domingo, 18 de janeiro de 2009

Quais as Diferenças entre a Ortodoxia e o Catolicismo Romano?

Amigos,

eu tinha este artigo impresso aqui, mas não lembro de que site eu o havia obtido. Reencontrei-o em um site da Renovação Carismática e compartilho-o com vocês por elucidar de forma sucinta a pergunta que mais se faz a respeito da comparação da Igreja Latina e a Santa Igreja.

Quais as Diferenças entre a Ortodoxia e o Catolicismo Romano?

Por Michael Azkoul

Esta questão é levantada diversas vezes. Muitos Ortodoxos, quando citam as diferenças entre a Ortodoxia e o Catolicismo Romano, mencionam normalmente o Papa e o purgatório, e algumas vezes o filioque.
Historicamente, as diferenças são mais numerosas e profundas.

Também, nos tempos modernos, desde o Vaticano II há trinta anos atrás, a trágica tentativa de “atualizar” o Catolicismo Romano (v.g. a revisão do direito canônico), as diferenças entre a Ortodoxia e os seguidores do papa aumentaram.

Neste presente artigo, lidaremos principalmente com as diferenças cultivadas entre a Ortodoxia e o Catolicismo, separados há quase mil anos.

1. Fé e Razão

Seguindo os Santos Padres, a Ortodoxia usa a ciência e a filosofia para defender e explicar a fé. Ao contrário do Catolicismo Romano, ela não se baseia nos resultados da filosofia e da ciência. A Igreja não busca reconciliar fé e razão. Ela não faz nenhum esforço para provar pela lógica ou pela ciência o que Cristo entregou para que seus seguidores acreditem. Não recusamos o apóio da física, da biologia ou da química nos ensinamentos da Igreja. Porém, a Ortodoxia não é intimidada pelas realizações intelectuais do homem. Ela não se curva perante tais coisas, e não muda o pensamento da fé Cristã por causa dos pensamentos humanos e da ciência.

São Basílio o Grande alertava os jovens monges sobre a utilização da filosofia grega, para que a utilizassem como a abelha usa a flor. “Peguem somente o ‘mel’ – a verdade – que Deus plantou no mundo para preparar o homem para a Vinda do Senhor.”

Por exemplo, os Gregos possuíam a doutrina do Logos. O Evangelho de João começa, /“E no princípio era o Verbo” /(Logos, em Grego). Para os pagãos, o Logos não era Deus, como Ele é para os Cristãos, mas sim um princípio, um poder, uma força pela qual “Deus” criou e governa o mundo.


Os Pais da Igreja apontavam a semelhança entre o Logos da Bíblia e o Logos da Filosofia Grega como um sinal da Providência Divina. A diferença entre eles é atribuída ao pecado do homem e à fraqueza do intelecto humano. Isso nos lembra as palavras do apóstolo Paulo: /“Estai de sobreaviso, para que ninguém vos engane com filosofias e vãos sofismas baseados nas tradições humanas, nos rudimentos do mundo, em vez de se apoiar em Cristo.”/ (Cl. 2:8).

Por outro lado, o Catolicismo dá um alto valor à razão humana. Sua história nos mostra a conseqüência desta confiança. Por exemplo, na Idade Média, durante o século XII, o teólogo e filósofo Tomás de Aquino “uniu” o Cristianismo com a filosofia de Aristóteles. A partir deste período, os latinos começaram a oscilar como nunca graças a este respeito pela sabedoria humana, alternando radicalmente entre teologia, os mistérios e as instituições da religião Cristã.

2. O Desenvolvimento Doutrinário

A Igreja Ortodoxa não endossa a visão de que os ensinamentos de Cristo devem mudar através dos tempos, mas sim que os ensinamentos de Cristo permanecem inalterados desde o dia em que o Senhor entregou a Fé aos Apóstolos (Mateus 28:18-20).

É claro que a Ortodoxia reconhece mudanças externas (por exemplo, vestes do clero, hábitos monásticos, novas festas, cânones de concílios ecumênicos ou regionais, etc), mas jamais algo foi adicionado ou subtraído de sua Fé. As mudanças externas possuem um único propósito:
expressar a fé em vista de novas circunstâncias. Por exemplo, a Bíblia e os serviços divinos foram traduzidos do hebraico para o grego e para os outros idiomas das novas terras, novos costumes religiosos surgiram para expressar a sensibilidade étnica de novos povos convertidos, etc.; todavia, sempre há /“uma só Fé, um só Senhor, e um só batismo” /(Ef. 4:4).

