domingo, 28 de novembro de 2010
O que é a Igreja?
A Igreja é uma mera comunidade? Um produto ou elemento da cultura de cada país ou de cada época? Ela é algo que nos afeta apenas socialmente ou apenas no "coração"? Eu acho que não. Eu acho que existe algo radicalmente físico ali. Se Jesus viesse para montar um novo grupo de pessoas de bom coração, eu não precisaria da igreja. Ninguém precisa da aprovação de um grupo para praticar o bem. Aliás, o mais comum é que tenhamos que praticar o bem enfrentando a oposição do grupo. Se ela fosse um elemento de uma cultura, a palavra conversão não teria o menor sentido, fosse para que lado fosse, porque você não deixa de ter a cultura na qual cresceu. Se fosse um livro infalível, qual interpretação, dentre as infinitas possíveis, seria também infalível? Aliás, porque Deus todo-poderoso se daria o trabalho de vir na terra e morrer por nós, se fosse para, no fim das contas, depender de um bispo ou de um livro infalíveis?
Algo radical aconteceu no nascimento, morte e ressurreição de Deus na Terra. Algo radicalmente físico, encarnado. Ou todo o processo seria desprovido de sentido. A Igreja é necessariamente física, dependente de uma continuidade física com aquilo que aconteceu há 2000 anos. É uma mudança em nosso espírito sim, mas em nosso corpo também. Transmitida pela Graça do Espírito através de inúmeros meios, mas una e diversa, visível e invisível, encarnada e espiritual, emotiva e racional, humilde e gloriosa, simples e esplendorosa.
O que é uma vida cristã ortodoxa? Não é apenas ser moral. Você pode ser moral e ético sem ser cristão ou sem ser ortodoxo. Não é simplesmente "ir na igreja". Isso você pode fazer em qualquer religião. Não é simplesmente compreender que a dor faz parte da vida, e que cada um tem sua cruz. Isso outras igrejas podem te ensinar também. Não é simplesmente crer que nela você faz parte do corpo de Cristo ou que está em comunhão com Cristo. Você não precisa de igreja para crer nisso. Viver ortodoxamente é viver, além de buscando realizar tudo isso, ser uma pessoa direita, de oração, de contrição, perdão e amor, além do esmerilhamento pessoal, além da recepção da Graça, da mudança de vida, ser espiritual e fisicamente alterado, estar em sintonia com Deus sim, mas de um modo único, do modo pelo qual Ele veio a Terra para tornar possível. É compreender que tudo se transfigura a partir da Encarnação, Morte e Ressurreição de Cristo. Nós, o Pão e o Vinho, a água, tudo. O Reino de Deus não é um objetivo futuro, é também, porém não apenas, um estado de espírito, mas a matéria glorificada também. E tudo isso acontece, aqui, agora, desde a Eternidade.
sábado, 13 de novembro de 2010
A Importância da Doutrina Correta
Amigos,
o texto abaixo é a tradução de um podcast realizado por um padre ortodoxo americano. Para os que não conhecem, podcasts são como programas de rádio só que transmitidos pela internet. Este padre realizou toda uma série de podcasts comparando a fé ortodoxa com as demais fés religiosas e este texto faz parte da introdução. Abaixo encontrarão também o link para a série original, sendo que ela é em inglês.
Espero que aproveitem!
http://ancientfaith.com/podcasts/orthodoxyheterodoxy
Na maior parte das áreas de nossas vidas, nos preocupamos com a verdade. Um caixa tem que saber quanto de troco terá que dar. Uma enfermeira tem que aplicar a quantidade correta do medicamento no paciente. Um matemático checa e confere suas provas. Um júri escuta todos os fatos para encontrar a verdade em um julgamento. O professor de história tem que conhecer os nomes e datas corretos.O cientista publica seu trabalho para ser conferido por seus pares, de modo a garantir que todos estejam obtendo os mesmos resultados. Em todos estes casos e mais, o que importa não é a opinião, é a verdade.
Mesmo assim, parece que quando chegamos nas questões religiosas e espirituais, e nas questões morais que as acompanham, aí nos tornarmos relativistas. Ao invés de perguntarmos o que Deus realmente é, perguntamos, "O que é Deus para mim?" Ao invés de perguntarmos qual o significado de Deus ter se tornado homem, nós sugerimos que "tá bom se algumas pessoas acreditarem porque elas querem". Ao invés de perguntarmos se Deus espera algo de nós, nós jugamos as expectativas religiosas pelo que nós mesmos queremos. A busca da objetividade é atirada pela janela, e a subjetividade reina.
Este problema fundamental é piorado por causa da falta de familiaridade com as ferramentas do conhecimento espiritual; isto é, as pessoas não estão fazendo o que é necessário para ver a verdade. Se um astrônomo recusa-se a utilizar um telescópio, ou se um biólogo não quisesse utilizar um microscópio, nos diríamos que eles, na melhor das hipóteses, possuem um conhecimento incompleto de seus campos. De um ponto de vista cristão, o que está faltando é pureza de coração; como Jesus disse: "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus".Também está faltando a orientação para alcançarmos esta pureza, que deveria vir daqueles que viram Deus e passam a experiência à frente para a próxima geração.
Platão definiu o mesmo problema quando escreveu A República e utilizou a famosa alegoria da caverna. Nesta alegoria, prisioneiros acorrentados em uma caverna por todas as suas vidas acreditam que toda a realidade é definida pelas sombras que vêem na parede. Se um dos prisioneiros escapasse, encontrasse a saída e visse o sol e toda a realidade como ela é, como ele poderia descrever a sua experiência para pessoas cuja realidade consiste de sombras? Quando ele retornasse à caverna, tentando reajustar-se à vida na escuridão, os que ali permaneceram provavelmente iriam ridicularizá-lo como tendo enlouquecido pela sua experiência ao invés de iluminado. Tal é o fardo de muitos fiéis hoje.
Eu sugiro que a grande batalha espiritual de nossa época não é entre crentes e ateístas; ao invés, é uma luta entre o orgulho e a humildade. Esperamos e exigimos humildade em quase todas as áreas da vida: o que importa é o que é objetivamente verdadeiro, não o que cada um de nós por acaso acha que é verdade. Não são nossos gostos que são importantes. Mas quando se trata das questões mais importantes, deixamos a humildade de lado e nos colocamos no centro do universo. Esta tentação do orgulho é comum, mesmo entre os crentes em Deus.
Uma das pressuposições básicas desta série de podcasts é que a verdade não é relativa, e que o Cristianismo Ortodoxo representa a plenitude da verdade - o locus da revelação de Deus em Cristo. Desta posição básica, analisaremos vários grupos religiosos e seus ensinamentos, vendo o que temos em comum e o que temos de diferente. Porque a verdade não é relativa, todos os seres humanos devem estar dispostos a colocar de lado o que preferiríamos que fosse verdade e aceitar o que realmente é verdadeiro, mudando a nós mesmos, nossas atitudes, e nossas crenças sempre que necessário.
Se tornou politicamente incorreto em nosso tempo falar-se como se uma crença em particular fosse verdade e outra falsa. E mesmo assim, eu consigo lembrar bem claramente em minha própria história de vida que vários grupos religiosos em nossa cultura costumavam achar que suas próprias crenças eram verdades e, então, concluir pela lógica que as outras deveriam ser falsas.
Hoje, porém, esta conclusão - e, acima de tudo, expressá-la publicamente, é vista como sendo não caridosa, não amorosa. De fato, em nosso tempo, discordâncias públicas sobre religião são entendidas como ofensivas. Porque vivemos em uma época do politicamente correto, recebemos alguns mandamentos de teologia cultural que dizem:
Todas as religiões são basicamente a mesma coisa;
O que importa é viver uma vida boa;
Todos adoramos o mesmo Deus;
Religião é uma questão privada;
Não imponha suas crenças sobre os outros;
Nenhuma religião está certa em tudo;
Nós vamos descobrir o todo da verdade quando chegarmos no Céu;
Pensamentos como os acima possuem uma idéia comum por trás deles: que as crenças sobre Deus e sobre a natureza da realidade não são muito importantes. Por isso é que não deveriam ser discutidas em público. Por isso é que os detalhes de cada uma delas não seriam tão importantes. Por isso é que não deveríamos tentar converter as pessoas para nossa fé. Não existe esse negócio de "verdade absoluta". Tudo é relativo - exceto, talvez, o fato de que tudo é relativo.
