações, mas devemos lembrar que o Papa e o Patriarca ainda possuem objetivos mutuamente excludentes que os impedem de consumar uma união, isto é, para cada um dos dois, os termos da união são diferentes.


Em 05 de novembro de 2014, o Papa Francisco explicou seus objetivos claramente para a Audiência Geral na Praça de São Pedro. Ele disse:

"Quando Jesus escolheu e chamou os Apóstolos, Ele não pensava neles como separados uns dos outros, cada um por si, mas juntos, porque deviam permanecer unidos nEle, como uma única família. Além disso, os bispos também constituem um Colegiado único, reunido com o Papa, que é o guardião e garantidor desta profunda comunhão que era tão querida ao coração de Jesus e para seus Apóstolos também...
Nenhuma Igreja é saudável se os fiéis, os diáconos e os padres não estão unidos ao bispo. Essa Igreja, que não está unida ao bispo, é uma Igreja doente. Jesus queria essa união de todos os fiéis com o bispo, incluindo diáconos e padres. E isso eles fazem conscientes de que é precisamente no bispo que o elo é feito visível com cada Igreja, com os Apóstolos e todas as outras comunidades, unidas a seus bispos e ao Papa na Igreja una do Senhor Jesus, que é a nossa Hierárquica Santa Madre Igreja."




Portanto, de acordo com essas palavras do Papa Francisco, a Igreja Ortodoxa seria qualificada como "uma igreja doente", e a restauração da saúde de "uma igreja doente" (católica, ortodoxa ou protestante) só ocorre pela união com "o Papa na Igreja una do Senhor Jesus", para ele, a Igreja Católica Romana.


O Patriarca Bartolomeu também deixou seus objetivos claros pouca mais de um ano antes quando encontrou o Patriarca da Bulgária no Fanár em 20 de setembro de 2013. Em um pronunciamento sobre o diálogo ecumênico com os heterodoxos, o Patriarca Bartolomeu disse:

"Quanto às discussões e diálogos entre todas as igrejas ortodoxas e os heterodoxos, elas tem como propósito final a realização da vontade e mandamento do Senhor: "Que todos sejam um" (Jo. 17:21). Agora contribuem para a cooperação social e o testemunho da verdade, e ambos objetivam uma compreensão mútua e, na hora certa, a aceitação da única fé ortodoxa por parte dos heterodoxos. Não buscamos, como foi escrito na Bulgária e em outros lugares, a criação de um 'conglomerado' de crenças comuns aceitáveis. Isto é, não estamos buscando através do assim chamado movimento ecumênico, a aceitação de uma "confissão cristã sincrética", mas um aprofundamento da fé cristã ortodoxa e da cooperação social com aqueles que invocam o nome de Cristo.
Naturalmente, não temos medo, como ortodoxos e que possuímos a plenitude da verdade, de que seríamos afetados pelos pontos de vista de nossos irmãos heterodoxos em questões doutrinais. Estamos apenas seguindo um tradição eclesiástica longamente mantida, resumida no conselho de S. João Clímaco: "no caso daqueles que disputam maliciosamente conosco, sejam descrentes ou hereges, devemos desistir depois de tê-los alertados duas vezes. Mas no caso daqueles que desejam aprender a verdade através de nós, jamais nos cansemos de boas ações. Entretanto, devemos usar ambas as oportunidades para o estabelecimento de nosso próprio coração" (Escada, Degrau 26:125). Através dessa estratégia não estamos traindo a Ortodoxia, como nos criticaram, nem apoiamos conceitos ecumenistas, mas proclamamos aos heterodoxos toda a verdade da Ortodoxia".


Portanto, de acordo com o Patriarca Bartolomeu, a Igreja Católica Romana, é uma igreja heterodoxa que deve "no tempo certo" aceitar "a única fé ortodoxa" para que haja união entre as Igrejas Ortodoxa e Católica.


Vemos que cada um tem em mente sentidos mutuamente excludentes para a palavra "união", mesmo quando a pronunciam juntos, sem que haja objetivos comuns. Ambos desejam a união, cada um a seu modo, como todos os cristãos deveriam desejar a união, mas a consumação de tal fato através da intercomunhão, partilhando o cálice da Divina Eucaristia tanto em uma igreja como em outra, só poderia ocorrer se ou o Papa ou o Patriarca fizessem sérias alterações doutrinárias, e não há sinais de que essa possibilidade sequer esteja no horizonte.


Adaptado e resumido de: http://www.johnsanidopoulos.com/2014/11/the-mutually-exclusive-goals-of-pope.html

Um comentário:

fábio Barreto disse...

Fórmula "perfeita" para o uniatismo - https://en.wikipedia.org/wiki/Laetentur_Caeli