O fundamental testemunho para a Tradição Cristã é a Bíblia Sagrada, e os expositores supremos das escrituras são os divinamente inspirados Pais da Igreja, sejam eles gregos, latinos, sírios ou eslavos. O lugar deles na religião Ortodoxa não pode ser alterado. Sua autoridade nunca pode
ser substituída ou ignorada.

Por outro lado, o Catolicismo Romano, incapaz de mostrar uma continuidade na fé para justificar suas novas doutrinas, criou no último século a teoria chamada de “desenvolvimento de doutrina”.

Seguindo o espírito filosófico atual (sob a liderança do Cardeal Henry Newman), o catolicismo romano começou a definir que Cristo nos deu um “depósito original” de fé, uma “semente”, que deve amadurecer através dos séculos. O Espírito Santo, segundo eles, ampliou a Fé Cristã e moveu a Igreja para novas circunstâncias, adquirindo outras necessidades.

Conseqüentemente, o catolicismo romano desenha sua teologia como algo que cresce por estágios, aumentando e clareando os níveis de conhecimento. Os ensinamentos dos Pais da Igreja, por mais importantes que sejam, pertencem a uma fase anterior à Idade Média Latina
(Escolástica), que por sua vez, está atrás das novas idéias posteriores, como as do Concílio Vaticano II.

Todos estes estágios são úteis, como recursos; e o teólogo pode simpatizar pelos Santos Padres, por exemplo, mas também pode contradizer qualquer coisa, seja ela de maior ou menor escala.

Desta forma, teorias como o dogma da “infalibilidade papal” e a “imaculada conceição de Maria” (sobre a qual falaremos mais à frente) são apresentadas ao fiel como necessárias à salvação.

Neste caso, para os católicos a verdade destes dogmas já pertencia à Tradição Cristã. Eles já faziam parte da Tradição Cristã, mas em forma de “dicas”, ou como sementes que esperavam o tempo para florescer.

3. Deus

O Catolicismo Romano ensina que a razão pode provar o que Deus é; e até mesmo deduzir que Ele é eterno, infinito, bom, incorpóreo, todo-poderoso, onisciente, etc. Ele é o “ser mais real”, “verdadeiro ser”. O homem é como Ele (análogo), porém, é um ser imperfeito. Um escritor do século XVII, Blaise Pascal, explicou melhor, “o Deus do Catolicismo Romano é o Deus dos filósofos e sábios, e não o Deus de Abraão, Isaac e Jacó.”

Seguindo os Santos Padres, a Ortodoxia ensina que o conhecimento de Deus está plantado na natureza humana, e isto nos leva a crer que Ele existe. Caso contrário, somente se Deus falasse conosco, pois a razão humana não pode saber nada sobre Ele. O conhecimento salvífico de Deus vem do Salvador. Falando sobre Seu Pai, ele disse: /“Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste.” /(João 17:3)

O Catolicismo Romano ensina também que na Era futura, o homem conseguirá com seu intelecto e a ajuda da graça, descobrir a Essência de Deus. Os Santos Padres declaram que é impossível olhar a Deus Nele Mesmo. Porém, os salvos verão a Deus glorificado na carne de Cristo.

Historicamente, a teologia Católica Romana nunca distinguiu a Essência de Deus (o que Ele é) e suas Energias incriadas (sobre os significados de seus Atos). São Gregório Palamas tentou nos explicar essa diferença fazendo uma comparação entre Deus e o Sol. O Sol tem seus raios, assim
como Deus tem suas energias (entre elas, a Graça e a Luz). Por sua energia, Deus criou, sustenta e governa o universo. Por suas energias, Ele transforma e deifica sua criação; Ele enche suas criações de energia, assim como a água enche uma esponja.

Finalmente, o catolicismo romano ensina que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho” (filioque). Com isso, ele rejeita a Tradição Apostólica de que o Deus Pai é a única fonte (“monarquia”) do Filho e do Espírito Santo. Assim, os latinos acrescentaram palavras ao Credo de Nicéia.

“Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a Vida, e que procede o Pai e do Filho...”