E mesmo assim, para quase tudo na vida - seja na política, na saúde, ou mesmo nas tabelas de pontos de nossos times de futebol - nós exigimos seriedade, detalhe, precisão. Distraída por estas coisas transientes, nossa cultura conseguiu ignorar um silogismo básico:
Se realmente existe um Deus, então quem Ele é e o que Ele pode querer de nós são mais importantes do que tudo no universo.
Como pessoas que acreditam em Deus, nosso negócio não é "ser agradável". Nosso negócio é a verdade. O propósito destes podcasts é examinar as diferenças entre a fé da Igreja Ortodoxa e as fés de outras comunhões cristãs e não-cristãs.
Evidentemente, como um padre ortodoxo, é minha crença que a fé cristã ortodoxa é a única verdadeira. Eu não seria ortodoxo se eu não acreditasse que a Igreja Ortodoxa é a verdade revelada por Deus em seu filho Jesus Cristo. Minha fé é tal que, se eu encontrar uma parte da fé ortodoxa que não faça sentido para mim ou me parecesse incorreta, então sou eu que preciso ser reformado, e não a Igreja.
De fato, esta é a visão de todas as religiões tradicionais, clássicas, ao contrário do estilo consumista moderno de compreensão da fé que é popular em nossa cultura - que cada pessoa é o árbitro final do que é verdadeiro ou falso, que ela pode ficar escolhendo que pedacinhos de cada espiritualidade ou crença ela quer para si, em um tipo de buffet religioso.
A natureza da verdade, entretanto, é ser verdade independente do que qualquer um pensa a respeito. Em face da verdade, não há opiniões. A maioria das pessoas acredita nisso, mas não costumam aplicar isso na questão que mais importa: quem é Deus, e o que Ele quer de mim?
Existe o bem e existe o mal. Existe a verdade e existe a falsidade. Estas pressuposições básicas, fundamentadas em nossa existência do dia-a-dia, deveriam ser a base de todos os nossos pensamentos e ações relacionadas à verdade suprema.
Se você já visitou o site Facebook (Nota do Tradutor: um site como o Orkut, mais utilizado por americanos), você provavelmente sabe que os usuários podem montar seus perfis detalhando com várias pequenas informações sobre quem são e o que fazem. Um dos detalhes que podem ser especificados é rotulado "Visão religiosa". É isso que a maioria das pessoas pensa quando tratam de religião, que é uma questão de "visão", que religião é uma opinião que você tem, algo que você acha. Repare que o Facebook nem mesmo usa o termo "crença".
Para as religiões mais tradicionais, entretanto, a fé não é meramente um conjunto de visões; ao contrário, a fé religiosa é todo um modo de vida, uma forma de viver com propósito que, no seu cerne, possui objetivos que fundamentam tudo no modo como vivemos.
Assim, o Facebook representa uma filosofia secularista, a qual não é tanto uma negação das verdades espirituais, mas divide em compartamentos isolados os elementos da vida, em categorias elegantes nas quais uma nada tem a ver com a outra. Nesta caixa eu guardo minhas visões econômicas. Nesta outra estão minhas opiniões sobre a televisão à cabo. Nesta aqui estão minhas preferências de leituras, e nesta eu mantenho minha religião. Até a palavra religião - que eu não gosto de utilizar em relação à Igreja Ortodoxa - significa algo bem diferente. A palavra latina "religio" significa reconexão. Construir e reconstruir relações.
Aquilo com o qual você está tentando se relacionar varia de uma religião para outra, mas o ponto comum é que existe algo acontecendo de fato. Não é simplesmente algo que você acha ou concorda e não é apenas sobre você: existe um Outro.
Isso é verdade para tudo na vida. Meu irmão é um engenheiro químico. Minha irmã é bióloga. Dá para tentar imaginar o que foi que deu em mim de virar padre. Mas eles sabem que é assim, que não é sobre opinião. Se não acredita neles, pergunte a um médico, um físico ou psicólogo. Pergunte a um pedreiro, a um faxineiro. Eles vão te dizer que o que você acredita e o que você faz fazem diferença. Se você crê ou faz algo diferente, vai obter resultados diferentes.
O que me preocupa é que normalmente não aplicamos este princípio básico ao que mais importa na vida humana. No contexto religioso, esta verdade fundamental significa que religiões diferentes - porque crêem e praticam coisas diferentes - vão chegar a resultados diferentes.
Às vezes, estes resultados diferentes são todos jogados sob o mesmo rótulo de salvação. Mas o que significa ser salvo? Para o hindu que pratica yoga, a salvação significa ser liberado do corpo físico e ser absorvido no esquecimento do universo; para o Budista é a aniquilação da personalidade individual no Nirvana. Eu te garanto que não é isso que a salvação significa para um batista. Mas o que um batista quer dizer com salvação e o que um ortodoxo quer dizer, também não são a mesma coisa. Assim, os membros das diferentes fés possuem diferentes métodos de chegar aonde eles querem chegar.
Além disso, porque existem a verdade e a falsidade, e porque a maioria das religiões tradicionalmente alegam que suas fés são verdadeiras e as outras são pelo menos de alguma forma falsas, isso significa que alguns crentes religiosos estão fundamentalmente errados sobre suas crenças e práticas. Isto significa que eles não irão obter os resultados que pensam que terão.
Na fé cristã ortodoxa, nosso único propósito na vida é nos tornarmos mais como Jesus Cristo. Se vamos para o céu depois de morrermos é apenas um elemento de um quadro muito maior. Este quadro maior é, em útima instância, a Santa Trindade.
A vida do cristão ortodoxo tem um objetivo: união com a Santíssima Trindade - o Pai, o Filho e o Espírito Santo - o Deus Uno que criou todas as coisas. O caminho para esta união é Jesus Cristo, o Deus-Homem, a segunda Pessoa da Santa Trindade. A Salvação é a obtenção da vida eterna.
Em João 17, em sua oração ao Pai antes de Sua crucificação, Jesus define o que isso significa. Ele disse: "E isto é a vida eterna: que eles Te conheçam, o único verdadeiro Deus, e Jesus Cristo, o qual Tu enviastes." Conhecer Deus - isso é o que a vida eterna significa, e não simplesmente viver para sempre.
Ele ora assim depois: "E a glória que Tu me entregastes, Eu entreguei a eles. Para que sejam um, como Nós somos um; Eu neles, e Tu em Mim, para que eles sejam feitos perfeitos em Um, e que o mundo possa saber que Tu Me enviastes, que Tu os amastes como amastes a Mim."
Assim, na fé cristã ortodoxa, ser salvo - ter a vida eterna - significa amar a Deus em Jesus Cristo. Também significa receber de Jesus a glória que Ele recebeu de Seu Pai. Na realidade, a salvação é muito, muito mais do que escapar do inferno quando morrermos. É um conhecimento profundo e íntimo de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
Neste conhecimento profundo - o qual é experiência mais do que acumulação de fatos - aqueles que estão sendo salvos recebem a própria glória de Deus. Ir para o céu ou para o inferno no momento da morte significa simplesmente que nossa experiência de Deus durante esta vida continua na próxima, embora muito amplificado. Se amamos a Deus e o conhecemos profundamente, nossa experiência será de infinita e intensa felicidade. Se rejeitamos a Deus nesta vida - ou simplesmente O ignoramos - nossa experiência deste amor nos será completamente estranha e sentida como sofrimento. Ele derrama o mesmo amor sobre todos. Alguns querem, outros não.
É por isso que a doutrina correta importa. É por isso que heresias são tão perigosas. Toda a nossa doutrina está orientada para termos um conhecimento íntimo de Deus, porque o tipo do conhecimento que tivermos dele vai determinar nosso destino eterno, nossa existência perpétua na vida que há de vir. Este conhecimento depende da nossa vontade de vivenciar a doutrina correta em nossas vidas diárias.