Eles fizeram tudo isso utilizando somente a autoridade do Papa, durante o século XI, sem nenhum Concílio da Igreja (Concílio Ecumênico).

4. Cristo

Por que Deus se fez homem? A resposta dos Católicos Romanos difere da resposta da Santa Igreja Ortodoxa. Seguindo os Santos Padres, a Ortodoxia ensina que Cristo, na Cruz, deu
/“sua vida em resgate de uma multidão”/ (Mateus 20:28/). “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos.”/ (Marcos 10:48). O “resgate” foi pago na sepultura. Como Deus revelou ao Profeta Oséias (Oséias 13:14); /“E eu o
libertaria do poder da região dos mortos, isentá-lo-ia da morte”/. Em suma, Ele pagou o resgate ao Diabo, que guardava as sepulturas e celebrava o poder da morte (Hb. 2:14).

O Cristo Homem deu-Se voluntariamente na Cruz. Ele morreu por todos (“um resgate pela multidão, ou à multidão”). Mas, ele ressuscitou da morte com Seu corpo crucificado. A morte não tinha poder para segurá-lo. Ninguém nunca terá este poder. A raça humana foi liberta da sepultura e do diabo. Estar livre do diabo é estar liberto da morte e do pecado. Para ficarmos livres de tais coisas, nós nos tornamos como Deus (deificação) para podermos viver com Ele sempre.Segundo a teologia católica romana, Deus se fez homem para satisfazer a justiça Divina, ofendida pelo pecado de Adão. Em outras palavras, o pecado de Adão ofendeu a Deus infinitamente, e isso trouxe conseqüências infinitas. Como o homem pecador e finito não tem como fazer este pagamento, o pecado de Adão (“pecado original”) foi passado para nós, de
maneira obrigatória. Somente Cristo, o Deus feito homem, conseguiria pagar esta “dívida de honra”.

Ele pagou esta dívida morrendo na Cruz. Sua morte compensa o pecado feito por Adão, removendo a ofensa. Cristo ressuscitou dos mortos, a promessa ou a “realidade” da crença do homem futuro. Por muito tempo, os latinos, mesmo entre os católicos mais simples e intelectuais, deram muito pouca atenção para a idéia da deificação. Eles não deram muita atenção aos conceitos necessários do entendimento dessa doutrina.A teologia católica romana é normalmente legalista e filosófica. Por exemplo, um batismo “válido” em Cristo resulta da boa intenção de quem recebe (usando a mesma compreensão do Batismo da Igreja) e o uso correto das formas e palavras durante a cerimônia ou rito. Assim, até mesmo um ateu, seguindo certas condições, pode batizar uma pessoa. “Espirrar” (efusão) a água sobre a cabeça do batizado já é suficiente.

Atualmente, alguns teólogos latinos estão repensando o ensinamento Cristão sobre a salvação (soterologia). Eles estão começando a aceitar a idéia da deificação (tendo o batismo como primeiro passo), levando este assunto mais a sério. Eles insistem justamente na Tradição Cristã,
inclusive em Santo Agostinho e outros padres latinos. De fato, esta revolução na teologia católica é necessária para que ela se torne algo mais Bíblico e patrístico, para poder alcançar o entendimento sobre Cristo e a salvação dada por Ele.

5. A Igreja

A visão Católica Romana sobre a Igreja (eclesiologia) difere do ensinamento Ortodoxo em vários pontos.

Os latinos ensinam que o Papa é a cabeça visível da Igreja, o sucessor de São Pedro, elevado para esta sagrada posição pelas palavras de Nosso Senhor; /“tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...”/ (Mateus 16:18).

O Papa é o “Bispo da Igreja Católica”, além de professor e vigário de Cristo na terra. Ele é o intérprete da Tradição Cristã. Quando ele fala para toda a Igreja (ex cathedra), o Espírito Santo não permite que ele cometa erros. Ele é infalível, em matéria de moral e doutrina. Os outros
bispos são seus subalternos. Ele é o símbolo da unidade do episcopado.A Igreja Ortodoxa ensina que todos os bispos são iguais. Para ser sincero, há diferentes graus de bispos (patriarcas, arcebispos, metropolitas, bispos), mas um bispo é sempre um bispo. Tais diferenças se aplicam às administrações de grupo de igrejas, mas não à natureza dos bispos. O presidente de um sínodo de bispos é chamado de arcebispo (no costume grego) ou metropolita (costume russo).

De acordo com a tradição latina, cada paróquia é parte da Igreja universal. Todas as paróquias Católicas formam o Corpo de Cristo na terra. O corpo visível da Igreja tem uma cabeça visível, o papa. Esta idéia implica que cada paróquia local possui duas cabeças: o papa e o bispo local. Mas um corpo com duas cabeças não passa de um monstro. Assim, o bispo local é extirpado de sua autoridade apostólica, pois o papa pode contradizer suas ordens. Na verdade, ele não é bispo se o papa não o permitir.

A Ortodoxia ensina que todo Bispo, “o ícone vivo de Cristo”, e seu rebanho constituem a Igreja em um certo local, ou, como disse Santo Ignácio da Antioquia, a Igreja de Cristo está nos Bispos, nos padres e diáconos, e com os fiéis que participam da Eucaristia na verdadeira fé. Todos os Bispos e rebanhos constituem e compõem a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Em outras palavras, não há Igreja sem bispo, não existe bispo sem Eucaristia, e não há bispo e eucaristia onde não existe a verdadeira fé, a Fé Apostólica; /“confiada de uma vez para sempre aos santos”/ (Judas 1:3). “A Igreja está no bispo e o bispo na Igreja” escreveu São Cipriano
de Cartago. Por outro lado, não há Igreja sem bispo, e não há Bispo onde não existe a sucessão apostólica, e não há esta sucessão onde não existe a Fé dos Apóstolos.

Também não há Igreja sem Eucaristia, o Sacramento da unidade, porque a Igreja é formada por ele. O Corpo e o Sangue de Cristo unem o fiel a Deus. Esta comunhão ou koinonia é o grande propósito do Cristianismo. Ao mesmo tempo, não há Eucaristia – ou outros mistérios – sem um bispo que ensine a verdade aos batizados.

6. Os Santos Cânones

O cânone é uma “regra” ou um “guia” para o governo da Igreja. Os cânones são compostos por Apóstolos, Padres, e pelo Concílio (em latim) ou Sínodo (em Grego), local ou ecumênico. Somente o bispo, como líder da igreja, pode aplicá-los. Ele pode utilizá-los “estritamente” (akreveia) ou “estritamente” (economia). O normal é “estritamente”.

Ao contrário dos latinos, a Igreja Ortodoxa não pensa nos Cânones como leis, isto é, como reguladores de direitos humanos ou seculares, pêlo contrário, a Ortodoxia enxerga os cânones como uma maneira de se criar um “novo homem” ou uma “nova criatura”, utilizando a obediência. São treinadores para a virtude. Devem ser utilizados para produzir santidade.

De acordo com o ensinamento católico romano sobre os sacramentos (mistagogia), a pessoa vira um membro da Igreja pelo Batismo. É quando o “pecado original” é lavado. A Ortodoxia ensina o mesmo, mas a idéia de “pecado original” ou “culpa inerente” (de Adão) não fazem parte do nosso pensamento. Falaremos sobre isso mais à frente.

Os católicos romanos chamam sobre “Confirmação” o que a Ortodoxia chama de “Crisma”. A “Confirmação” é separada do batismo e é feita pelo bispo, e não pelo padre, mas a “Crisma” é feita pelo padre, que já recebeu a “crisma” do bispo. O Sacramento da “Crisma” e da “Confirmação” representam o recebimento do Espírito Santo. Os latinos adiam a "confirmação" (com a "primeira comunhão") das crianças batizadas não mais que sete anos, antes que tenham alguma noção do dom de Deus.

A Igreja Ortodoxa une o Batismo, a Crisma e a Santa Comunhão, primeiramente há a tripla imersão em água benta, assim o “Novo Cristão” sai da água com a companhia do Espírito Santo, que o conduzirá à união com Deus. Este é o propósito dos membros da Igreja.

A Ordenação é a cerimônia na qual pela graça e chamado de Deus o homem é elevado ao sacerdócio. O sacerdócio possui três ordens: bispo, padre (ancião) e diácono. Todos cristãos são sacerdotes em virtude do batismo em Cristo, que é o Sumo Sacerdote, Profeta e Rei - por isso São Pedro se refere a Igreja como /“nobre sacerdócio”/ (I Pedro 2:9). O bispo é o “sumo sacerdote”, o “presidente da Eucaristia e dos Mistérios”. Os padres e diáconos são seus assistentes. Os latinos asseguram que o padre “age na pessoa de Cristo”, quando na verdade, ele não faz mais do que representar o bispo, que é o “ícone vivo de Cristo”.