Vamos supor que espalhassem por aí que sou um homossexua praticante. Não é verdade, mas porque algumas pessoas acreditariam, isso afetaria suas relações comigo. Porque sou um padre, poderia afetar até as relações entre os membros da paróquia. Muitas relações como muitas pessoas seriam quebradas. Algumas pessoas certamente aceitariam e tentariam se aproximar, mas também estas relações seriam baseadas em uma realidade distorcida. Algumas pessoas de fora da paróquia poderiam ouvir esta fofoca e nunca nos visitarem ou considerarem a conversão. Aqueles mais próximos de mim - minha esposa e família - teriam suas vidas grandemente perturbadas se acreditassem nesta mentira. Destruíria a minha vida familiar, o que iria reverberar por nossos parentes, amigos, a unidade da paróquia e assim por diante - tudo por causa de uma crença errada a respeito de quem sou.
Talvez a fofoca não fosse tão séria. Suponhamos que dissessem que eu tenho um problema com bebidas. Os efeitos provavelmente seriam tão sérios quanto, embora não tão escandalosos. De toda forma, todas as relações seriam afetadas, não de acordo com a moral de cada um, isto é, não dependeria de se eles praticaram o bem ou o mal, mas dependeria daquilo que eles acreditavam sobre mim e como reagiram a essa crença.
Agora aumente muito este efeito aplicado à adoração e conhecimento do próprio Deus do universo. Algumas doutrinas falsas sobre Ele, podem causar uma destruição espiritual inimaginável. Outras podem até ter um efeito menor. Mas todas elas, em um grau ou outro, nos afastam da verdade, do puro conhecimento do único e verdadeiro Deus. Isto irá afetar como e se receberemos a glória de Deus, e como iremos experienciá-lO na próxima vida.
Viver uma vida moral de acordo com a lei Deus é realmente fundamental para a nossa vida em Cristo, mas não é suficiente. A religião não é apenas a ética. Devemos conhecer Deus conforme Ele realmente é. É por isso que a doutrina correta importa.
o texto abaixo é a tradução de um podcast realizado por um padre ortodoxo americano. Para os que não conhecem, podcasts são como programas de rádio só que transmitidos pela internet. Este padre realizou toda uma série de podcasts comparando a fé ortodoxa com as demais fés religiosas e este texto faz parte da introdução. Abaixo encontrarão também o link para a série original, sendo que ela é em inglês.
Espero que aproveitem!
A Importância da Doutrina Correta
Padre Andrew Stephen Damick
Tradução: Fabio L. Leite
Na maior parte das áreas de nossas vidas, nos preocupamos com a verdade. Um caixa tem que saber quanto de troco terá que dar. Uma enfermeira tem que aplicar a quantidade correta do medicamento no paciente. Um matemático checa e confere suas provas. Um júri escuta todos os fatos para encontrar a verdade em um julgamento. O professor de história tem que conhecer os nomes e datas corretos.O cientista publica seu trabalho para ser conferido por seus pares, de modo a garantir que todos estejam obtendo os mesmos resultados. Em todos estes casos e mais, o que importa não é a opinião, é a verdade.
Mesmo assim, parece que quando chegamos nas questões religiosas e espirituais, e nas questões morais que as acompanham, aí nos tornarmos relativistas. Ao invés de perguntarmos o que Deus realmente é, perguntamos, "O que é Deus para mim?" Ao invés de perguntarmos qual o significado de Deus ter se tornado homem, nós sugerimos que "tá bom se algumas pessoas acreditarem porque elas querem". Ao invés de perguntarmos se Deus espera algo de nós, nós jugamos as expectativas religiosas pelo que nós mesmos queremos. A busca da objetividade é atirada pela janela, e a subjetividade reina.
Este problema fundamental é piorado por causa da falta de familiaridade com as ferramentas do conhecimento espiritual; isto é, as pessoas não estão fazendo o que é necessário para ver a verdade. Se um astrônomo recusa-se a utilizar um telescópio, ou se um biólogo não quisesse utilizar um microscópio, nos diríamos que eles, na melhor das hipóteses, possuem um conhecimento incompleto de seus campos. De um ponto de vista cristão, o que está faltando é pureza de coração; como Jesus disse: "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus".Também está faltando a orientação para alcançarmos esta pureza, que deveria vir daqueles que viram Deus e passam a experiência à frente para a próxima geração.
Platão definiu o mesmo problema quando escreveu A República e utilizou a famosa alegoria da caverna. Nesta alegoria, prisioneiros acorrentados em uma caverna por todas as suas vidas acreditam que toda a realidade é definida pelas sombras que vêem na parede. Se um dos prisioneiros escapasse, encontrasse a saída e visse o sol e toda a realidade como ela é, como ele poderia descrever a sua experiência para pessoas cuja realidade consiste de sombras? Quando ele retornasse à caverna, tentando reajustar-se à vida na escuridão, os que ali permaneceram provavelmente iriam ridicularizá-lo como tendo enlouquecido pela sua experiência ao invés de iluminado. Tal é o fardo de muitos fiéis hoje.
Eu sugiro que a grande batalha espiritual de nossa época não é entre crentes e ateístas; ao invés, é uma luta entre o orgulho e a humildade. Esperamos e exigimos humildade em quase todas as áreas da vida: o que importa é o que é objetivamente verdadeiro, não o que cada um de nós por acaso acha que é verdade. Não são nossos gostos que são importantes. Mas quando se trata das questões mais importantes, deixamos a humildade de lado e nos colocamos no centro do universo. Esta tentação do orgulho é comum, mesmo entre os crentes em Deus.
Uma das pressuposições básicas desta série de podcasts é que a verdade não é relativa, e que o Cristianismo Ortodoxo representa a plenitude da verdade - o locus da revelação de Deus em Cristo. Desta posição básica, analisaremos vários grupos religiosos e seus ensinamentos, vendo o que temos em comum e o que temos de diferente. Porque a verdade não é relativa, todos os seres humanos devem estar dispostos a colocar de lado o que preferiríamos que fosse verdade e aceitar o que realmente é verdadeiro, mudando a nós mesmos, nossas atitudes, e nossas crenças sempre que necessário.
Se tornou politicamente incorreto em nosso tempo falar-se como se uma crença em particular fosse verdade e outra falsa. E mesmo assim, eu consigo lembrar bem claramente em minha própria história de vida que vários grupos religiosos em nossa cultura costumavam achar que suas próprias crenças eram verdades e, então, concluir pela lógica que as outras deveriam ser falsas.
Hoje, porém, esta conclusão - e, acima de tudo, expressá-la publicamente, é vista como sendo não caridosa, não amorosa. De fato, em nosso tempo, discordâncias públicas sobre religião são entendidas como ofensivas. Porque vivemos em uma época do politicamente correto, recebemos alguns mandamentos de teologia cultural que dizem:
Todas as religiões são basicamente a mesma coisa;
O que importa é viver uma vida boa;
Todos adoramos o mesmo Deus;
Religião é uma questão privada;
Não imponha suas crenças sobre os outros;
Nenhuma religião está certa em tudo;
Nós vamos descobrir o todo da verdade quando chegarmos no Céu;
Pensamentos como os acima possuem uma idéia comum por trás deles: que as crenças sobre Deus e sobre a natureza da realidade não são muito importantes. Por isso é que não deveriam ser discutidas em público. Por isso é que os detalhes de cada uma delas não seriam tão importantes. Por isso é que não deveríamos tentar converter as pessoas para nossa fé. Não existe esse negócio de "verdade absoluta". Tudo é relativo - exceto, talvez, o fato de que tudo é relativo.
E mesmo assim, para quase tudo na vida - seja na política, na saúde, ou mesmo nas tabelas de pontos de nossos times de futebol - nós exigimos seriedade, detalhe, precisão. Distraída por estas coisas transientes, nossa cultura conseguiu ignorar um silogismo básico:
Se realmente existe um Deus, então quem Ele é e o que Ele pode querer de nós são mais importantes do que tudo no universo.
Como pessoas que acreditam em Deus, nosso negócio não é "ser agradável". Nosso negócio é a verdade. O propósito destes podcasts é examinar as diferenças entre a fé da Igreja Ortodoxa e as fés de outras comunhões cristãs e não-cristãs.
Evidentemente, como um padre ortodoxo, é minha crença que a fé cristã ortodoxa é a única verdadeira. Eu não seria ortodoxo se eu não acreditasse que a Igreja Ortodoxa é a verdade revelada por Deus em seu filho Jesus Cristo. Minha fé é tal que, se eu encontrar uma parte da fé ortodoxa que não faça sentido para mim ou me parecesse incorreta, então sou eu que preciso ser reformado, e não a Igreja.
De fato, esta é a visão de todas as religiões tradicionais, clássicas, ao contrário do estilo consumista moderno de compreensão da fé que é popular em nossa cultura - que cada pessoa é o árbitro final do que é verdadeiro ou falso, que ela pode ficar escolhendo que pedacinhos de cada espiritualidade ou crença ela quer para si, em um tipo de buffet religioso.
A natureza da verdade, entretanto, é ser verdade independente do que qualquer um pensa a respeito. Em face da verdade, não há opiniões. A maioria das pessoas acredita nisso, mas não costumam aplicar isso na questão que mais importa: quem é Deus, e o que Ele quer de mim?
Existe o bem e existe o mal. Existe a verdade e existe a falsidade. Estas pressuposições básicas, fundamentadas em nossa existência do dia-a-dia, deveriam ser a base de todos os nossos pensamentos e ações relacionadas à verdade suprema.
Se você já visitou o site Facebook (Nota do Tradutor: um site como o Orkut, mais utilizado por americanos), você provavelmente sabe que os usuários podem montar seus perfis detalhando com várias pequenas informações sobre quem são e o que fazem. Um dos detalhes que podem ser especificados é rotulado "Visão religiosa". É isso que a maioria das pessoas pensa quando tratam de religião, que é uma questão de "visão", que religião é uma opinião que você tem, algo que você acha. Repare que o Facebook nem mesmo usa o termo "crença".
Para as religiões mais tradicionais, entretanto, a fé não é meramente um conjunto de visões; ao contrário, a fé religiosa é todo um modo de vida, uma forma de viver com propósito que, no seu cerne, possui objetivos que fundamentam tudo no modo como vivemos.
Assim, o Facebook representa uma filosofia secularista, a qual não é tanto uma negação das verdades espirituais, mas divide em compartamentos isolados os elementos da vida, em categorias elegantes nas quais uma nada tem a ver com a outra. Nesta caixa eu guardo minhas visões econômicas. Nesta outra estão minhas opiniões sobre a televisão à cabo. Nesta aqui estão minhas preferências de leituras, e nesta eu mantenho minha religião. Até a palavra religião - que eu não gosto de utilizar em relação à Igreja Ortodoxa - significa algo bem diferente. A palavra latina "religio" significa reconexão. Construir e reconstruir relações.
Aquilo com o qual você está tentando se relacionar varia de uma religião para outra, mas o ponto comum é que existe algo acontecendo de fato. Não é simplesmente algo que você acha ou concorda e não é apenas sobre você: existe um Outro.
Isso é verdade para tudo na vida. Meu irmão é um engenheiro químico. Minha irmã é bióloga. Dá para tentar imaginar o que foi que deu em mim de virar padre. Mas eles sabem que é assim, que não é sobre opinião. Se não acredita neles, pergunte a um médico, um físico ou psicólogo. Pergunte a um pedreiro, a um faxineiro. Eles vão te dizer que o que você acredita e o que você faz fazem diferença. Se você crê ou faz algo diferente, vai obter resultados diferentes.
O que me preocupa é que normalmente não aplicamos este princípio básico ao que mais importa na vida humana. No contexto religioso, esta verdade fundamental significa que religiões diferentes - porque crêem e praticam coisas diferentes - vão chegar a resultados diferentes.
Às vezes, estes resultados diferentes são todos jogados sob o mesmo rótulo de salvação. Mas o que significa ser salvo? Para o hindu que pratica yoga, a salvação significa ser liberado do corpo físico e ser absorvido no esquecimento do universo; para o Budista é a aniquilação da personalidade individual no Nirvana. Eu te garanto que não é isso que a salvação significa para um batista. Mas o que um batista quer dizer com salvação e o que um ortodoxo quer dizer, também não são a mesma coisa. Assim, os membros das diferentes fés possuem diferentes métodos de chegar aonde eles querem chegar.
Além disso, porque existem a verdade e a falsidade, e porque a maioria das religiões tradicionalmente alegam que suas fés são verdadeiras e as outras são pelo menos de alguma forma falsas, isso significa que alguns crentes religiosos estão fundamentalmente errados sobre suas crenças e práticas. Isto significa que eles não irão obter os resultados que pensam que terão.
Na fé cristã ortodoxa, nosso único propósito na vida é nos tornarmos mais como Jesus Cristo. Se vamos para o céu depois de morrermos é apenas um elemento de um quadro muito maior. Este quadro maior é, em útima instância, a Santa Trindade.
A vida do cristão ortodoxo tem um objetivo: união com a Santíssima Trindade - o Pai, o Filho e o Espírito Santo - o Deus Uno que criou todas as coisas. O caminho para esta união é Jesus Cristo, o Deus-Homem, a segunda Pessoa da Santa Trindade. A Salvação é a obtenção da vida eterna.
Em João 17, em sua oração ao Pai antes de Sua crucificação, Jesus define o que isso significa. Ele disse: "E isto é a vida eterna: que eles Te conheçam, o único verdadeiro Deus, e Jesus Cristo, o qual Tu enviastes." Conhecer Deus - isso é o que a vida eterna significa, e não simplesmente viver para sempre.
Ele ora assim depois: "E a glória que Tu me entregastes, Eu entreguei a eles. Para que sejam um, como Nós somos um; Eu neles, e Tu em Mim, para que eles sejam feitos perfeitos em Um, e que o mundo possa saber que Tu Me enviastes, que Tu os amastes como amastes a Mim."
Assim, na fé cristã ortodoxa, ser salvo - ter a vida eterna - significa amar a Deus em Jesus Cristo. Também significa receber de Jesus a glória que Ele recebeu de Seu Pai. Na realidade, a salvação é muito, muito mais do que escapar do inferno quando morrermos. É um conhecimento profundo e íntimo de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
Neste conhecimento profundo - o qual é experiência mais do que acumulação de fatos - aqueles que estão sendo salvos recebem a própria glória de Deus. Ir para o céu ou para o inferno no momento da morte significa simplesmente que nossa experiência de Deus durante esta vida continua na próxima, embora muito amplificado. Se amamos a Deus e o conhecemos profundamente, nossa experiência será de infinita e intensa felicidade. Se rejeitamos a Deus nesta vida - ou simplesmente O ignoramos - nossa experiência deste amor nos será completamente estranha e sentida como sofrimento. Ele derrama o mesmo amor sobre todos. Alguns querem, outros não.
É por isso que a doutrina correta importa. É por isso que heresias são tão perigosas. Toda a nossa doutrina está orientada para termos um conhecimento íntimo de Deus, porque o tipo do conhecimento que tivermos dele vai determinar nosso destino eterno, nossa existência perpétua na vida que há de vir. Este conhecimento depende da nossa vontade de vivenciar a doutrina correta em nossas vidas diárias.
Vamos supor que espalhassem por aí que sou um homossexua praticante. Não é verdade, mas porque algumas pessoas acreditariam, isso afetaria suas relações comigo. Porque sou um padre, poderia afetar até as relações entre os membros da paróquia. Muitas relações como muitas pessoas seriam quebradas. Algumas pessoas certamente aceitariam e tentariam se aproximar, mas também estas relações seriam baseadas em uma realidade distorcida. Algumas pessoas de fora da paróquia poderiam ouvir esta fofoca e nunca nos visitarem ou considerarem a conversão. Aqueles mais próximos de mim - minha esposa e família - teriam suas vidas grandemente perturbadas se acreditassem nesta mentira. Destruíria a minha vida familiar, o que iria reverberar por nossos parentes, amigos, a unidade da paróquia e assim por diante - tudo por causa de uma crença errada a respeito de quem sou.