No sentido exato, a Penitência – às vezes chamada de “Confissão” – só deveria ser recebida pelo fiel re-admitido na Igreja. Durante algum tempo, a Penitência, ou confissão dos pecados, juntamente com as orações e o jejum, só eram aplicadas aos excomungados e apóstatas.

Para os Católicos Romanos, o Sagrado Matrimônio é uma ligação, um contrato inquebrável. O homem e a mulher ministram o casamento, e a “Igreja” (bispo ou padre) serve apenas como uma testemunha do ato. Conseqüentemente, não há a possibilidade de divórcio, mas sim a de
anulação do contrato do matrimônio, caso haja algum vício canônico que lhe faça nulo e sem efeito (como se isso nunca acontecesse).

Na Ortodoxia, o Sagrado Matrimônio não é um contrato, mas sim um mistério ou a união mística que une o homem e a mulher, – uma imitação da união de Cristo com a Igreja -, na presença de “todo povo de Deus”, representado pelo bispo ou padre. O divórcio também é proibido, mas,
como uma concessão à fraqueza humana, é permitido em casos de adultério. É permitido um segundo ou terceiro matrimônio – não como uma questão legal –, mas como um ato de misericórdia, uma concessão à fraqueza humana (v.g., após a morte de um cônjuge). Este Sacramento, como todos os outros, é completado pela Eucaristia, como disse São Dionísio, o Aeropagita.

Como mencionado acima, os latinos só concedem a Extrema Unção como último sacramento, que prepara o fiel para morte, purgatório e para o Século que há de vir. Na Ortodoxia, o Santo Óleo é usado para cura. Freqüentemente, a doença é fruto do pecado, então o Óleo é envolvido na
confissão dos pecados. Após o final do rito, o ungido recebe a Santa Comunhão.

A Igreja Ortodoxa também reconhece como mistérios o episcopado, monasticismo, benção das águas, etc...

8. A Natureza do Homem

A natureza humana foi criada boa, em comunhão com a Santíssima Trindade, que a “criou”. Homem e mulher foram criados “à imagem e semelhança” (Gn 1:26) de Deus: “semelhança” em virtude, e “imagem” significa reger a terra de maneira racional, agindo com sabedoria e liberdade. A mulher foi feita para ser a “companheira” do homem (Gn. 2:18, ICor. 11:8-9).
Ambos devem viver em harmonia e respeito mútuo.

Seguindo os Santos Padres, a Igreja Ortodoxa ensina que Adão introduziu a morte no mundo quando pecou contra Deus. Considerando que todos nascem nas mesmas condições de Adão, todos os homens herdam a morte. A morte significa o fim de todo ser humano (mortalidade), mas a morte também gera sentimentos como as paixões (raiva, ódio, luxúria, ganância, etc.), doenças e envelhecimento.

O catolicismo romano deu pouca atenção para a concepção Ortodoxa, de que o homem é escravo da morte através das paixões, que são controladas pelo diabo. Na verdade, o diabo foi “jogado fora”. Os latinos compreendem a Crucificação de outra forma, como Cristo sofrendo um castigo pela raça humana (“sacrifício propiciatório”), quando na verdade, Cristo sofreu na Cruz para vencer o diabo e destruir todo seu poder, a morte. Em todo caso, a Ortodoxia dá muita atenção ao “domínio das paixões”, através das orações (louvações públicas e devoções privadas), jejum
(auto-penitência), obediência voluntária e participação regular na Eucaristia (chamados algumas vezes de “os Mistérios)”. Assim, a melhor forma de vida Cristã (“a suprema filosofia”), é o monasticismo. Nele toda energia humana é voltada para perfeição.

Desta maneira, o monasticismo vem desaparecendo entre os Católicos Romanos. A chamada “religião super-natural” está ficando cada vez mais “mundana”. Com isso, eles abandonaram suas heranças medievais, e sua natureza vai ficando cada vez mais secular.

9. A Mãe de Deus

A doutrina e o lugar de Maria na Igreja é chamado de “mariologia”. Ortodoxos e Católicos Romanos acreditam que ela é a “Mãe de Deus” (Theotokos) e a “Sempre Virgem Maria”.

Porém, os Ortodoxos rejeitam o dogma Católico Romano da “Imaculada Conceição de Maria”, definido como dogma de fé pelo Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854. Este dogma assegura que: “a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.” (Bula Ineffabilis Deus, Cap. 41).

Tal teoria não possui nenhuma base Bíblica ou patrística. Ela contém muitas idéias (como os “méritos de Cristo”), sem nenhuma fundamentação apostólica. A idéia de que Deus e seus Santos produzem mais graças do que o necessário. Tal excesso foi aplicado outras vezes, até mesmo no
purgatório (veja abaixo).

Voltando ao assunto: a Igreja não aceita a idéia de que a Mãe de Deus tenha nascido com a culpa de Adão, pois ninguém nasce assim. Porém, ela herdou a mortalidade devido à queda de Adão.

Portanto, não há necessidade da criação deste dogma pelos latinos. Não há razão para inventar uma teoria que fundamente o dogma da Imaculada Conceição. Não há necessidade em ensinar, por causa dos “méritos de Cristo”, o Espírito Santo a impediu de herdar a culpa de Adão.

Na verdade, ela nasceu como todo ser humano. O Espírito Santo lhe preparou para ser a Mãe de
Deus. Ela estava cheia da energia incriada do Espírito Santo de Deus, para que pudesse ser merecedora do nascimento de Cristo. Além de que, muitos padres, observam que ela pecou antes da ressurreição do Filho. São João Crisóstomo ensina que pode-se presumir isso nas Bodas de Caná (João 2:3-4). Aí está uma prova de sua mortalidade.

Após receber o Espírito Santo mais uma vez, em Pentecostes, ela pôde morrer sem pecado. Devido a seu papel especial no Plano Divino (“economia” ou “dispensação”), ela foi levada ao Céu, de corpo e alma. Agora ela está sentada aos pés do Filho, fazendo intercessões por todos
que imploram por sua misericórdia. A Igreja Ortodoxa honra sua milagrosa “assunção” com uma festa no dia 15 de agosto, como os seguidores do Papa. Ambos acreditam na intercessão da Virgem Maria e de todos os Santos. A intercessão é um reflexo da unidade da Igreja do céu com a Igreja da terra.

Mas ambos acreditam que a Mãe de Deus é a Igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo. Os que pertencem a Igreja são identificados com Ele. Mas ele também é nosso “irmão” (Ro. 8:29). Se Cristo é nosso irmão, a Virgem Maria é nossa Mãe. A Igreja é nossa Mãe pelo Batismo. Então, a Virgem Maria é a Igreja.

10. Ícones

O ícone é uma representação artística de Cristo, da Mãe de Deus e dos Santos. O Deus Pai nunca pode ser representado, pois Ele nunca foi visto. O Espírito Santo de Deus aparece como uma pomba, ou em forma de “línguas de fogo”. Ele pode ser demonstrado destas formas. O Deus Filho
Se fez homem, e pode ser pintado em Sua forma humana. Os ícones são mais do que um quadro sagrado. Tudo sobre eles é teológico. Por exemplo, sempre são planos, para que entendamos com a experiência física o mundo espiritual de Cristo, Sua Mãe, os Anjos e os Santos, é um mundo de mistérios, que não podemos adentrar com os nossos cinco sentidos.

Historicamente, o Catolicismo Romano emprega estátuas em suas louvações. As estátuas são feitas em três dimensões. Normalmente imitam a arte da antiga Grécia. Ambas são naturalistas. Os latinos colocam Cristo, a Mãe de Deus, os Santos e anjos em estado natural. Este naturalismo” é proveniente da idéia medieval de que “a graça aperfeiçoa a natureza”. As pessoas representadas nos ícones estão deificadas. Não são representadas como seres humanos normais, mas muito além disso. Estão transfiguradas e glorificadas. Com uma humanidade nova e cheia de graça.

Repetindo, os ícones são necessários à devoção Ortodoxa. A veneração e o beijo dado nos ícones, é uma devoção que passa do ícone à pessoa nele representada. Os ícones não são ídolos, e os ortodoxos não os adoram. A adoração é reservada exclusivamente a Deus. As estátuas dos templos católicos romanos normalmente não são veneradas, são apenas decorações visuais.