Talvez a fofoca não fosse tão séria. Suponhamos que dissessem que eu tenho um problema com bebidas. Os efeitos provavelmente seriam tão sérios quanto, embora não tão escandalosos. De toda forma, todas as relações seriam afetadas, não de acordo com a moral de cada um, isto é, não dependeria de se eles praticaram o bem ou o mal, mas dependeria daquilo que eles acreditavam sobre mim e como reagiram a essa crença.
Agora aumente muito este efeito aplicado à adoração e conhecimento do próprio Deus do universo. Algumas doutrinas falsas sobre Ele, podem causar uma destruição espiritual inimaginável. Outras podem até ter um efeito menor. Mas todas elas, em um grau ou outro, nos afastam da verdade, do puro conhecimento do único e verdadeiro Deus. Isto irá afetar como e se receberemos a glória de Deus, e como iremos experienciá-lO na próxima vida.
Viver uma vida moral de acordo com a lei Deus é realmente fundamental para a nossa vida em Cristo, mas não é suficiente. A religião não é apenas a ética. Devemos conhecer Deus conforme Ele realmente é. É por isso que a doutrina correta importa.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Para Aprender Canto Bizantino
![]() |
| São Romanos, o Melodista, grande poeta e músico |
Para quem gostaria de aprender música bizantina de graça pela internet, eu selecionei os seguintes links que ajudarão muito nesse trabalho. Vale lembrar que o próprio canto gregoriano nada mais foi do que a adaptação para o latim da música bizantina, originalmente cantada em grego.
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Primeiro os melhores:
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Analogion
http://www.analogion.com/index.html
Um excelente site com bastante exemplos e teoria musical.
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St. Anthony Monastery
http://www.stanthonysmonastery.org/music/Intro.htm
Excelente material teórico para compreender a música bizantina.
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Site de aprendizado online da Igreja Ortodoxa Grega dos EUA
http://chant.hchc.edu/
Um site bem prático e didático para aprender a cantar, para vozes masculinas e femininas.
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Orthodoxia Radio
http://www.orthodoxiaradio.org/
Mais um site de aprendizado online, com muito material teórico que falta no primeiro.
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Glory to Thee: A Chanter's Workshop
http://ancientfaith.com/podcasts/glorytothee
Uma série de podcasts com uma workshop online de aprendizado de música bizantina com um professor profissional.
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Byzantine Chant Studies Page
http://theologian.org/chant/
Mais um site para aprendizado online de música bizantina e também com sólido embasamento teórico, além de recomendar excelentes links.
Infelizmente um dos melhores links, para um livro que ensina a ler e escrever música bizantina está desativado. Mas eu encontrei links paralelos para o mesmo material aqui:
http://www.scribd.com/doc/4766762/Reading-Psalmodia
e aqui: http://www.newbyz.org/psalmodia.pdf
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New Byzantium Publications
http://newbyz.org/
Desse site, eu recomendo fortemente o pdf que o autor fez "traduzindo" os oito tons bizantinos para notações ocidentais modernas. Facilita *muito* para entender a melodia:
http://www.newbyz.org/byzantine_octoechos_chart.pdf
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PSALOM
http://www.synaxis.info/psalom/general/general.html
Um trabalho de documentação e artigos sobre música bizantina.
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E os outros:
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Echos
http://en.wikipedia.org/wiki/Echos
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Octoechos
http://en.wikipedia.org/wiki/Octoechos
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Byzantine Music no Youtube
http://www.youtube.com/results?search_query=byzantine+music&aq=f
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Divna Ljubojevic - Uma voz feminina cantando música bizantina
http://is.gd/bgfdP
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Fordham
http://www.fordham.edu/halsall/Byzantium/byzmusic.html
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Alguns links de caráter acadêmico.
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Site de música da Igreja Ortodoxa Antioquena dos EUA
http://www.antiochian.org/liturgicalresources
Links e artigos.
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Byzantine Chant
http://www.byzantinechant.org/notation.html
Site de uma paróquia ortodoxa dos EUA. Bom material sobre notação musical bizantina.
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Site do Patriarcado de Constantinopla
http://www.ec-patr.net/en/
Cantores oficiais do Patriarcado.
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Site do Coral Trikkis Melodoi
http://www.melodoi.com/music_text_eng.htm
Textos de algumas músicas e outros arquivos interessantes.
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Site da Igreja Ortodoxa dos EUA
http://www.oca.org/MDmusic.asp?SID=13
Exemplos de cantos para baixar.
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Site da Igreja Ortodoxa Grega dos EUA
http://www.goarch.org/chapel/chant
http://www.goarch.org/chapel/chant
Exemplos de cantos para baixar.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Maria, Mãe da Vida
![]() |
| Natividade da Teotókos |
Caríssimos,
no dia 08 de setembro a Igreja celebra o nascimento de Nossa Senhora, a Virgem Maria. O nascimento de Maria marca o "ano-novo" da Igreja, assim como sua Dormição marca o "fim-de-ano" da Igreja.
Quero convidá-los à reflexão sobre o significado desta extraordinária mulher em nossas vidas como cristãos.
A importância de Maria não foi negada nunca na história do Cristianismo, exceto nos últimos tempos. Desde o Evangelho de Lucas que compara a Teotókos com a Arca da Aliança (vejam a tabela no fim do artigo, passando pelos Pais da Igreja até os primeiros líderes do protestantismo, todos reconhecem o grande significado da Mãe de Deus.
E qual o significado dela em nossa relação com Deus? Será que ela foi simplesmente um meio que Deus utilizou para a Encarnação de Seu Filho, relegando-a em seguida a um papel secundário? Será a devoção de tantos cristãos a ela mero resquício do paganismo?
Para compreendermos isto, devemos compreender o quê e quem é o Deus da Igreja ortodoxa. Encontramo-lo primeiramente criando amorosamente e com grande empolgação o mundo. Em cada fase cumprida Ele contempla Sua obra, como uma criança que monta seu maior trabalho. Em seguida, vendo que aquela criação seria sempre apenas uma "coisa", puramente mecânica, Ele coloca algo de Si, Sua imagem e semelhança, nesta criação. Surgem as primeiras pessoas. Estas mesmas pessoas dão ouvidos não a Ele que amorosamente os criou, mas um terceiro elemento, o demônio em forma de serpente. Com a harmonia inicial quebrada, Deus não desiste de sua criação. Vemos que desde o início Ele andava em meio à Sua Criação. Desde o início, com Queda ou sem Queda, Ele almejava tornar aqueles bonecos de barro movidos por Seu sopro, algo *mais* do que isso.
Agora, porém, estes "bonecos" haviam tornado-se mortais, passíveis de ficarem doentes, e, de forma geral, cheios de pecados, vícios, maldades e mesquinharias. Matavam seus próprios irmãos e pais, assim como qualquer um que entendessem ser uma ameaça a seus planos e confortos. Deus porém não se detém. Mesmo sabendo que a partir de então, tornar-Se um de nós implicaria nascer como nós, sofrer como nós e morrer como nós, Ele passa a guiar a humanidade inteira, e um povo em especial, para que seja gerada uma mulher que precisaria ter características muito especiais, pois ela seria a porta através da qual Ele mesmo viria à terra.