11. Purgatório

O purgatório é um estado que antecede o juízo final. De acordo com a teologia católica romana, as almas destinadas ao céu (com algumas exceções) devem suportar um estado de purgação, ou purificação. Elas precisam limpar os pecados feitos na terra. Os outros vão para o inferno, para um castigo interno. Além disso, há uma “riqueza” de méritos ou graças extras, acumuladas
pela virtude de Cristo, da Virgem Maria e dos santos, que podem conceder indulgências. Tais graças são concedidas aos que estão no purgatório, para encurtar a estadia dos que lá estão.

A Ortodoxia ensina que, após o corpo deixar a alma, inicia-se uma nova jornada pelo mundo dos mortos (Hades). Há algumas exceções, como a Theotokos, que foi levada por anjos diretamente para o Céu. O resto deve permanecer nesta condição de espera. Alguns possuem a previsão da glória que há de vir, e outros sofrem de antemão, esperando o chamado “Juízo Particular”.

Quando Cristo retornar, a alma voltará ao corpo para o julgamento Dele. O “bom e fiel servo” terá a vida eterna, e o infiel e incrédulo passará a eternidade no inferno. Seus pecados e sua descrença serão sua tortura no fogo.

12. Outras Diferenças

Há outras pequenas diferenças entre a Ortodoxia e o Catolicismo Romano.

Os ortodoxos não jejuam aos sábados (somente no Sábado Santo) e domingos. Os Católicos Romanos não possuem restrições desse tipo.

Ortodoxos não se ajoelham aos domingos, os católicos romanos sim. Os ortodoxos não possuem a “Via Crucis”, como os católicos romanos. Os presbíteros e diáconos ortodoxos podem casar antes da ordenação, já o clero católico romano é celibatário*.

Os ortodoxos fazem suas louvações em direção ao oriente, os católicos romanos não.

Na Liturgia Ortodoxa, o “pão” da Eucaristia é fermentado (levedado); na Missa Católica é não-fermentado (ázimo).

O fiel Ortodoxo recebe o “Corpo” e o “Sangue de Cristo” na Santa Comunhão, os Católicos Romanos recebem apenas o pão, a hóstia**.

Não há ordens monásticas na Ortodoxia (homens e mulheres), como no Catolicismo Romano (Jesuítas, Dominicanos, Beneditinos, Carmelitas, etc.). Recentemente, freiras e monges católicoa abandonaram seus hábitos tradicionais.

O clero ortodoxo usa barba, o clero papista normalmente não. Há ainda outras diferenças, normalmente frutos da cultura. Também, é importante notar que tais diferenças, grandes ou não, não se aplicam à situação religiosa atual. O ecumenismo causou uma grande bagunça,
ficando difícil até dizer de maneira precisa a crença dos católicos romanos, e enquanto isso, muitos que se denominam ortodoxos abandonam os ensinamentos tradicionais da Igreja.

* atualmente, o Vaticano autoriza a ordenação de diáconos casados.

** mas os católicos romanos acreditam que comungam o Corpo e o Sangue de Cristo

5 comentários:

Anônimo disse...

Humm interessante... sou catolico romano e acho interessante o ponto de vista... nenhuma diferença significativa. mas interessante.

Thiago Santos disse...

Sou Romano e ao contrario do que está no texto:O fiel Ortodoxo recebe o “Corpo” e o “Sangue de Cristo” na Santa Comunhão, os Católicos Romanos recebem apenas o pão, a hóstia**.Os católicos comungam “Corpo” e o “Sangue de Cristo”.

Teófilo disse...

Caro Thiago,

por acaso o partilhar do cálice de vinho deixou de ser exclusividade dos sacerdotes, a hóstia é imersa no vinho, ou você está extrapolando que a hóstia é ela mesma corpo e sangue?

Anônimo disse...

obrigado, não sou catolico nem ortodoxo, mais alguem interesado no assunto e que fui muito bem servido. PAZ!!!

anonimo disse...

Meu caro você está muitíssimo enganado,você conhece um livro chamado "FÉ E CIÊNCIA EM HARMONIA" professor Felipe Aquino? Só baseado nesse livro cai por terra o 1º paragrafo do seu texto... o resto então nem se fala.