E o que exemplos tínhamos da presença de Deus na terra antes de Jesus? Eram apenas as manifestações dEle: no monte, na sarça que ardia sem se queimar, na Arca da Aliança, no Templo. No monte, a glória de Deus o cobriu e Moisés saiu dele literalmente radiante. Na sarça, vemos que apesar do fogo existir, ele não consome a sarça. Na Arca, ela é santificada e apenas tocá-la podia matar um homem. No templo a porta era sempre fechada e entretanto a Presença de Deus podia entrar ali. A mulher que seria a porta para Deus entrar no mundo teria que ter características semelhantes: ser toda santa como o interior do templo. Ser pura e intocada como a Arca. E uma vez que a Glória de Deus estivesse sobre ela, sua própria face brilharia. Toda a história do povo judeu até aquele ponto tinha um só objetivo: gerar uma mulher como Maria: profunda e inteiramente piedosa e fiel a Deus. A passagem de Deus na vida dela, fisica e espiritualmente, não mudaria em nada o que ela era. Ela se manteria intacta. E quanto às impurezas da vida, o pecado, ela seria intocada por eles também. Seria imaculada, não porque houvesse nascido sem pecado, mas porque jamais os cometeria. O ser humano mais forte que já existiu e existirá, a maior de todas as almas criadas, aquela que consiguiu ser o máximo que um ser humano consegue ser ainda em vida. Esta é Maria, a Mãe de Deus, a escada pela qual Deus desceu dos céus, a sarça ardente de onde partiu Sua Palavra, o Santo dos Santos e a Arca, portando a presença de Deus, a nova Eva. Enquanto a primeira Eva foi abordada por um anjo caído, a segunda o foi pelo Arcanjo Gabriel. Enquanto a primeira recusou a ordem de Deus de não comer o fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal, a segunda obedeceu o comando para receber o Fruto da Árvore da Vida.
Em nossa vida com Deus, contemplar Maria, é lembrar que *Deus* não achou que ela era "apenas" uma "mulher de fé" como as outras. Ela foi considerada o ser humano ideal para ser a porta de Deus para o mundo, a Arca da Nova Aliança, a nova Sarça Ardente no topo do monte da espiritualidade humana, a nova Eva de uma nova humanidade, dizendo "sim" onde a primeira dissera "não". E que portanto, Deus não considera nenhum aspecto da humanidade indigno dEle mesmo. Ela devia ter por volta de 14 ou 15 anos quando foi visitada pelo anjo - uma menina ainda. Nos dias de hoje, não seriam poucos os que tentariam convecê-la a abortar por ser tão nova. De certo, porém, aquela jovenzinha que era a Mãe da Vida, da Verdade, do Caminho, os rechaçaria imediatamente. Em nossa vida, Maria é uma referência, uma mãe e uma intercessora, sempre orando por nós para seu Filho, verdadeiramente merecedora do título que a Igreja lhe dá: Nossa Toda Santa, Imaculada, Mais Abençoada e Glorificada Senhora, a Teotókos e Sempre-Virgem Maria.(Τῆς Παναγίας, ἀχράντου, ὑπερευλογημένης, ἐνδόξου, δεσποίνης ἡμῶν Θεοτόκου καὶ ἀειπαρθένου Μαρίας).
Paralelos e prefigurações a respeito da Virgem Maria
Antigo Testamento | Novo Testamento |
E levantou-se Davi, e partiu, com todo o povo que tinha consigo, para Baalim de Judá, para levarem dali para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o nome, o nome do SENHOR dos Exércitos, que se assenta entre os querubins. I Samuel 6:2 | E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá. S. Lucas 1:39 |
E sucedeu que, quando os que levavam a arca do SENHOR tinham dado seis passos, sacrificava bois e carneiros cevados. E Davi saltava com todas as suas forças diante do SENHOR I Samuel 6:13-14 | E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo S. Lucas 1:41 |
E temeu Davi ao SENHOR naquele dia; e disse: Como virá a mim a arca do SENHOR? I Samuel 6:9 | (Exclamou Isabel) E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? S. Lucas 6:43 |
E ficou a arca do SENHOR em casa de Obede-Edom, o giteu, três meses I Samuel 6:11 | E Maria ficou com ela quase três meses, e depois voltou para sua casa. S. Lucas 1:56 |
A filha do rei é toda ilustre lá dentro; Farei lembrado o teu nome de geração em geração; por isso os povos te louvarão eternamente. Salmo 45:13,17 | Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, S. Lucas 1:48 |
E a glória do SENHOR repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; Êxodo 24:16 | E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; S. Lucas 1:35 |
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Hinos da Véspera da Festa
Tropário (Tom 4)
Hoje, do tronco de Jessé e das entranhas de Davi,
A serva do Senhor, Maria, está nascendo para nós.
Portanto toda a criação se renova e se alegra!
O Céu e a Terra alegram-se juntos!
Elogiem-na, famílias das nações,
pois Joaquim se alegra e Ana celebra dizendo:
"A estéril deu à luz a Teotókos, qu nutre nossa vida!"
Kontákio (Tom 3)
Hoje a Virgem Teotókos Maria,
O quarto nupcial do Noivo Celestial,
pela vontade de Deus, nasceu de uma mulher estéril,
Sendo preparada como a carruagem da Palavra de Deus.
Tudo foi pré-ordenado para isto, já que ela é o portão divino e a verdadeira mãe da Vida.
Leitura das Matinas da Festa:
E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá,
E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel.
E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo.
E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.
E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?
Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.
Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do SENHOR lhe foram ditas.
Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,
E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;
Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada,
Porque me fez grandes coisas o Poderoso; E santo é seu nome.
Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações.
Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos, E despediu vazios os ricos.
Auxiliou a Israel seu servo, Recordando-se da sua misericórdia;
Como falou a nossos pais, Para com Abraão e a sua posteridade, para sempre.
E Maria ficou com ela quase três meses, e depois voltou para sua casa.
S. Lucas 1:39-56
Hinos do dia da Festa
Tropário (Tom 4)
Teu nascimento, Ó Virgem,
proclamou alegria para todo o universo!
O Sol da Justiça, Cristo nosso Deus,
Brilhou de ti, Ó Teotókos!
Destruindo a maldição,
Ele concedeu uma benção.
Destruindo a morte,
Ele nos concedeu a Vida eterna.
Kontákio (Tom 4)
Pelo teu nascimento, Ó Mais Pura Virgem,
Joaquim e Ana se libertaram da esterilidade;
Adão e Eva, da corrupção da morte.
E nós, teu povo, libertos da culpa do pecado, celebramos e acenamos para ti;
A mulher estéril deu à luz a Teotókos, que nutre nossa vida!
Leituras do Dia da Festa
Partiu, pois, Jacó de Berseba, e foi a Harã;
E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência;
E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra;
E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado.
Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia.
E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
Gen. 28:10-17
E, cumprindo eles estes dias, será que, ao oitavo dia, e dali em diante, os sacerdotes oferecerão sobre o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e eu me deleitarei em vós, diz o Senhor DEUS.
Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário, que olha para o oriente, a qual estava fechada.
E disse-me o SENHOR: Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o SENHOR, o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada.
Quanto ao príncipe, por ser príncipe, se assentará nela para sempre, para comer o pão diante do SENHOR; pelo caminho do vestíbulo da porta entrará e por esse mesmo caminho sairá.
Depois me levou pelo caminho da porta do norte, diante da casa; e olhei, e eis que a glória do SENHOR encheu a casa do SENHOR; então caí sobre o meu rosto.
Ezequiel 43:27-44:4
A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas.
Provérbios 9:1
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
Filipenses 2:5-11
E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;
E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.
S. Lucas 10:38-42
E aconteceu que, dizendo ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.
Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.
S. Lucas 11:27-28
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Mensagens de Santos e Anciões Ortodoxos
"O homem possui um poder tal que transmite o bem ou o mal para o seu
ambiente. Estas coisas são muito sutis. Nós precisamos ver tudo por um
ângulo positivo. Não podemos pensar o mal sobre os outros. Mesmo um
pequeno olhar, um suspiro, influenciam aqueles a nossa volta. E mesmo
a menor raiva ou indignação ferem. Nós precisamos ter bondade e amor
em nossa alma e transmitir estas coisas."
Ancião Porfírios (1906-1991), nascido na vila de S. João Karystia em
Evoia, Grécia.
"Deus não quer que aqueles que Ele salvará, que buscam Sua
misericórdia, sejam ignorantes, efeminados, covardes ou que fiquem sem
provas espirituais. É uma questão de herança divina guardada para os
cristãos experientes. Então Ele coloca as tentações à nossa frente
para que nossa obediência aos Seus mandamentos seja demonstrada. Sua
iluminação está dentro de nós; o conhecimento de Sua vontade é
ensinado pelas Escrituras; além disso, nossa consciência nos guia como
a um compasso. Tudo que acaba de ser dito nos ilumina em face das
tentações."
Ancião Efraim de Filoteu (1927 - ) nascido em Volos, Grécia.
"Se alguém guarda uma crença herética sobre a fé, afaste-se dessa
pessoa e não tenha nada a ver com ela, e não apenas se for uma pessoa,
porém mesmo se for um anjo do céu. Entretanto, não critique o estilo
de vida de uma pessoa. "Não julgues para não serdes julgado" deve ser
aplicado para todos os aspectos do estilo de vida e não apenas para as
questões de fé."
"Tenha cuidado para não corromper-se pelo amor dos hereges; por esta
razão, não aceite nenhum dogma falso em nome do amor."
São João Crisóstomo
"É melhor uma guerra recomendável do que uma paz que nos afaste de
Deus."
São Gregório, o teólogo
"A gentileza é, no geral, uma boa qualidade. Mas também ela precisa
ser controlada pela luz da vontade Divina."
Ancião Ioann Krestiankin (1910-2006) em Orlov, Rússia
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União das Igrejas
sábado, 22 de maio de 2010
Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja - II
Saudação do Arquimandrita Atanásios Anastasiou,
Abade do Santo Monastério de Meteora,
à Conferência: "Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja"
Fonte:http://www.impantokratoros.gr/Greeting-abbot_meteora.en.aspx
Tradução: Fabio L. Leite
Pireus, 28 de abril de 2010
Vossa Eminência, reverendos Padres, ilustres Professores,
Cristo Ressuscitou.
É uma benção excepcional para nós termos recebido o convite de Sua Eminência Metropolita Serafim para comparecermos nesta conferência e realizarmos nosso humilde comentário monástico. Esta conferência, a qual ele organizou com particulares cuidado e atenção aos detalhes, mais uma vez demonstra a sinceridade de sua confissão, sua compreensão da luta e seu testemunho inspirado.
Nossa presença aqui esta noite é um testemunho consciencioso e importante contra o grande problema do ecumenismo, o qual apresenta um sério perigo para nossa Igreja e para o progresso espiritual dos fiéis, além de ter profundas ramificações soteriológicas e espirituais.
É um testemunho de apoio e participação na saudável preocupação e desconforto de todos os presentes - os organizadores, palestrantes e ouvintes - mas também de tantos outros fiéis em nossa Igrea, que estão feridos e indignados com os avanços ecumênicos de hoje em dia, e que expressam seu extremo desgosto e aflição.
É nosso compartilhado testemunho, resoluto e inquebrantável, que nos recusamos a aceitar estes "eventos inevitáveis", que são os frutos que a Nova Era e a Nova Ordem Mundial criam e buscam impor na esfera dos diálogos ecumênicos e da união com os heterodoxos; e isto, em face dos tempos difíceis para nossa terra-natal (N.T.: Grécia) e povo, os quais agora vivem tragicamente as consequências destes mesmos frutos em uma tempestade de escárnio universal, falta de confiança, decadência, subjugação e submissão.
Exatamente as mesmas coisas estão sendo realizadas na esfera da fé através no insalubre e grotesco ambiente do ecumenismo, onde ocorrem ruinosas e inadmissíveis concessões, relativismos, falsificações, alterações, modificações e contemporizações que ocorrem sob a máscara do pacifismo, coexistência, troca de experiências, fraternidade e em um clima de um discurso verborrágico, insípido e melífluo.
Entretanto, a verdade de nossa fé é e sempre será a mesma, genuína e sem inovações. Nossa fé Ortodoxa é sempre será inegociável. Não existe a menor necessidade de mecanismos de apoio, pactos de estabilidade, contratos de supervisão, tutelagem internacional. Ela não pode ser limitada, debilitada, zombada; ela não tem medo dos especuladores, pois não pode ir a falência!
Esta nossa santa fé Ortodoxa, que nos foi transmitida pelos Apóstolos, a fé viva e salvífica de nossos Santos Pais - pela Graça de nosso Senhor Ressuscitado, de nossa Panagia e de nossos Santos, salvará nossa amada pátria e nos guiará a nossa pátria futura nas alturas, isso a despeito dos ataques ferozes e das maquinações que ela suporta da parte de pessoas dentro e fora de seus muros, dos combatentes visíveis e invisíveis.
Nossa mensagem é clara e simples: não há espaço para reduções e contemporizações em questões de fé. Em questões de fé, não há governados e governantes, superiores e subordinados, ditadores e seguidores. Não obedecemos por conta de intimidações e ameaças. Não aceitamos ultimatos e argumentos de fato consumado. Recusamo-nos a abandonar a fé salvífica e a santa tradição de nossa Igreja Ortodoxa para sermos guiados por trilhas de falsas uniões e adesões uniatas, que ficam de fora da Igreja.
Vossa Eminência,
gostaríamos de agradecer e congratulá-lo por seu testemunho confessional na questão do ecumenismo. Sua presença como um líder, em face da falta de liderança episcopal nesta questão em particular, nos dá conforto e forças. Também queremos agradecê-lo e parabenizá-lo pela coordenação da conferência desta noite sobre o bem-escolhido e pertinente tema: "Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja", sobre o qual os mais notáveis palestrantes falarão.
Abade do Santo Monastério de Meteora,
à Conferência: "Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja"
Fonte:http://www.impantokratoros.gr/Greeting-abbot_meteora.en.aspx
Tradução: Fabio L. Leite
Pireus, 28 de abril de 2010
Vossa Eminência, reverendos Padres, ilustres Professores,
Cristo Ressuscitou.
É uma benção excepcional para nós termos recebido o convite de Sua Eminência Metropolita Serafim para comparecermos nesta conferência e realizarmos nosso humilde comentário monástico. Esta conferência, a qual ele organizou com particulares cuidado e atenção aos detalhes, mais uma vez demonstra a sinceridade de sua confissão, sua compreensão da luta e seu testemunho inspirado.
Nossa presença aqui esta noite é um testemunho consciencioso e importante contra o grande problema do ecumenismo, o qual apresenta um sério perigo para nossa Igreja e para o progresso espiritual dos fiéis, além de ter profundas ramificações soteriológicas e espirituais.
É um testemunho de apoio e participação na saudável preocupação e desconforto de todos os presentes - os organizadores, palestrantes e ouvintes - mas também de tantos outros fiéis em nossa Igrea, que estão feridos e indignados com os avanços ecumênicos de hoje em dia, e que expressam seu extremo desgosto e aflição.
É nosso compartilhado testemunho, resoluto e inquebrantável, que nos recusamos a aceitar estes "eventos inevitáveis", que são os frutos que a Nova Era e a Nova Ordem Mundial criam e buscam impor na esfera dos diálogos ecumênicos e da união com os heterodoxos; e isto, em face dos tempos difíceis para nossa terra-natal (N.T.: Grécia) e povo, os quais agora vivem tragicamente as consequências destes mesmos frutos em uma tempestade de escárnio universal, falta de confiança, decadência, subjugação e submissão.
Exatamente as mesmas coisas estão sendo realizadas na esfera da fé através no insalubre e grotesco ambiente do ecumenismo, onde ocorrem ruinosas e inadmissíveis concessões, relativismos, falsificações, alterações, modificações e contemporizações que ocorrem sob a máscara do pacifismo, coexistência, troca de experiências, fraternidade e em um clima de um discurso verborrágico, insípido e melífluo.
Entretanto, a verdade de nossa fé é e sempre será a mesma, genuína e sem inovações. Nossa fé Ortodoxa é sempre será inegociável. Não existe a menor necessidade de mecanismos de apoio, pactos de estabilidade, contratos de supervisão, tutelagem internacional. Ela não pode ser limitada, debilitada, zombada; ela não tem medo dos especuladores, pois não pode ir a falência!
Esta nossa santa fé Ortodoxa, que nos foi transmitida pelos Apóstolos, a fé viva e salvífica de nossos Santos Pais - pela Graça de nosso Senhor Ressuscitado, de nossa Panagia e de nossos Santos, salvará nossa amada pátria e nos guiará a nossa pátria futura nas alturas, isso a despeito dos ataques ferozes e das maquinações que ela suporta da parte de pessoas dentro e fora de seus muros, dos combatentes visíveis e invisíveis.
Nossa mensagem é clara e simples: não há espaço para reduções e contemporizações em questões de fé. Em questões de fé, não há governados e governantes, superiores e subordinados, ditadores e seguidores. Não obedecemos por conta de intimidações e ameaças. Não aceitamos ultimatos e argumentos de fato consumado. Recusamo-nos a abandonar a fé salvífica e a santa tradição de nossa Igreja Ortodoxa para sermos guiados por trilhas de falsas uniões e adesões uniatas, que ficam de fora da Igreja.
Vossa Eminência,
gostaríamos de agradecer e congratulá-lo por seu testemunho confessional na questão do ecumenismo. Sua presença como um líder, em face da falta de liderança episcopal nesta questão em particular, nos dá conforto e forças. Também queremos agradecê-lo e parabenizá-lo pela coordenação da conferência desta noite sobre o bem-escolhido e pertinente tema: "Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja", sobre o qual os mais notáveis palestrantes falarão.
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Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja
Conclusões da conferência da Santa Metrópole de Pireu
Tema: "Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja"
Realizado no S.E.F. (Estádio Paz & Amizade), Pireu, Grécia, em 28 de abril de 2010
Tradução: Ricardo Williams
Fonte:
“A ‘primazia’ papal não possui fundamento teológico, carece de bases eclesiológicas sólidas e não é legitimada pelo Espírito Santo. É uma posição claramente baseada em uma compreensão mundana do conceito de autoridade”. Este foi o destaque da conclusão da conferência teológica organizada pela Santa Metrópole de Pireu no Estádio Paz & Amizade, Salão Melina Mercouri, em 28 de abril de 2010, e que contou com a participação de um grande número de leigos e clérigos.
A abertura da conferência ficou a cargo de Sua Beatitude Jerônimo, Arcebispo de Atenas e toda a Grécia, que enobreceu o evento com sua presença. Também estavam presentes Sua Eminência Serafim, Metropolita de Citera; Sua Eminência Paulo, Arcebispo de Glifáda; e Sua Eminência Melitão, bispo de Maratona.
O tema “Primazia, Colegialidade e Unidade da Igreja” foi discutido em duas sessões, que contaram com a presença de sete palestrantes: Sua Eminência Serafim, Metropolita de Pireu; Hieromonge Lucas Gregoriatis; Professor Aristides Papadakis da Universidade de Maryland, EUA; Protopresbítero George Metallinos; Protopresbítero Theodore Zisis; Protopresbítero Anastasios Gotsopoulos; e Professor Dimitrios Tselengidis.
Através das apresentações e discussões subseqüentes, conclui-se que: a unidade é parte intrínseca da natureza da Igreja, que é tanto o Corpo de Cristo como a Comunhão com Cristo. Existe apenas uma única Igreja verdadeira. A unidade da Igreja em todas as suas interpretações – estrutural ou carismática (isto é, plena de graça) – está claramente fundamentada no Espírito Santo. Ela possui caráter místico mas é mantida e cultivada principalmente por meio da Santa Comunhão.
De acordo com a “Confissão de Fé” do Sínodo de Constantinopla de 1727: “Assim sendo, a Igreja não reconhece a existência de qualquer outra cabeça, seja quem for, além de Nosso Senhor Jesus Cristo, enviado pelo Pai e pedra fundamental da Igreja”. Segundo a eclesiologia Ortodoxa, não existe por via de regra uma “primazia” indefinida e à parte de um sínodo local.
O conceito de posição de honra (termo utilizado na tradição eclesiástica Ortodoxa, ao invés do termo tardio “primazia” utilizado pelos papistas) expressa e assegura a unidade e a colegialidade da Igreja Católica Ortodoxa. A Igreja deu forma ao conceito de posição de honra durante o primeiro milênio através da hierarquia dos tronos patriarcais.
A autoridade do “primaz” deriva de sua posição de honra e é fruto da colegialidade da Igreja; por outro lado, a autoridade que os papas clamam para si desde o fim do primeiro milênio é resultado da abolição da organização sinodal da Igreja.
Durante o primeiro milênio da Igreja, os conceitos de primazia papal “por direito divino” de jurisdição ou de autoridade universal sobre a Igreja eram inexistentes. Pelo contrário, a Igreja detinha o direito de deliberar sobre suas questões administrativas sem a anuência do bispo de Roma, e estas decisões sempre foram universalmente válidas.
Após o cisma de 1054, as pretensões cada vez maiores dos papas em afirmar sua primazia sobre toda a Igreja subverteram completamente a estrutura do corpo místico da Igreja inspirada pelo Espírito Santo. Desse modo, a colegialidade – como uma função do Corpo de Cristo inspirada pelo Espírito Santo – torna-se um conceito fortuito, que é posteriormente abolido e substituído por uma mentalidade mundana. A primazia papal anula a igualdade dos bispos, distorce a autoridade administrativa plena da Igreja e despreza a essência do Teântropos (Deus-homem) ao fazer de um homem a cabeça visível da Igreja, repetindo, assim, o pecado ancestral dentro desta instituição.
Só pode haver união verdadeira quando há unidade de fé, culto e administração. Este é o modelo de união existente na Igreja antiga e que a Igreja Ortodoxa mantém inalterado até hoje. O uniatismo apresenta uma falsa união baseada em uma eclesiologia herética, pois permite a divergência de fé e culto, sujeita a unidade da Igreja ao reconhecimento da primazia papal – instituída pela justiça humana – e solapa a estrutura administrativa sinodal da Igreja – instituída pela justiça divina. A diversidade só é aceitável em questões secundárias de tradições e costumes locais.
Após o Concílio Vaticano I (1870) e, especialmente, o Concílio Vaticano II (1962-1964) a primazia papal deixou de ser uma simples asserção administrativa para se tornar um dogma de fé absolutamente necessário para a salvação dos fiéis. Negá-la resulta em excomunhão, conforme as resoluções do Concílio Vaticano I, cuja validade foi reafirmada no Concílio Vaticano II.
Como anfitrião da conferência, o Metropolita Serafim de Pireu enfatizou em sua apresentação que: “devido à doutrina blasfema e herética da primazia papal, incluindo aí suas ramificações espirituais – tais como a ‘infalibilidade’ do papa e seu despotismo monárquico e autocrático sobre a comunidade religiosa que está sob sua autoridade – o Papismo tornou-se um sistema monárquico-autocrático de ideologia mística e uma distorção do legítimo significado da Igreja. Ele é nada além de etnicismo franco-romano (paganismus) moderno disfarçado de espiritualidade, responsável por roubar a liberdade mística em Cristo dos membros da Igreja, por ser a causa inevitável e fatídica da apostasia e divisão da Igreja una, santa, católica e apostólica no Ocidente em uma miríade de heresias divergentes, e que hoje se apresenta como um obstáculo insuperável para seu possível retorno à Ortodoxia”.
Além disso, nos atuais diálogos teológicos entre Ortodoxos e católicos romanos, os participantes Ortodoxos devem buscar, em sua tentativa de restabelecer a comunhão eclesiástica, não somente a eliminação de doutrinas heréticas romanas (Filioque, graça criada, infalibilidade, purgatório, etc.), mas também a eliminação definitiva da primazia papal – e não apenas buscar uma interpretação aceitável por ambas as partes.
E, finalmente, consideramos que o modelo sincrético de “unidade na diversidade” é inaceitável e não será aceito jamais como “um modelo para a restauração da comunhão plena”
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